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TV paga

CNN Brasil completa dois anos e programação é seu “calcanhar de Aquiles”

Jornais são repetitivos, longos, cansativos e com pouca personalidade, o que facilita a vida da concorrência

Publicado em 15/03/2022
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Esta terça-feira (15) marca o segundo ano de operação da CNN no Brasil, com canal em português. Reconhecida mundialmente, a marca americana é sinônimo de prestígio na cobertura dos principais eventos noticiosos do planeta, seja ele onde for, como, agora, na guerra na Ucrânia.

Se a ideia da emissora brasileira era alcançar um lugar ao sol, no – até 2020 – combalido mercado de redes de notícias do País, está no caminho. 

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A CNN Brasil não é líder absoluta de audiência e essa parece não ser uma meta. Nenhum mercado importante no mundo possui emissoras que permanecem na liderança de ponta a ponta, como acontece com a Globo e GloboNews no Brasil.

Este é um fato raríssimo e, talvez, o México, dentro dos parâmetros mencionados, se aproxima de tamanho domínio, com os canais da Televisa, ou o Reino Unido com alguns segmentos da BBC

Dito isso, é importante relembrar que a CNN Brasil movimentou o mercado de televisão, já superando o esquecido BandNews TV – um canal com baita potencial, mas sem a projeção que poderia ter por ser tratado como um eterno puxadinho.

A GloboNews, embora soberana, se mexeu, começou a colocar debates, a entrevistar personalidades que pensam diferente da sua linha editorial e lançou um novo jornal matinal, além de mais horas ao vivo, no domingo, desde as 18h. Só para citar alguns exemplos. 

O canal da Avenida Paulista, fazendo valer o DNA de sua matriz, vai muitíssimo bem em grandes coberturas, nos momentos de breaking news, como eles preferem dizer, a expressão em inglês para a cobertura de um fato ainda em andamento.

As eleições municipais, a morte de George Floyd, a eleição americana e a invasão da Rússia à Ucrânia são alguns dos momentos de brilho da CNN, que, de repente, chacoalhou o topete da concorrente, que até mudou a programação para não perder audiência

Renata Afonso, CEO da CNN Brasil (divulgação/CNN Brasil)

Um mercado competitivo é bom para todo mundo envolvido em uma operação televisiva, principalmente para o telespectador. Com a gestão de Renata Afonso, que substituiu Douglas Tavolaro, em abril de 2021, a CNN passou a ser mais pragmática, mais focada em resultados e, aparentemente, mais disposta a ouvir a audiência. É possível destacar a linha CNN Brasil Soft, que tem alguns dos melhores programas da televisão paga, embora a direção de programação seja uma lástima. 

Desde 15 de março de 2020, há problemas graves na grade do canal. O “calcanhar de Aquiles” são os noticiários longos, repetitivos, cansativos e com pouca identidade e que deixam o caminho para concorrentes, como a Jovem Pan News se aproximarem e até mesmo abocanharem a segunda colocação.

Além disso, o Jornal da CNN – que melhorou muito nos últimos tempos – começa e termina muito cedo para seu formato, que tem ares de Jornal da Globo. Isto é, quem chega em casa depois das 22h não consegue ter um resumo do dia em um jornal que não seja um retalho, como o Agora

A CNN Brasil ainda não entendeu que o horário nobre precisa ser dinâmico e com jornais de personalidade. Ao apostar em um formato como o da GloboNews, com painéis mornos, em que todo mundo concorda com todo mundo, ela jamais vai liderar e a faixa vai continuar afastando telespectadores, destruindo sua média-dia. Talvez, o melhor caminho é olhar para a matriz – que mesmo combalida na audiência da faixa de público geral – e apostar em âncoras que tenham, de fato, o que dizer. 

Alguém já se perguntou por que Carol Nogueira, Monalisa Perrone, Márcio Gomes e mesmo William Waack não podem falar mais? Por que não editorializam mais a notícia, claro, seguindo sempre os princípios jornalísticos? Por que não provocam a reflexão do telespectador com análises aprofundadas e provocativas dos fatos do dia?

O jornal em formato de diário está fadado à rejeição na televisão que busca se consolidar. É possível fazer isso com responsabilidade e aproximar o telespectador desses âncoras, que precisam abordar os fatos que mudam a vida do povo. 

A CNN Brasil, que é bastante digital, ainda tem dificuldade de traduzir temas complexos para o telespectador. Por que não usar mais recursos gráficos, por exemplo? Às vezes, é importante ir além do que a concorrência faz e entregar ao telespectador o que ele ainda não sabe o que quer.

Ficar falando dos bastidores de Brasília – como amigos que gostam de política e fofocam sobre – sem explicar o que o fato impacta na vida de quem está assistindo em casa não vai fazer a audiência subir, neste novo ano que começa. 

Daniela Lima, com seu 360º, leva CNN Brasil à liderança de audiência (Reprodução)

Outro ponto, para quem gosta de televisão, é estético. Os estúdios da CNN Brasil ficam em um prédio comercial, o que não permite cenários grandiosos, como o de suas irmãs portuguesa, indonésia ou mesmo de sua mãe americana. Os sets são, portanto, compartilhados entre os programas. É tudo muito apertado, com pé-direito baixo – às vezes, parece cenário de programa de Youtube. 

Se não é possível ter mais espaço, um diretor de arte resolveria isso com criatividade, com um jogo de câmeras moderno e ágil. A direção de TV de um dos jornais mais potentes da TV paga, o 360º, é lastimável. Alguém poderia explicar por que estar na Avenida Paulista, com estúdio de vidro e o dinamismo da avenida sequer é parte, atmosfera dos programas factuais, como os programas da televisão americana na Times Square.

A CNN também adora um mosaico, mas ninguém foi capaz de perceber que, para ter três, quatro, cinco, seis pessoas na tela, é necessário dar mais close, deixar o telespectador ver as expressões de quem fala e memorizar a imagem do analista, âncora. O enquadramento é tão bizarro que, na era do tablet, aparece sempre um trambolho, isto é, um notebook horroroso em cena que polui o quadro, não acrescenta nada, embora ajude os âncoras na comunicação. Definitivamente, um tablet funcionaria melhor esteticamente. Não é necessário nem falar muito sobre aqueles púlpitos transparentes – uma televisão universitária faria melhor – que servem de bancada nos plantões, no 360º

Por fim, é admirável a disponibilidade da CNN Brasil em estar disponível para milhares de brasileiros em seu site e no YouTube, com o sinal ao vivo da televisão. Apesar de propagar que a maior parte de seu público é das classes mais abastadas, portanto, um telespectador que pode pagar para ter acesso, oferecer com o sinal gratuito para todos é a prova de que o canal tem o compromisso com os brasileiros de todas as classes sociais e está se preparando para ser, de fato, uma referência quando o assunto é informação no País.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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