Silvio de Abreu: Globo acertou ao colocar um criativo no comando das novelas

O diretor levou sua experiência como novelista ao cargo executivo

Publicado há um mês
Por André Santana
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A saída de Silvio de Abreu do cargo de Diretor de Teledramaturgia da Globo representa o fim de uma era. Afinal, ao apostar no novelista para comandar seu setor de novelas, a emissora transformou em executivo um profissional com ampla experiência no “outro lado da mesa”. Ou seja, antes de ser um chefe, Abreu é um criativo. E ele levou esse olhar para sua gestão à frente da dramaturgia global.

Antes, o entretenimento da Globo como um todo era tocado por executivos de carreira. Excelentes executivos, diga-se, mas não especialistas nas pastas que comandavam. Com Silvio de Abreu, isso mudou. Autor de grandes novelas, várias delas verdadeiros clássicos da dramaturgia, o profissional levou sua experiência ao campo executivo, o que se revelou um grande acerto.

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Afinal, os anos escrevendo novelas deram a Silvio de Abreu a habilidade de avaliar sinopses e saber se elas renderiam uma boa trama. Seu olhar de profissional da área permitiu com que a emissora fizesse apostas mais certeiras no campo do folhetim. Além disso, este mesmo olhar também servia para identificar qualquer problema de percurso. Era um autor experiente levantando possíveis problemas e apontando soluções.

Autor de novelas antológicas, como Guerra dos Sexos (1983), Rainha da Sucata (1990) e A Próxima Vítima (1995), Silvio de Abreu já tinha uma importante função nos bastidores da Globo antes de assumir a Direção de Teledramaturgia. Preocupado com o futuro do gênero, o novelista tinha por hábito avaliar sinopses de autores novatos, atuando como supervisor de texto em suas tramas de estreia. Foi assim que nomes como Maria Adelaide Amaral (em Anjo Mau), João Emanuel Carneiro (em Da Cor do Pecado) e Elizabeth Jhin (em Eterna Magia) foram lançados.

Pois o profissional levou esta missão ao seu cargo executivo. Nos seis anos em que ficou à frente das novelas da Globo, Silvio de Abreu lançou mais de 20 novos autores, que escreveram novelas que não decepcionaram na audiência. Rosane Svartman e Paulo Halm (de Bom Sucesso e Totalmente Demais), Claudia Souto (de Pega Pega) e Maria Helena Nascimento (de Rock Story) são alguns deles.

Claro que houve tropeços nesta trajetória, como a aposta equivocada em O Sétimo Guardião. Mas, numa avaliação geral, o saldo foi positivo. Além de lançar novos autores, o diretor organizou a fila das novelas e, ainda, promoveu um bom rodízio de temáticas e estilos em todos os horários. Apostou em sangue novo de proposta mais elaborada, como Amor de Mãe, mas também em tramas à prova de erros e extremamente populares, como A Dona do Pedaço. Assim, agradou públicos distintos.

No entanto, é bem possível que a Globo mantenha sua boa fase em novelas com a chegada de José Luiz Villamarim. Desta vez, será um diretor com experiência em sets de novelas o chefe, que também há de trazer um bom olhar técnico e artístico às futuras produções. Festejado pela direção criativa, Villamarim deve agregar bastante ao setor. E Silvio de Abreu sai de cena com sensação de dever cumprido.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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