“Uma vitória para a televisão brasileira”, diz Ingrid Guimarães sobre êxito de Bom Sucesso

Publicado há um ano
Por Felipe Brandão
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Silvana Nolasco, a atriz ‘de mentirinha’ de Bom Sucesso, vive um difícil momento na carreira e na vida pessoal. Todo o contrário de sua intérprete, Ingrid Guimarães. Rindo à toa com o sucesso da novela e da personagem, ela festeja a excelente fase profissional.

Eu não sei nem se existe alguma coisa ruim nessa novela, porque ela vem sendo bem sucedida em todos os quesitos. Os temas tocados na novela são temas simples, atuais e necessários, na minha opinião – o quanto vale a vida, o quanto vale o tempo… Falar disso de uma maneira poética e ter Ibope eu acho uma grande vitória. Talvez a maior vitória da nossa novela“, comemora a musa, que também está no ar atualmente na reprise de Por Amor, no Vale a Pena Ver de Novo.

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Confira a entrevista completa do Observatório da Televisão com este grande nome da TV e do cinema nacionais.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – Bom Sucesso está sendo, com o perdão do trocadilho, um sucesso imenso! Como está sendo pra você fazer parte de todo esse êxito?

INGRID GUIMARÃES – Está sendo maravilhoso! Eu não sei nem se existe alguma coisa ruim nessa novela, porque ela vem sendo bem sucedida em todos os quesitos. Os temas tocados na novela são temas simples, atuais e necessários, na minha opinião – o quanto vale a vida, o quanto vale o tempo… A gente vem falando de um assunto que é o complicado pro Brasil – no caso, os livros. As pessoas estão deixando de ler, a cultura vem sendo desvalorizada, a educação vem sendo deixada de lado. Então, falar disso de uma maneira poética e ter Ibope eu acho uma grande vitória. Talvez a maior vitória da nossa novela. Claro, tem os dois lados. Recentemente, eu fiz uma cena bem difícil, onde queimei alguns livros – coisa que eu acho que também tem um significado importante para o que a gente está vivendo hoje. Além de tudo, somos um elenco que não tem problemas. Podem cavucar, podem procurar, mas não tem! Aqui não tem tempo ruim, não tem inveja, não tem competição, não tem stress. É uma alegria absoluta. É uma novela com muitos papéis diversificados – um exemplo importante para termos cada vez mais papéis de todos os tipos [nas novelas]. E, ao mesmo tempo, é uma novela delicada, que fala de amor e de relações. Nesse momento, da alta dos ‘on demand‘, das séries estrangeiras, termos uma novela que dá 35, 37 pontos é uma vitória não só pra gente, mas pra própria televisão brasileira.

A Silvana entrou como cupido na vida do Mário, personagem do Lúcio Mauro Filho. Mas tudo indica que agora eles vão ter uma relação, não é?

Ela entrou como cupido, mas agora eles vão ter… Como direi? Uma transa fixa entre amigos. Eu acho muito moderno ter esse tipo de relação em novelas. Porque são relações que existem. Os dois são solteiros, são amigos, não querem ser namorados. E a Silvana tem isso, de ser tão ‘atual’, de representar uma crítica a esse culto à imagem, e ao mesmo tempo não ser um estereótipo. Eu acompanho muito nas redes sociais que as pessoas tem ‘mix feelings‘ [sentimentos misturados, encontrados] pela Silvana. Eles criticam, chamam de chata, torcem pela Paloma… Mas basta ela chorar que já falam: ‘tadinha dela’. Ela está o tempo todo entre o bem e o mal. O público fica até na dúvida se me odeia ou me gosta de mim. É uma confusão de sentimentos, porque ela é um personagem muito real. Numa mesma cena, eu faço uma cena engraçada e no meio eu choro! Isso pra atriz, meu amor, é uma pérola!

Todos que comentam Bom Sucesso sempre observam que se trata de uma novela muito humana. Você acha que isso contribui para a repercussão?

