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Histórias reais

Mosquitos e jacarés: os perrengues de uma repórter na novela Pantanal antiga

A repórter Lydia Mendes tem lembranças curiosas de quando viajou à Fazenda Ouro Negro a convite da TV Manchete

Publicado em 15/04/2022
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A jornalista Lydia Mendes lembra em detalhes sua viagem ao Pantanal sul-mato-grossense para fazer reportagens sobre o lançamento da novela da extinta TV Manchete, em janeiro de 1990. Apesar do tempo que se passou, — mais de 30 anos – ela tem na ponta da língua os perrengues e as recordações curiosas do período.

Na ocasião, a TV Manchete não economizou recursos – a novela Pantanal teve orçamento de US$ 7 milhões (equivalentes a cerca de R$ 35 milhões hoje, sem considerar a inflação do período) – e convidou imprensa de jornais e revistas para conferir in loco as gravações de sua superprodução.

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Lydia tinha pouco mais de 20 anos e era repórter especializada em televisão no jornal Folha da Tarde (FT), pertencente à mesma empresa dos jornais Folha de S. Paulo e Notícias Populares (NP). Nem FT nem NP existem mais.

No aeroporto de Campo Grande/MS, os grupos da imprensa foram divididos em duplas para embarcar em cada um dos pequenos aviões bimotores com destino à Fazenda Ouro Negro, na região do Pantanal, onde estava concentrada toda a equipe de produção.

O local pertencia a um parente do Marechal Cândido Rondon (1865-1958), militar e sertanista brasileiro, figura importante no desbravamento da região. A repórter aproveitou a viagem e conversou com ele (veja a matéria abaixo):

Matéria publicada na FT feita na locação da novela Pantanal na TV Manchete.

Chegamos ao Pantanal, o avião pousou já perto do casebre que era a casa da Maria Maruá (Cássia Kiss)”, relembra Lydia, recordando-se que a atriz tinha acabado de gravar a cena do parto solitário da filha Juma na canoa.

Outro detalhe inesquecível foi a maneira como chegaram até a principal casa da fazenda, que ficava “longe-perto”, como ela define: “Não tinha como ir a pé; era época de cheia, tudo muito molhado e encharcado pelo caminho. O único jeito era subir uma caçamba puxada por um trator”, conta a jornalista.

De acordo com ela, o medo maior nem era molhar os pés ou a roupa, mas sim evitar os jacarés que lotavam o caminho.

Comida de fazenda

Na casa da fazenda, uma farta mesa de comida típica pantaneira os aguardava para a refeição, com os assados e toda sorte de guarnições.

Montaram um mesão pra gente. A Cássia Kiss, que já era adepta da alimentação macrobiótica, tinha sua marmita de comida separada”, recorda Lydia. Ela também não se esquece do excesso de mosquitos, que tanto dificultaram o andamento das entrevistas.

A repórter aproveitou todo o tempo que teve para conversar com nomes do elenco e direção, já que uma das editoras da publicação tinha dado a recomendação de que fizesse muitas entrevistas. (Nota da coluna: esta jornalista era a editora em questão). O jornal almejava ter o maior numero possível de reportagens sobre a novela.

Dito e feito.

Lydia escreveu em diversas edições do jornal sobre tudo o que apurou, tendo se tornado a setorista da novela Pantanal.

Diante do sucesso de audiência da história, ela ainda ganhou a tarefa de produzir uma coluna diária no jornal onde comentava o capítulo da noite anterior da novela.

Numa época em que não havia internet, muito menos serviço de streaming, as pessoas que perdessem um capítulo ficavam desesperadas para saber o que tinha acontecido.

A coluna tornou-se sucesso de leitura na Folha da Tarde – o jornal recebia inúmeras cartas sobre a novela.

Lydia Mendes recorda detalhes curiosos de suas entrevistas: o autor Benedito Ruy Barbosa lhe confessou que era muito difícil fazer o público brasileiro de telenovela entender a passagem de tempo na história.

Ela também guarda ate hoje uma resposta lendária. Perguntou ao cantor e compositor Almir Sater qual era o segredo para ser um bom violeiro.

A frase dele foi inusitada: “Tem de enfiar o braço nesse buraco na parede e fazer um pacto com o demônio”. Embora se esforce, Lydia não consegue se lembrar da localização do tal buraco e da parede!

A imprensa não dormiu na fazenda, com todos os jornalistas retornando para o hotel em Campo Grande.

Depois dessa viagem, Lydia também foi convidada para a festa de lançamento da novela, no Rio de Janeiro, que aconteceu numa boate badalada na noite carioca, o Banana Café.

Marcos Palmeira, que fazia então o personagem Tadeu (hoje vivido por José Loreto), era um galã emergente, e jogava seus encantos por todo o lado.

Memória afetiva

A viagem de trabalho de Lydia para esta cobertura de Pantanal mistura tanto suas lembranças pessoais e afetivas com aquelas de trabalho, e isso torna tudo ainda mais interessante.

Lydia foi enviada ao Pantanal junto ao fotógrafo do jornal, Juca Rodrigues, com quem ela estava namorando há pouco meses mas com quem já tinha data de casamento marcado. Os dois nunca tinham viajado juntos.

 “A viagem foi em janeiro de 1990 e eu ia me casar em abril. Então, para nós, mesmo sendo viagem de trabalho, foi como uma lua de mel antecipada”.  Em tempo: os dois continuam casados e têm dois filhos, já adultos.

Anos depois, ela deixou a Folha da Tarde, e a jornalista trabalhou ao longo da carreira em outras publicações da área, como a revista Chiques e Famosos e também em edições especiais da revista Caras.

Juca Rodrigues seguiu como fotógrafo e editor de fotografia de diversos veículos de imprensa e hoje é também professor universitário.

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