Preocupados, repórteres pedem máscaras melhores no pico da pandemia; TVs respondem

Jornalistas e cinegrafistas se desdobram para evitar contágio por covid-19

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O crescimento descontrolado da pandemia de coronavírus tem assustado as redações de jornalismo das TVs. Na última terça-feira (16), o Brasil bateu mais um recorde: 2.841 mortes registradas em 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. Preocupados, repórteres que gravam nas ruas se viram como podem para evitar o contágio por covid-19, porém se sentem inseguros com as máscaras de tecido fornecidas pelas emissoras.

Procuradas pela coluna, as seis principais TVs abertas do Brasil ressaltaram a obrigatoriedade do uso de máscaras no ambiente de trabalho e durante as gravações em ambientes externos. Entretanto, a maioria não assegurou a distribuição do modelo mais seguro atualmente (N95/PFF2), como reivindicam os repórteres ouvidos pela coluna sob condição de anonimato (leia abaixo as notas de cada emissora).

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Desde maio de 2020, no segundo mês de pandemia, jornalistas da Globo passaram a utilizar máscaras diante das câmeras, exceto quem grava da própria casa. A medida foi adotada por outras redes como uma forma de mostrar cuidado com os funcionários e ensinar ao público o uso correto do item de proteção contra o coronavírus.

No último mês, com a evolução no número de internações e mortes por covid-19, o temor aumentou nos departamentos de jornalismo. A coluna apurou que repórteres da Globo pediram à chefia de jornalismo o fornecimento de máscaras N95/PFF2, mais utilizadas por profissionais de saúde, que conseguem bloquear até 95% de partículas transportadas pelo ar. Em modelos de tecido, os primeiros oferecidos pela emissora, a filtragem atinge 70%.

Profissionais ouvidos pela coluna relatam os cuidados redobrados e os perigos que precisam enfrentar para transmitir informação aos telespectadores sem contrair o novo coronavírus. Um repórter da Globo que prefere não se identificar disse ter comprado máscaras N95/PFF2 para proteger a si próprio e não levar a covid-19 para a família. “As máscaras de tecido não são as mais eficientes, com certeza”, compara.

Em São Paulo, que registrou na última terça 679 óbitos por coronavírus nas últimas 24 horas, jornalistas já entram ao vivo na TV com o modelo N95/PFF2, porém há os que preferem as máscaras cirúrgicas, vendidas em farmácias e descartáveis. Se utilizadas por baixo das produzidas com tecido, elas podem absorver até 92% de partículas. “Os repórteres foram autorizados a usar máscaras de pano por cima das descartáveis. Só pedem para que sejam brancas”, pondera o jornalista da Globo.

Na Record, a orientação é a mesma: repórteres podem utilizar duas máscaras, desde que sejam brancas. “Cada um está se virando como pode”, admite uma jornalista. Por outro lado, o setor de operações se queixa dos protocolos menos exigentes. Um cinegrafista revela ter sido contratado pela emissora sem ser submetido a exames de detecção de covid-19: “Entrei sem ser testado. Mediram a minha febre e perguntaram se eu tinha sintomas, e pronto. Só disseram que, se eu sentisse alguma coisa, procurasse o ambulatório”.

A Band, apurou a coluna, chegou a distribuir máscaras mais resistentes aos funcionários do departamento de jornalismo. No entanto, não obrigou a utilização. “Cada um prefere usar a sua. Tenho a cirúrgica descartável e a de pano. Só coloco a N95 quando entro em hospitais, o que é raro”, disse um repórter.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo informou à coluna que tem cobrado as emissoras sobre a adoção de novas medidas para evitar o contágio de seus funcionários dentro das redações. Nesta quarta, a entidade enviará aos canais um ofício exigindo uma atualização nos protocolos de segurança em decorrência do aumento dos casos de covid-19.

