“É um retrato de um momento artístico da época”, diz diretor sobre elogiada trilha de Os Dias Eram Assim

Publicado há 4 anos
Por Endrigo Annyston
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‘Os Dias Eram Assim’ marca a estreia de Carlos Araújo na direção artística. Com longa trajetória na Globo, iniciada em 1990 em ‘Barriga de Aluguel’, ele assinou, mais recentemente, a direção de novelas como ‘I Love Paraisópolis’ (2015) e ‘Meu Pedacinho de Chão’ (2014), e da minissérie ‘Queridos Amigos’ (2008). Seu mais recente trabalho na Globo foi em ‘Velho Chico’ (2016). A equipe de direção inclui ainda Gustavo Fernandez, Cadu França e Isabella Teixeira. Walter Carvalho, de ‘Justiça’ (2016) e ‘Amores Roubados’ (2013), assina a fotografia.

Confira a entrevista:

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De qual conceito central você partiu para transformar a sinopse das autoras na obra visual que acompanhamos?
O primeiro movimento foi um mergulho profundo em tudo que aconteceu no período em que a trama se passa. A partir daí, procurei desenvolver uma linguagem na qual a ficção se mesclasse com os fatos reais. A ideia é fazer com que o público sinta que essa história está de fato acontecendo paralelamente à História. A maneira como os personagens foram construídos, humanizados na concepção e na criação, tem ajudado muito a viabilizar esse conceito quando entramos no set.

Que estética impôs a ‘Os Dias Eram Assim’? Como a parceria com o diretor de fotografia Walter Carvalho ajudou a chegar nesse consenso?
A textura é resultado de um diálogo com a estética da fotografia da época, e se aproxima muito da imagem daquelas décadas. Em termos conceituais, estamos buscando a beleza na simplicidade e, de certo modo, na crueza. ‘Os Dias Eram Assim’ marca meu reencontro com Walter Carvalho, com quem já havia trabalhado nos anos 90. Tem sido um reencontro intenso, bastante silencioso e invisível. Tanto eu quanto ele temos uma inquietação criativa que permite atingirmos momentos muito especiais no set. Obviamente, isso também só é possível com a performance do nosso elenco. Também faço questão de citar o nosso diretor Gustavo Fernandez, um grande parceiro e um grande talento da nossa equipe.

A passagem do tempo será marcada na direção de alguma forma?
As passagens de tempo serão marcadas principalmente pelos eventos de Copa do Mundo – a trama começa exatamente no dia da final da Copa de 70. Os encontros e desencontros dos nossos protagonistas e a história dos nossos personagens passam por vários mundiais. Os eventos históricos pelos quais o país passou no período também ajudarão a marcar as passagens de tempo. Nossa equipe fez uma pesquisa muito interessante de imagens de arquivo sobre o período e elas serão utilizadas com essa finalidade.

Os dois protagonistas, Renato Góes e Sophie Charlotte, já haviam trabalhado com você anteriormente, bem como outros atores que você está trabalhando pela primeira vez. Como foi processo de escalação?
O processo de escalação foi muito especial. Eu queria o melhor elenco para contar essa história. Fiquei 30 dias sentindo os personagens. Algo mágico foi acontecendo conforme eu ia conversando com os atores. Eles traziam um corpo, uma intensidade, um olhar novo para os personagens. Procurei escutá-los e ouvi-los bastante e isso fortaleceu a relação, a dramaturgia e a estética. Mas costumo dizer que foi um processo natural. De encontro com atores com quem nunca havia trabalhado e de reencontro com outros que já haviam passado pela minha vida. Estou realmente muito feliz com o resultado desse elenco.

O período que ambienta a supersérie ficou bem marcado pelo que foi chamado de revolução dos costumes, sobretudo no Rio de Janeiro. Como isso ganhará vida na ficção?
Esse é um ponto que me interessa muito nesse período e que ganhará destaque. O Rio vivia um momento muito especial. Era uma época em que a vontade de viver, a busca pela liberdade e o encantamento pelo novo afetavam diretamente o comportamento da nossa juventude. Os tempos eram sombrios, mas havia um movimento solar, romântico, que lutava contra isso. O movimento de contracultura, o surgimento do surf, o verão do píer de Ipanema, em 1972, são pontos desse período que trataremos.

Como foi o trabalho da escolha da trilha?
Falar da trilha sonora de ‘Os Dias Eram Assim’ é falar da supersérie. Existe muita personalidade nela, é um retrato de um momento artístico da época, a busca de uma identidade nacional, algo que nos aproximasse de nós mesmos. Resolvemos reverenciar esse movimento com fonogramas originais e regravações com artistas contemporâneos. Acredito que ela vá bater fundo no coração das pessoas, como bateu no nosso durante o processo. Sobre a decisão de fazer o elenco cantar a abertura, tem uma história curiosa. ‘Os Dias Eram Assim’ não é só um título, mas é um verso da música “Aos Nossos Filhos”. Pedi intimamente licença a Elis Regina, intérprete da versão do tema, e o desejo de colocar essa ideia em prática foi ganhando corpo aos poucos. Os atores compraram a ideia e ficou bem bonito. Mais do que isso, fortaleceu a relação do elenco com a obra. A cada gravação, os personagens cresciam, emotivos e intensos.

Como está sendo a parceria com as autoras Angela Chaves e Alessandra Poggi?
Nossa relação tem sido de muito trabalho, mas muito prazerosa artisticamente. Angela e Alessandra são autoras muito sensíveis e interessantes. Desde o início conversamos muito sobre tudo o que diz respeito ao produto e isso gerou uma relação de muito confiança, bem bonita. Acredito muito no que estamos realizando, como uma equipe.

Que mensagem espera deixar com ‘Os Dias Eram Assim?’
É uma mensagem de coragem. Que somos, antes de tudo, humanos e que a vida é um a sucessão de fatos, ações, reflexões e decisões e que tudo isso gera consequências. A possibilidade de nos levar a refletir é algo muito bonito nesse projeto e é muito gratificante fazer parte dele.

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