Gênesis é a melhor novela inédita do ano até agora

Trama bíblica da Record TV teve interrupção de gravações por conta da pandemia, mas segue padrão de qualidade

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Enquanto as quatro semanas dos corridos novos capítulos de Amor de Mãe (TV Globo) se mostraram um confuso rearranjo de cenas e desfechos mirabolantes, a concorrente das 21h, Gênesis (Record TV), se destaca na sua trajetória de superprodução. Independentemente de qualquer proselitismo religioso, a novela da Record mantém qualidade e coerência com a sua história de origem.

Ambas as produções foram impactadas pelo advento da pandemia de covid-19 no ano passado, mas Amor de Mãe acabou muito mais prejudicada, pois já estava há quatro meses no ar quando teve suas gravações e exibição interrompidas.

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Gênesis, por sua vez, seguia um calendário de filmagens antecipadas, numa fórmula já adotada pela Record, que segue uma linha diferente de produção em relação à da fábrica interna de novelas que é a TV Globo

A saber: a novela da Record tem produção terceirizada, feita pela Casablanca, enquanto as novelas da Globo são inteiramente produzidas de forma interna. Esse ecossistema marcado pelo gigantismo torna tudo mais complexo e deixou impossível que os estúdios Globo continuassem promovendo suas gravações de ficção como de costume durante a pandemia. Muitos dos programas ao vivo também sofreram modificações.

A novela da Record, que tem mais de 60 cenários e já utilizou oito cidades cenográficas, inclusive fora do Brasil (houve filmagens no Marrocos), também ficou meses sem gravações. No entanto, elas foram retomadas ainda no segundo semestre de 2020 – sendo novamente interrompidas em março deste ano, em virtude do agravamento da crise sanitária no País. Suas gravações foram retomadas em 12 de abril.

A divisão da novela da Record em capítulos históricos também a favorece num momento como este. Gênesis está na casa dos 60 capítulos, ou na quinta fase da sua história. A saga bíblica, que não esgota o complexo livro sagrado, foi dividida em sete fases. 1-Éden, 2-Dilúvio, 3-Torre de Babel, 4-Ur dos Caldeus, 5-Abraão, 6-Jacó e 7-José.

Desta forma, cada fase da trama encerra em si uma novela diferente, com troca de cenários e elenco. Mas a narrativa segue em tom uníssono pela mesma concepção estética, mesma linguagem, e riqueza de cenários e figurinos, além dos quase sempre necessários efeitos especiais – os do Jardim do Éden, da Arca de Noé e Torre de Babel são exemplos muito bem-sucedidos.

A direção de Edgard Miranda, já habituado à temática bíblica de outras produções (ele fez também Os Dez Mandamentos, recentemente também vendida para a TV Brasil) para a Record, conta com uma competente equipe de captação, edição e pós-produção, digna das grandes produções cinematográficas.

Gênesis tem como base um conteúdo pronto e consagrado através dos séculos. Independentemente de questões de fé, a narrativa bíblica encerra em si os principais dilemas da humanidade desde tempos remotos, sem importar muito o desenvolvimento econômico das sociedades ao logo dos milênios.

Conflitos, paixões e relações pessoais do ser humano estão quase todos delineados nas passagens bíblicas. A equipe de texto da novela (Camillo Pellegrini, Raphaela Castro e Stephanie Ribeiro, que contam com vários colaboradores) tem sido bastante apta em tornar mais inteligíveis algumas passagens, facilitando seu entendimento pelo grande público de televisão.

O texto-base da novela é extremamente variado e universal. Da mesma forma seriam os de novelas que se baseassem em contos de domínio público como os da mitologia grega ou nas lendas árabes reunidas nos célebres contos das Mil e Uma Noites. O teatro de Shakespeare também já serviu para inúmeras adaptações e serve de inspiração simplificada para muitas obras.

Mas a Bíblia tem enunciados de difícil compreensão para uma simples leitura. Não por acaso, milhões de pessoas frequentam religiões, cultos e templos em busca de explicações para as escrituras. Pastores, padres e demais líderes tratam sempre de detalhar segundo suas doutrinas os preceitos da história ali contida.

Traduzir estes conflitos com emoção e interpretação diretamente para o publico popular, em forma de entretenimento, diariamente, requer mais do que apenas talento. A produção da Record tem se esmerado acima de tudo na qualidade técnica.

No rol de atores, também alguns vêm se destacando até aqui, desde os já veteranos como Zécarlos Machado, atualmente no papel de Abraão; os belos Carlo Porto (Adão) e Juliana Boller (Eva) e o jovem Eduardo Speroni (Caim). Mas, sem dúvida alguma, Igor Rickli, no papel de Lúcifer, o demônio que trafega pelas fases da trama bíblica, está irretocável e merece só elogios.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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