Naufrágio da nova grade dominical expõe fragilidades da Record TV

A nova programação, anunciada com pompa, durou apenas um mês

Publicado há 8 meses
Por André Santana
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A primeira grande aposta da grade 2020 da Record TV foi o amplamente anunciado novo domingo. Com uma programação variada, começando cedo e apostando em formatos diversos, a emissora esperava retomar a vice-liderança perdida para o SBT no primeiro dia da semana. No entanto, a estratégia durou apenas um mês. Em quatro semanas, a emissora viu todas as novidades ruírem, consequência dos parcos resultados somados às medidas tomadas após a declaração de pandemia. Além disso, toda esta situação expôs a fragilidade da Record TV no sentido de elaborar estratégias de programação.

Afinal, o próprio anúncio das mudanças já gerou desconfiança. Apostar numa edição dominical do Hoje Em Dia, sem promover qualquer mudança para se adequar ao novo dia, foi um erro que o canal já havia cometido antes. Será que se esqueceram? Enquanto isso, jogaram Sabrina Sato aos leões com o novo Domingo Show. Sabrina é simpática e muito divertida, mas é sabido que a briga dominical é para “gente grande”. Ela ainda não está pronta para uma missão tão complexa. Já o The Four não era um sucesso nem às quartas. Por que seria aos domingos, dia bem mais competitivo?

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Mas a emissora pagou para ver. Ao que tudo indica, a nova grade foi montada sem considerar vários detalhes. Não houve uma análise da concorrência, nem mesmo uma análise da força dos produtos lançados. Ou seja, foi uma grade baseada em “achismos”. Isso demonstra que falta à Record TV um profissional que realmente entenda da TV, e que possa elaborar estratégias mais embasadas.

Novelas

O mesmo se aplica às novelas da emissora. Num passado não muito distante, a Record TV montou uma dramaturgia forte, com ótimos autores, bom elenco e diretores criativos. Fez boas novelas, sobretudo no período entre 2004 e 2011. Mas, depois, a emissora perdeu a mão, e até hoje tateia em busca de um rumo no segmento.

Encontrou o filão das novelas bíblicas, mas o explorou numa exaustão tal que a fórmula cansou. Além disso, a emissora viu esvaziar seu elenco e perdeu todos os seus autores de primeiro time. Apenas Christianne Fridman permaneceu, mas até quando? Enquanto isso, a escritora Cristiane Cardoso é quem está à frente do setor atualmente. Ou seja, uma pessoa que não é da área.

Em suma, a Record TV carece, mais do que nunca, de um comando especializado. Falta alguém ali com visão técnica de televisão, capaz de traçar estratégias baseadas em dados, e não em opiniões. Caso contrário, a tendência é que a coisa piore.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo. 

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