CNN Brasil, a maior do mundo, cada vez mais com cara de Globo?

Emissora da Avenida Paulista contrata âncoras que foram da rede carioca

Publicado há um mês
Por Renan Vieira
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Autointitulada a maior do mundo, a CNN Brasil estreou no País alardeando que possui, de fato, a marca mais prestigiada quando o tema é notícias. De maneira que se criou no mercado uma expectativa muito alta em termos editoriais e técnicos.

Esperava-se que a CNN Brasil pudesse trazer elementos mais importantes do jornalismo americano, consagrado e até influenciador de muito do que se faz na televisão brasileira. E isso de fato ocorreu, como no caso da intensa e extensa cobertura política.

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Mas, talvez até pela origem maior de seus profissionais, o canal nasceu como uma mistura de Record TV, SBT e Band, com muito apresentadores leitores de TP (teleprompter), impedidos de fazer análises mais fora do senso comum.

Depois de seis meses, a CNN Brasil indicou para o mercado que, sem fazer jornais com a figura clássica do âncora, como o da CNN americana e/ou Internacional, e apresentando os mesmos vícios de Record e Band, precisa “se globalizar”, se tornar mais parecida com a Globo.

Márcio Gomes, que apresentou o Combate ao Coronavírus, se despede da Globo (Reprodução/Globo)

Se os primeiros foram Monalisa Perrone, Phelipe Siani e Mari Palma, agora chegaram Márcio Gomes, Glória Vanique e Carla Vilhena, todos ex-globais. A ideia é, a partir de pesquisas, segundo a imprensa especializada, apresentar um elenco de âncoras com o perfil da emissora carioca, que possui o jornalismo mais poderoso do País.

Assim, a CNN Brasil teria, em tese, melhores condições de se orgulhar de ter apresentadores de jornal que possam sustentar uma entrevista difícil, traduzir bem um tema complicado para o telespectador, ou até mesmo analisar um fato, sem insegurança e a excessiva dependência do TP.

No entanto, apesar desse parecer ser um caminho seguro, que poderia ter sido tomado logo que se iniciou a formação do elenco, a CNN Brasil corre o risco de, agora, ficar muito parecida com a GloboNews e ser mais do mesmo, do ponto de vista de imagem para o telespectador.

Cris Dias junto aos demais âncoras da CNN Brasil (Reprodução)

É um processo semelhante com o que houve com a Record, que, em 2004, passou a fazer novelas, jornalismo, programas de variedades muito parecidos esteticamente com os da Globo. Além disso, a emissora da Barra Funda investiu em nomes de peso, reconhecidos nacionalmente pelo trabalho na rede carioca.

Em um primeiro momento, funcionou, até porque o “modelo Globo”, em qualquer área da TV, é vencedor, é prestigiado pelo público. A Record deu uma guinada em sua história, marcada por fracassos densos nos últimos anos, até se tornar um espelho da líder de audiência. No entanto, não se manteve firme por muito tempo.

Em um segundo, o próprio público foi capaz de perceber que o que parecia novo, uma opção, era apenas uma reprodução do que já se fazia há anos. A Record foi abandonada por seus fiéis telespectadores, também, porque já havia uma disponível originalidade na Globo.

Logo CNN Brasil (Foto: Divulgação)

Do que se viu de março até aqui, se a CNN Brasil quer bater a GloboNews e se tornar dona da liderança, ainda que não absolutamente, precisa pensar em entregar algo mais fresco do que a Globo já o faz.

Usar mais o manual da CNN americana, com programas dinâmicos e mais curtos, âncoras preparados para qualquer tema, seguros e carismáticos… Quem sabe não é um caminho?

Além disso, é importante dizer que, com um programa matinal de cinco horas de duração e outros jornais com até três horas, é praticamente impossível, por mais rotativa que a audiência seja, que o conteúdo não seja maçante e, às vezes, até pobre.

A CNN Brasil ainda não entendeu que para, de fato, ser reconhecida no Brasil, não pode apenas se igualar à GloboNews, entregando conteúdo na mesma proporção, nos mesmos formatos.

É evidente que é preciso realmente ser, no mínimo, grandiosa e, jornalisticamente, inconfundível. No mais, Globo já há uma. O caminho é a alternativa de qualidade, não a imitação, porque, mesmo bem feita, ela também se esgota.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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