Leia abaixo as notas de cada emissora procurada pela coluna:

Cultura: “A TV Cultura disponibilizou a máscara N95 para todos os repórteres e cinegrafistas, e reduziu as reportagens externas como elementos de uma série de cuidados ampliados nesta fase emergencial da pandemia. Além disso, os profissionais foram orientadas a utilizar a máscara face shield em determinados locais de trabalho, quando há maior aproximação de pessoas. Especialmente em situações de contato, os jornalistas e equipe técnica estão orientados a usar N95 ou duas máscaras, sendo uma delas de TNT. Ainda na fase emergencial, serão testados de forma aleatória e por amostragem todos os colaboradores que trabalham na FPA [Fundação Padre Anchieta]”.

SBT: “Estamos avaliando uma série de medidas para proteger nossos profissionais nesta fase crítica. Uma delas é a escolha da máscara adequada. Máscara PFF2 só para reportagens em hospitais e clínicas. Para reportagem na rua ainda é indicado a máscara de tecido, e mais importante do que a máscara é seguir as recomendações de higiene e distanciamento”.

Globo“Desde o início da pandemia no Brasil, a Globo segue protocolos de segurança rigorosos para a proteção de seus funcionários que precisam continuar a trabalhar para levar informação ao público. Em todas as redações e gravações externas, os cuidados foram reforçados, com o uso obrigatório das máscaras, microfones diferentes para repórteres e entrevistados, uso de álcool isopropílico, lenços descartáveis e álcool gel para higienização de mãos, microfones e equipamentos. Por causa do agravamento da pandemia de covid-19, o Jornalismo da Globo tomou, no início de março, novas medidas para preservar ainda mais seus colaboradores integrantes do grupo de risco, que já estão trabalhando em home office desde o início da pandemia. Na GloboNews, foram adiados, por pelo menos um mês, os retornos dos programas GloboNews Miriam Leitão, Roberto D’Avila e Diálogos com Mário Sérgio Conti, já que a gravação das entrevistas exigia uma mínima presença de técnicos nas casas dos jornalistas. O Papo de Política voltou às quintas-feiras, na faixa de 23h30, mas sem a presença de Andréia Sadi, que está grávida. Na Globo, as gravações com Gloria Maria para o Globo Repórter estão suspensas pelo mesmo período – ela gravava no jardim de sua casa, ao ar livre, mas a opção foi por aumentar ainda mais os cuidados. Como acontece desde o início da pandemia, os jornalistas do grupo de risco têm trabalhado de casa, contribuindo para a extensa e fundamental cobertura da pandemia e de outros fatos importantes no Brasil e no mundo, em todas as plataformas do jornalismo da Globo”.

Record“Para este momento, a recomendação é manter o distanciamento dos entrevistados; preferência por entrevistas virtuais; uso de dois microfones; estar sempre de máscara (a que já disponibilizamos); suspender viagens; se possível, não trazer convidados ou entrevistados para a emissora; e evitar qualquer situação de maior risco, além de seguir o nosso protocolo de biossegurança”.

RedeTV!: “Os profissionais que trabalham nas ruas são orientados a sair da emissora com um kit de máscaras descartáveis, lysoform, álcool em gel e luvas. Também faz parte das medidas aplicáveis às equipes de externa o uso de dois microfones durante as reportagens, um exclusivo para o jornalista e o outro para o entrevistado. A emissora não descarta adotar também o uso das máscaras citadas. Por ora, há o fornecimento de máscaras descartáveis”.

Band“Desde o início da pandemia, a Band vem tomando todas as medidas sanitárias de combate à Covid-19, o que inclui a contratação de infectologistas, a frequente higienização dos departamentos, distribuição de máscaras, totens de álcool em gel à disposição dos colaboradores e melhorias dos espaços para manter o distanciamento. Além disso, com o aumento de casos no país, houve o afastamento do grupo de risco e o incentivo ao home office. A diretoria de Recursos Humanos e o corpo clínico da emissora continuam fazendo monitoramentos e comunicados periódicos para lembrar da importância do uso de máscaras na prevenção à doença, inclusive com advertência aos profissionais que não utilizarem o acessório. Não há nenhuma distinção entre as categorias quanto ao tipo de máscara. Todos os funcionários são orientados da mesma forma a se protegerem”.

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