Nos anos 1990

Oscar Magrini: Ralf de O Rei do Gado foi demitido no meio de novela da Globo

Personagem teve que ser retirado pelo autor da história, na qual o ator fazia par com Betty Gofman

Publicado em 14/02/2023

Mais uma vez, um dos sucessos da novela O Rei do Gado (1996-1997), em cartaz no Vale a Pena Ver de Novo, é o mau-caráter Ralf, interpretado pelo ator Oscar Magrini. Amante de Léia (Sílvia Pfeifer) no início da história criada por Benedito Ruy Barbosa, após a separação dela de Bruno Mezenga (Antonio Fagundes) o casal passa a viver junto, e Léia sofre diversos maus-tratos e humilhações, além de ser enganada.

Fora Leia, Ralf mantém envolvimentos com Suzane (Leila Lopes) e Marita (Luciana Vendramini), e jamais chega a ser plenamente aceito pelos filhos da companheira, Marcos (Fábio Assunção) e Lia (Lavínia Vlasak).

Até que chega seu fim trágico: Ralf morre numa praia do litoral paulista, e inicia-se a investigação do incidente pelo delegado Josimar (José Augusto Branco) com a colaboração do detetive Clóvis (Amilton Monteiro) – que foi quem descobriu para Bruno o caso de Léia com Ralf.

Oscar Magrini não gostou da morte de Ralf em O Rei do Gado. O ator declarou que preferia que o boa-vida tivesse um fim diferente, “correndo atrás de Léia como um cachorrinho”, por exemplo. Logo depois veio outro personagem de sucesso, em Torre de Babel (1998), de Silvio de Abreu: Gustinho, irmão de Clementino (Tony Ramos) que acaba fazendo sucesso como cantor, sob o pseudônimo Johnny Percebe. Só que a voz na verdade era de outro irmão, Boneca (Ernani Moraes).

Em novembro de 1999 estreou na faixa das 19h da TV Globo a novela Vila Madalena, de Walther Negrão. Oscar Magrini foi escalado para o papel de Aricanduva, um conquistador de passado meio nebuloso que se envolvia com a ingênua Lilica (Betty Gofman), empregada de Bibiana (Yoná Magalhães).

O ator ficou cerca de três meses na novela. No começo de fevereiro de 2000, Oscar Magrini foi demitido pela TV Globo, com a alegação de que a causa eram seus constantes atrasos e ausências às gravações. A gota d’água do caso, digamos, foi o ator se recusar a gravar uma cena na qual teria que ofender um garçom, interpretado por Fernando Almeida.

Oscar alegou que aquilo seria um mau exemplo para o público, já que Fernando era negro e seria destratado por ele em cena. Com sua demissão, Walther Negrão teve que inventar uma saída inesperada para Aricanduva: o personagem foi embora de São Paulo e abandonou a noiva.