Indústria de TV por assinatura se reorganiza no novo ambiente

Setor sente a crise econômica, pirataria e excessos na legislação, e aposta nos serviços de streaming

Publicado em 10/8/2021
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Efeitos da crise econômica no bolso do consumidor, perda bilionária com a pirataria – as estimativas são de R$ 10 bilhões por ano de prejuízo -, muitas exigências de ordem regulatória, entre impostos e outras obrigações. Estes são alguns dos fatores enumerados pelo setor de TV por assinatura como responsáveis para a queda acentuada no volume de clientes nos últimos anos.

Os serviços de streaming, que num passado recente foram apontados como um dos vilões para a indústria da TV por assinatura, já não o são mais, uma vez que o setor está em plena fase de reorganização. As operadoras de telecomunicações oferecem pacotes com conteúdos por internet e os próprios canais ou já criaram seus serviços de oferta direta aos clientes, seja de programação sob demanda ou linear, ou se associam a empresas agregadoras de conteúdo. Estas, por sua vez, os vendem em conjunto. As parcerias correm soltas no novo ambiente.

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Ninguém mais culpa a Netflix, por exemplo, que inclusive pode ser contratada nos pacotes das operadoras de TV por assinatura, ao lado de outros serviços concorrentes. Hoje, neste mercado, os streamings são encarados como serviços complementares.

Atualmente, o Brasil conta com 13,9 milhões de domicílios pagantes de algum sistema de TV por assinatura, de acordo com os dados mais recentes da Anatel (Agencia Nacional de Telecomunicações), referentes ao mês de junho último. O volume corresponde a aproximadamente 40 milhões de pessoas impactadas pelos canais da TV paga. No final de 2014, por exemplo, esse número era de quase 20 milhões de assinantes.

O levantamento da Anatel, entretanto, não contabiliza os assinantes de canais lineares de serviços de streaming. Ficam de fora serviços como Globoplay , por exemplo, que oferece mediante mensalidade canais convencionais da TV por assinatura, como GNT, Multishow, e até a TV Globo, via internet. O mesmo acontece com novas operadoras virtuais com oferta de canais, como a DirecTV Go.

Os motivos da queda no número de assinantes foram alguns dos pontos discutidos por representantes das principais empresas que atuam no setor no País. Programadoras de canais e operadoras do serviço de TV por assinatura e telecomunicações participaram do Pay-TV Forum, evento em formato virtual promovido pelos noticiários Teletime e Tela Viva News.

Globo

Ao longo do primeiro dia do evento, nesta segunda, 9, houve painéis e entrevistas. Paulo Marinho diretor de canais da Globo, foi entrevistado pelo organizador Samuel Possebon, da Teletime News. O executivo à frente de toda a operação de televisão do grupo falou sobre como o conglomerado de canais vê o mercado. Para ele, há ampla concorrência pelo tempo, atenção e bolso do consumidor.

Marinho considera a oferta dos canais, que antes só estavam disponíveis na TV por assinatura e que agora são entregues via Globoplay, como inerente à nova lógica do ambiente concorrencial.  Para a TV por assinatura convencional, no entanto, ele admite ser preciso “rever as ofertas e torná-las mais competitivas diante da concorrência”.

O diretor dos canais Globo entende também que os serviços de streaming proporcionam novas experiências no ambiente virtual, seja em distribuição própria ou por meio de parcerias. O executivo da Globo fez questão de reiterar o grande valor do conteúdo local para as muitas plataformas.

Anna Andrade, dirigente da Warner Media no Brasil, explicou como vem ocorrendo a integração de todas as empresas do grupo (canais da TV paga da Turner, HBO e serviço HBO Max) no Brasil e demais países da América Latina.

Representantes de operadoras como Claro, Tim e Oi falaram de novas ofertas de serviços via internet para os clientes. A Directv GO também oferece um serviço de canais lineares por internet desde o final de 2020.

Como muitos clientes cancelam TV por assinatura, mas mantêm o serviço de internet banda larga – há no país, de acordo com a Anatel, 37 milhões de conexões de banda larga –, a aquisição dos canais pela via do OTT (over the top, ou fora da caixa receptora) tem se mostrado viável no mercado e compensando em parte a queda de assinantes de canais no sistema convencional.

Via satélite

Do lado da Sky, a maior operadora de DTH (sistema via satélite para recepção por mini parabólicas), o seu presidente, Raphael Denadai,diz que a empresa estima as suas perdas em R$ 700 milhões por ano, em virtude de obrigações e carga tributária impostas pela chamada Lei do SeaC, que coloca uma série de custos extras à empresa.

Em comparação com serviços de streaming sobre tributos, o dirigente da Sky lembra que a concorrência não é justa, pois enquanto a assinatura da Sky paga por ICMS, Fust, Funttel e Condecine, os serviços de streaming do mercado recolhem na assinatura apenas ISS, PIS e Cofins, que são índices menores.

Todas as empresas lamentam a questão da pirataria, tema de campanha institucional por parte da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura). As estimativas são de que até 30 milhões de pessoas desfrutem de programação obtida com roubo de sinal no País.

O evento sobre TV por assinatura prossegue nesta terça-feira, 10, e contará com a participação de representante do Observatório da Televisão em um dos painéis. O tema diz respeito à cobertura de imprensa sobre o segmento de televisão por assinatura.

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