Glória Perez fala sobre O Clone, que chega ao Globoplay

Novela foi recentemente reprisada pelo Canal Viva, entre dezembro de 2019 e agosto de 2020

Publicado há 15 dias
Por Fábio Costa
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Exibida originalmente entre outubro de 2001 e junho de 2002 em 221 capítulos, a novela O Clone entra para o catálogo do Globoplay nesta segunda-feira (12), em continuidade ao projeto de resgate de novelas clássicas da plataforma de streaming. A autora Glória Perez falou sobre esse que é um dos mais significativos trabalhos de sua carreira.

A novela nasceu da impressão que me causou o nascimento da Dolly. Se era possível clonar uma ovelha, em tese, seria possível também clonar um ser humano”, relembra Glória.

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“E que problemas de identidade teria esse indivíduo? Que lugar no mundo, como a cópia de alguém? Eu quis pensar sobre isso e escrever é um jeito de pensar sobre as coisas que nos interessam. A experiência da clonagem humana suscita muitas questões éticas e filosóficas. Por um lado, é a tentativa do homem de criar uma vida, pondo-se num lugar até então só concebido a Deus. Era o homem ocidental desafiando Deus”, prossegue a autora, e em seguida explica o porquê de ter escolhido falar também dos muçulmanos.

“Para falar sobre isso, fui buscar o contraponto na cultura muçulmana. E por isso eles entraram na história. Foi um trabalho de muita pesquisa, porque se trata de uma cultura muito diferente e que sempre chegava a nós através de estereótipos. Estive no Cairo e no Marrocos, convivendo com pessoas comuns, participando dos seus cotidianos, estive com sheiks, estudei o Alcorão.”

Glória Perez afirma que ao escrever O Clone procurou ter cuidado para não ferir sentimentos religiosos. Lembrando que a novela estreou menos de um mês após os atentados às Torres Gêmeas, em Nova York, ligados a muçulmanos.

“Assim, me preparei para contar a história: de modo que os muçulmanos se reconhecessem. E buscando, como em todos os meus trabalhos, falar da diversidade, lembrar que, para além do nosso umbigo, nossa visão de mundo é apenas mais uma, entre tantas outras.”

A autora de A Força do Querer, reprisada atualmente em “edição especial”, também relembrou o desenvolvimento da temática do vício em drogas no enredo de O Clone:

“Para escrever sobre dependência química, fiz também uma pesquisa de campo. Como em todas as minhas novelas, escolhido o tema, fui conversar com as pessoas que viviam essa condição, frequentando clinicas e ouvindo, diretamente, os relatos dessa vivência. Até então eu sabia dos dependentes químicos pelo que ouvia dos médicos, dos familiares, da polícia. Quis dar voz a eles. E perguntar, como sempre, o que gostariam de dizer para a sociedade. Esse foi o caminho.”

Sobre o grande apelo que a novela ainda conserva, mesmo depois de quase 20 anos de sua estreia e de duas reprises, uma delas (a do Canal Viva) recém-encerrada, Glória Perez pensa que “É uma história muito humana, e com temas muito atuais: clonagem, dilemas éticos, experiências como as quimeras, dependência química, dramas familiares, amores. E existe também o aspecto muito lúdico da cultura muçulmana, a beleza das vestimentas, das maquiagens, as danças, os costumes…”

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