Com certeza! Eu sou um personagem quase fora da novela. Você pode ver que eu não tenho pai, não tenho mãe, não tenho filha, não tenho amigo – tenho só um quarto de hotel! Mas tento fazer tudo isso de uma maneira muito realista e muito humana. Porque acho que a novela tem esse tom. De humanidade, de se aproximar [da realidade]. Até no jeito com que faço humor, tento fazer humor mais perto da realidade, mais sutil. Uma loucura que seja compreensível. E os meus parceiros me ajudam muito. Eu tenho poucos parceiros na novela, né? No início, eu fiquei um bom tempo tendo só cenas com o Rômulo [Estrela, intérprete de Marcos]. E nós combinamos que iríamos fazer um casal real. Sem isso de tratar Silvana como ‘a maluca’. Ele gosta dela porque ela é divertida, porque nunca ficou com uma atriz, porque ela faz ele rir. E eu e Lucinho [Lúcio Mauro Filho] agora estamos indo pelo mesmo caminho. A gente fez umas cenas agora em que ela fica cega, e chora, acha que vai perder a carreira… Aí a gente se abraça, eu choro, ele chora, e o diretor aplaudiu, achou lindo… E eu falei pra ele: ‘Lucinho, como é mais fácil contracenar quando você já é amiga da pessoa’. Eu já fiz Chapa Quente com o Lucinho, fiz com ele Os Melhores Anos das Nossas Vidas. Pra mim é um lugar muito natural [contracenar com ele]. Não precisa de construção, é só resgatar o que a gente já tem.

Nós estamos no ‘setembro amarelo’, e a sua personagem vai passar por um período de muita solidão. Vai ver que ela não tem ninguém além do Mário. Como está sendo pra você gravar essa fase da Silvana?

Está sendo incrível! Naquela cena da queima dos livros, o Alberto vira pra ela e diz: ‘você é sozinha, vai acabar sozinha’. Ela vira pra ele chorando e fala: ‘eu não sou sozinha, eu tenho milhões de seguidores’. E é uma dor no coração ver isso, porque isso é a realidade. A gente muitas vezes vive uma vida paralela [nas redes sociais]. A vida que a gente mostra é a vida que a gente é. E a Silvana ‘fala’ muito disso. Agora ela está vivendo uma solidão absurda. Além de ninguém ligar pra ela depois do acidente, ela finge pra imprensa que está maravilhosa, coloca um óculos incrível, continua tentando capitalizar a situação. Mas, quando está sozinha, todo aquele ‘glamour’ acaba e ela se pergunta: ‘meu Deus, pra onde eu vou?’ Essas coisas são muito efêmeras. A fama pode mudar muito de um dia pro outro.

Você já se questionou isso, como atriz?

Sempre, a vida toda! Essa é uma questão que está sempre em mim. Eu sempre pensei muito sobre a minha profissão, até porque sou uma pessoa que nunca teve oportunidades óbvias nem rápidas. Eu construí a minha história. Passei dez anos só vivendo de teatro, e renegando certos tipos de papéis aqui dentro [na Globo], porque não queria fazer mais papéis estereotipados. Aí fui pro teatro, criei minha história, fiz sucesso lá. Aí voltei pra cá em outro patamar, fui pro cinema mais tarde. Hoje as coisas mudaram. Hoje quem você é na internet é superimportante. Na minha época isso nem existia! Na minha época, as pessoas iam procurar ator no teatro. A minha geração inteira foi encontrada no teatro.

Você acha que esse romance que se enuncia entre a Silvana e o Mário pode ser um caminho para ela melhorar como pessoa, transformar-se mais?

Eu não sei. A gente estava até se perguntando esses dias, eu e as meninas: ‘será que a Silvana não vai ter um par?’ Porque ela foi apaixonada pelo Marcos. E eu falei: ‘acho muito legal se essa mulher resolver acabar sozinha’. Porque eu vim das comédias românticas, onde existe essa obrigação de a personagem ver a felicidade no amor. Mas quem sabe a Silvana se encontra de outra maneira, enquanto mulher, enquanto pessoa? Eu acho que, no momento, o Mário é só um amigo.

Você está no ar na reprise de Por Amor. Que balanço você faz da sua carreira de 1997, quando a novela foi gravada, até hoje?

Eu venci! [risos] É muito legal. Hoje eu cheguei aqui e encontrei o Otávio Augusto, que fazia o namorado da Vera Holtz em Por Amor. Nós fizemos várias cenas juntos nessa novela. E hoje ele me comentou: ‘você servia café pra mim 20 anos atrás, e agora você está nadando numa piscina!’ [risos] E, de fato, é muita coincidência eu estar no ar agora, ao mesmo tempo, em duas novelas de muito sucesso! Na internet, algumas pessoas até comentam, fazem memes: ‘quando eu vejo Ingrid e Mônica Martelli em Por Amor, vejo que posso vencer na vida!’ [risos] E muita gente manda mensagem pra mim nas redes sociais dizendo que me ver na novela as motiva, as inspira – a palavra ‘motivação’ é a que eu mais ouço. E eu acho isso incrível. Saber que você pode começar ali, pequenininha, num papel mínimo. Não tem regra pro sucesso.

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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