Preconceito

Jornalistas da Globo e da CNN são discriminados e expõem a covardia e a crueldade do racismo

Clara Velasco foi intimidada por racista em rede social; Jairo Nascimento sofreu preconceito de uma criança

Publicado em 20/08/2022

Esta coluna se solidariza com dois importantes jornalistas da atualidade: Clara Velasco e Jairo Nascimento. Neste sábado (20), eles expuseram a covardia e a crueldade dos racistas ao serem vítimas de discriminação. A profissional da Globo e do portal G1 foi intimidada em sua rede social, enquanto o âncora da CNN Brasil sofreu preconceito de uma criança.

O sucesso dos negros ocupando posições de destaque anteriormente exclusivos para brancos incomoda quem quer conservar o poder nas mãos claras de poucos. A coluna já analisou o comportamento perverso dos racistas quando o repórter Luiz Teixeira e o apresentador Pedro Lins foram alvos do racismo de gente com pele alva, em agosto de 2021.

Como os dois jornalistas citados acima, Clara Velasco e Jairo Nascimento decidiram não se calar. A jornalista responsável por desmentir notícias falsas recebeu a seguinte mensagem privada em seu Instagram: “Volte pra sua aldeia lá BA Africa”. Natural de Jequié, na Bahia, ela não se amedrontou e exibiu a covardia do racista que comete crimes na surdina (afinal, cadê a coragem para ser preconceituoso em público?).

“Não costumo expor essas coisas, mas mudei de ideia há um tempo, pois tem muita gente que acha que racismo não existe. Impressionante como o sucesso de pessoas negras incomoda, né”, escreveu no story, emendando com outra publicação: “Sigo plena onde eu bem quiser, seja no JN, na Bahia ou na África (que algum dia ainda vou conhecer)”.

Clara Velasco expõe ataque racista em rede social
Clara Velasco expõe ataque racista em rede social

O racismo é sorrateiro e perverso. Além de ser um crime confundido com “opinião”, persiste durante cinco décadas no Brasil, segregando quem herdou o sangue africano escravizado dos que ostentam a árvore genealógica de seus algozes, os escravocratas europeus. Jairo Nascimento, que também contrariou a estatística e ocupa o posto de âncora de telejornal (ainda raríssimo para negros na nossa TV), foi apresentado à perpetuação do racismo na prática e relatou o episódio no Instagram.

“Ontem, enquanto comprava um bem, um menino de uns 8 anos perguntou se eu estava roubando. O repreendi na hora. Pensando sobre, vou estender uma resposta sobre isso com essa foto. É uma casa que emula como era a vida no centenário Quilombo do Cafundó, em São Paulo. Ontem, também, foi a primeira vez em que eu fui a um quilombo. Que experiência! Sensação de estar em casa, em família, mas, principalmente, de entender como a resistência e organização dos negros e seus descendentes é insuportável para quem, por covardia e ignorância, não tem a capacidade de combater o racismo e ensinar a um criança o que é respeito. Enquanto houver quem agrida ou questione, haverá sempre um quilombo físico ou metafórico para combater, organizar e ser a nossa casa. Os remédios contra o racismo são muitos. Eu gosto do afeto, mas estou encantado com o uso da estratégia. Um bom sábado, aquilombe-se também!”, publicou.

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