Reprise de Cabocla mostrou a falta que faz Benedito Ruy Barbosa

Histórias rurais como essa são necessárias no cenário da teledramaturgia brasileira

Publicado há 7 meses
Por Fábio Costa
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Nesta sexta-feira (17), o Canal Viva encerra sua reprise da novela Cabocla, de Benedito Ruy Barbosa. Baseada na obra do escritor Ribeiro Couto, a história já havia sido produzida pela TV Globo em 1979, com texto do mesmo Benedito. E no final dos anos 1950, pela TV Rio.

A história se passa na década de 1910, entre o interior do Espírito Santo e o Rio de Janeiro. O cenário principal é Vila da Mata, cidade capixaba fictícia cujo controle político é disputado pelos coronéis Boanerges (Tony Ramos) e Justino (Mauro Mendonça).

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A Cabocla do título é Zulmira, ou apenas Zuca (Vanessa Giácomo), moça muito bonita, noiva do peão Tobias (Malvino Salvador). Ela se encanta com Luís Jerônimo (Daniel de Oliveira), jovem advogado carioca, filho de Joaquim (Reginaldo Faria), primo de Boanerges.

O rapaz deixa no Rio de Janeiro uma vida de excessos e boemia para se cuidar nos puros ares de Vila da Mata. Ele já desenvolve problemas pulmonares, e uns tempos na fazenda do primo, padrinho de Zuca, podem ajudá-lo a melhorar. Ele também se encanta por ela.

Outro casal que se apaixona e tem muitas dificuldades no decorrer da novela é o formado por Neco (Danton Mello), filho de Justino, e Belinha (Regiane Alves), filha de Boanerges e Emerenciana (Patrícia Pillar). Com essa filiação, ficam claros os porquês das dificuldades.

Acompanhando esses dois casais e os conchavos políticos da pequena cidade, as cenas da vida no campo naqueles tempos, com as vendas que servem de grandes centros de entretenimento dos caboclos, as brigas daqueles que bebem umas pingas a mais, os agregados das fazendas e suas fofocas…

O ideal é que as telenovelas apresentem uma pluralidade de personagens, épocas, locais e contextos. Nem sempre haver vários autores leva a essa pluralidade, já que o próprio repertório de cada profissional conduz a retratos familiares ao que ele viu e viveu.

Silvio de Abreu ambienta suas obras em São Paulo, cenário que ele conhece. Idem para Manoel Carlos e o Leblon. Lauro César Muniz tratou como poucos de uma aristocracia rural e do desenvolvimento do Brasil moderno em suas obras.

Benedito Ruy Barbosa conhece o interior do País e retratou-o em diversos trabalhos. O coronelismo, os romances de peões e caboclinhas, o encanto dos jovens da cidade que chegam ao campo e o natural conflito que surge disso…

O embate de classes, os valores rurais e a mudança do Brasil num país eminentemente urbano são ingredientes tanto de Cabocla quanto de Os Imigrantes, Paraíso, Pantanal, Renascer etc. Fora Sinhá-Moça, localizada nos últimos dias da escravatura.

O novelista também tratou em sua obra daquilo que conhecia, o nosso povo. E de maneira tão eficiente que alcançou o sucesso registrado. De época ou atuais, as novelas rurais, por assim dizer, podem parecer semelhantes umas às outras. E talvez sejam mesmo.

Mas e as urbanas, por mais que tentem, também não traduzem conflitos parecidos dos grandes centros e seus habitantes? Seguramente essa não é uma desculpa para que os “caipiras” deixem de surgir na telinha.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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