Arlete Salles fala sobre Naná, a permissiva matriarca de Segundo Sol: “Ela não é um modelo de educadora”

Publicado há 3 anos
Por Paulo Henrique Lima
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Em Segundo Sol, próxima novela das 21h, escrita por João Emanuel Carneiro, com direção artística de Dennis Carvalho e Maria de Médici, Arlete Salles será Naná, matriarca da família Falcão, uma mulher religiosa, que não aceita os defeitos dos quatro filhos e passa a mão na cabeça de cada um deles.

Na história, ela será casada com Dodô, personagem de José de Abreu, e evitará dar atenção às investidas de Nestor (Francisco Cuoco), seu amor de juventude, que ainda insiste em tê-la por perto. Em entrevista com a atriz durante a coletiva de lançamento da novela, ela falou sobre sua personagem, as gravações da trama em Salvador e sobre não pesar muito no sotaque. Confira:

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Como está sendo atuar em Segundo Sol?

O João Emanuel Carneiro me confiou esta personagem, a Naná. Ele sem dúvidas escreveu uma bela novela, com histórias muito interessantes, inclusive uma bela história de amor.  É uma trama brasileira que se passa na Bahia com aquela trepidação baiana, aquele sol baiano, muita música, e dança. Se de repente parecer até um musical será ótimo já que o protagonista é um cantor de axé. Os personagens têm um pouco desse jeitinho gostoso de falar do baiano, que para mim é muito difícil, já que sou pernambucana. Mas eu estou indo, dando os primeiros passos. Estou feliz por voltar a trabalhar com o Dennis Carvalho, que é um diretor querido. Ele é o sonho de diretor de qualquer ator, porque ele é ator também, então ele conhece as nossas loucuras, as nossas tristezas, as nossas alegrias, as dificuldades que ele possa perceber com o nosso lidar com o personagem, então é maravilhoso tê-lo como diretor.

Sua personagem é uma mãezona, mas é marido é mulherengo. Como é essa relação?

Isso não aparece na história ainda. Mas ele é um bom marido, são duas pessoas diferentes, o que gera um equilíbrio nessa família, porque ela é muito permissiva, muito amorosa, e ele é um pai rígido e muito severo. Para ela, os filhos podem tudo, não vê defeito neles, e quando vê, passa por cima. Acha que o amor pode resolver tudo. Já o pai é quem dá limites, ele é um educador. Ela não é um modelo de educadora, mas é uma bela personagem.

Sua personagem vai ter um amor do passado. Conta como será isso?

Um ex-amor do passado. Ela teve que se afastar dessa relação, desse sentimento, para viver um novo encontro e constituir a família dela. Esse ex-namoradinho ainda mantem-se longinquamente encantado pela Naná e irá morar ao lado da casa dela pra poder vê-la e tal. E isso irrita o marido um pouco. Mas não sei como vai ser a evolução desse flerte com o personagem do Francisco Cuoco, o Nestor, mas ela é uma mulher séria, e fiel. Deve fazer bem ao ego dela, mas ela é fiel.

Amor do passado não é mais gostoso?

Comigo não! Quando passa, passa (risos). Mas ela viveu um grande amor com ele durante a ditadura: os dois foram militantes, ela foi presa, torturada, e tem uma história com esse homem. Ele foi exilado, ficou longe do país e quando voltou, tinha que retomar a vida do jeito que deixou, mas ela já não fazia parte dessa vida, estava casada, com filhos, e ele se manteve apaixonadinho. Ela tem a sua história, tem um bloquinho de carnaval, ela é uma baiana. Uma Baiana pra cima, boa, mas não é boba. É uma mulher com vigor, forte. Ela tem o maridão dela que é interpretado pelo José de Abreu, é um homem interessante. Ela está bem na fita, não está mal não (risos).

As gravações estão acontecendo em Salvador. Você gosta desse clima quente, com música, etc?

