Recém-encerrada no SBT, Triunfo do Amor foi uma sucessão de equívocos

Trama mais parecia uma sátira de O Privilégio de Amar

Publicado em 8/6/2021
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Após mais de seis meses de cartaz, Triunfo do Amor se despediu nesta terça-feira (8) da tela do SBT – provavelmente, deixando pouca saudade. Com audiência morna no Brasil e um histórico internacional bastante arranhado, a trama produzida em 2010 por Salvador Mejía se revelou nada menos que uma das piores produções mexicanas já exibidas por Silvio Santos.

O fato de revisitar pela enésima vez uma história já vista por aqui à exaustão – foram quatro exibições da versão mais conhecida, O Privilégio de Amar (1998), e outras três do remake brasileiro, Cristal (2006) – ficou pequeno perto do verdadeiro circo dos horrores que a produção da Televisa apresentou ao público desde o primeiro capítulo, marcado por uma performance ridícula da cinquentona Victoria Ruffo na pele de uma jovenzinha ingênua e virginal de 17 anos.

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A péssima qualidade dos cenários – que oscilavam entre a pobreza estética do seriado Chaves e a cafonice total de ambientes que se propunham ‘suntuosos’ – era acompanhada pelo exagero absurdo das caracterizações, figurinos e inclusive da direção, o que conseguiu prejudicar até mesmo o desempenho de bons atores como Livia Brito, Salvador Pineda e Maite Perroni (o nome de sua personagem, Maria Desamparada, dispensa comentários).

Victoria Ruffo pagou mico como ‘jovenzinha’ em Triunfo do Amor (Reprodução / SBT)

Victoria Ruffo, talvez, foi a mais afetada pela proposta equivocada da produto. A escolha da icônica intérprete para uma personagem altiva e soberba, cujas atitudes muitas vezes flertavam com a vilania, prometia um diferencial ao currículo da atriz, repleto de mocinhas ingênuas e constantemente humilhadas. O que se viu, porém, foi uma interpretação tensa e rígida da estrela como Vitória Sandoval, entremeada com suas lágrimas de sempre.

Dominika Paleta e Guillermo García Cantú tampouco foram bem aproveitados. Os cacoetes de ambos em tipos que, geralmente, dominam muito bem – a vilã histérica e desequilibrada e o antagonista com ar cafajeste – foram aqui explorados e incentivados ao máximo, levando seus personagens a um nível de caricatura muito além do aceitável. Ao invés de um remake, Triunfo do Amor parecia uma sátira de O Privilégio de Amar – e ainda assim, de péssimo gosto.

Entre tantas escolhas erradas, poucos elementos se salvaram. Há que reconhecer, por exemplo, a ousadia da roteirista Liliana Abud ao permitir-se enveredar a trama por caminhos bem diferentes das versões anteriores. Isso trouxe algum ineditismo à já tão batida narrativa, ainda que em uma embalagem tão indigesta.

Daniela Romo deu dignidade à sua absurda personagem (Divulgação / SBT)

Bom ator que é, o portorriquenho Osvaldo Ríos conseguiu se destacar dentre o elenco, ao imprimir certo charme a seu Osvaldo Sandoval, assim como (pasmem!) William Levy – o opaco galã cubano nunca havia sido visto tão à vontade como na pele de playboy conquistador. Agora, se existe alguém realmente digno de aplausos diante das câmeras de Triunfo do Amor, esse alguém é Daniela Romo.

Mesmo caracterizada como uma autêntica bruxa de animação da Disney, e completamente integrada ao nível grotesco exigido pela produção, ela conseguiu dar dignidade à sua performance como a megera Bernarda Itavera, que cometia as maiores atrocidades em nome de sua deturpada visão da fé católica. Qualquer outra atriz, sem dúvida, não teria conseguido sair de cabeça erguida de um desafio tão ingrato.

Entre bem menos altos do que baixos, Triunfo do Amor sai do ar deixando uma marca bastante negativa nas tardes do SBT e ao currículo da Televisa no Brasil – e, a julgar pela audiência de sua substituta (a também já bastante repetida Coração Indomável), não demorará a ser esquecida pela plateia da Anhanguera. A menos, claro, que Silvio Santos dê por reprisá-la mais adiante. Esperemos que não!

Victoria Ruffo e Osvaldo Ríos como Vitória e Osvaldo Sandoval em Triunfo do Amor (Divulgação / Televisa)
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