Eu acho que todo brasileiro gosta de Salvador. Eu sou nordestina, de Recife, é uma bela capital, tem uma culinária maravilhosa, uma cultura maravilhosa, e música também. Mas Salvador tem uma coisa, alguma coisa se move que a gente não consegue direito explicar. Ela é quase um braço da África, e o africano é musical, tem aquela coisa sensual, aquela música que é uma coisa forte. Eu achei Salvador tão bonita, uma cidade limpa, iluminada, agradável, alegre e cheia de música. A novela vem com esse vigor, com essa alegria, com esse calor. A gente trabalha pra fazer sucesso, vamos ver.

Você gravou muito em Salvador?

Não, eu gravei pouco, mas fui lá. Fui em Porto Seguro, gravei um pouco, gravei também em Salvador uma cena longa na igreja de São Francisco que é linda, a igreja mais bonita de Salvador, no Pelourinho, embora a mais importante seja a igreja do Senhor do Bonfim.

Você soube há muito tempo que iria fazer a novela?

Eu soube ao mesmo tempo que todos, eu só não sei se foi antes de dezembro. Eu estava filmando como uma doida o longa Amigas de Sorte, que fizemos em Punta Del Este, Montevidéu, e São Paulo com a Susana Vieira e com a Rosi Campos. Já emendei esse projeto nas filmagens de Crô em Família, como a antagonista, que chega na casa dizendo-se mãe do Crô (Marcelo Serrado). Esses filmes irão para as telonas em Junho e Julho, quando estarei no ar com a Naná nas telinhas.

A Naná vai viver um drama com um dos filhos que é dado como morto. Como será isso?

Eles vão viver um grande conflito moral. Ela vive a grande dor da suposta perda do filho. O filho é dado como morto e no capítulo seguinte ela descobre que ele não morreu, porém está muito mal. Continua Naná no seu percurso doloroso, mas ele volta e retoma a vida. Bom, não vou contar tudo… Ela vive os dramas familiares cotidianos, e este será seu grande conflito, o de esconder o filho que todos acham que está morto. Tanto a Naná quanto o Dodô, são pessoas íntegras mas a vida os encurrala e eles se vêem obrigados a participar disso.

Sua personagem tem uma veia cômica?

Não tem. Pode ser que em pequenos traços, em algum momento, pela minha “deformação” profissional (risos). Como eu sou uma comediante, eu acabo dando um jeitinho e quando eu vejo estou fazendo um pouquinho de comédia.

E o sotaque está carregado?

Eu tenho muito cuidado com sotaque em novela, porque é um espetáculo longevo e aquilo pode ficar entediante assim. Então eu coloco um sotaque muito leve. Eu já fazia isso com a Carmosina (Tieta), quando eu não tinha tanta experiencia, e agora faço também de uma forma muito cuidadosa. Tem que ter cuidado com sotaque em telenovela para não entediar o telespectador.

Qual a religião da sua personagem?

Ela é católica. A Bahia é uma mistura. Lá tem 300 igrejas e o povo é muito religioso. Mesmo o candomblé, se mistura com a religião católica, as pessoas vão na igreja do Senhor do Bonfim durante o dia, e à noite vão para o terreiro. É um povo bastante religioso. Lá tem muito sincretismo religioso. Minha personagem é uma devota da Santa Terezinha, e quando os filhos estão passando por um perrengue ela se apega com todos os santos — são quatro filhos, com personalidades diferentes. Tem o bonzinho, o mauzinho, que é o Remy (Vladimir Brichta), o talentoso, que é o Beto (Emilio Dantas), tem o “destalentado” que quer ir para o palco que é o Clóvis (Luís Lobianco), e tem o certinho que é o policial, Ionan (Armando Babaioff). Ela tenta proteger mais o Remy, é uma tendência normal de toda mãe. E ele sabe jogar bem, manipuá-la, então ela dá mais colo pra ele.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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