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Entrevista exclusiva

Jornalista Rinaldo de Oliveira lança Só Vaquinha Boa, para ajudar pessoas com diversos tipos de necessidades

O repórter, que cobria assuntos densos como violência e política, agora se dedica a notícias positivas e solidariedade ao próximo

Publicado em 18/05/2022
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Amigos da Coluna Por Trás da Tela, hoje eu converso com um mais um craque do jornalismo. Rinaldo de Oliveira esteve em grandes veículos de comunicação, e sua experiência engloba chefia de reportagem em rádio e TV, produtor, repórter, pauteiro, apurador. Destacou-se em Brasília em grandes reportagens sobre a política do nosso Brasil.

Rinaldo hoje está no comando do site Só Notícia Boa, onde desbrava um grande filão jornalístico. Com o imenso público acostumado a consumir tragédias, Rinaldo chega com a ideia de mostrar ao Brasil e ao Mundo que notícias boas, positivas, também devem fazer parte da nossa agenda diária.

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Rinaldo a cada dia se “repagina”, principalmente depois de se recuperar de um câncer de próstata em estágio inicial. Livre da doença, ele até emprestou o rosto à campanha Novembro Azul, para inspirar os homens a fazer exame de prevenção.

CHRISTIANO BLOTA – Rinaldo, fala um pouco do diagnóstico da doença até a cura.

RINALDO DE OLIVEIRA – Fui diagnosticado em julho, em outubro fiz a cirurgia e faz seis meses que eu sou outro homem.

CB – Eu não tinha noção disso. Descobriu em exame de rotina?

RO – Eu falo que foi Deus. Eu faço exames há muitos anos, porque meu avô morreu de câncer de próstata. Eu estava preparado, porque a doença pula uma geração e vem na outra. Mas eu fiquei com vontade de urinar mais do que o normal. Tinha que sair correndo para ir ao banheiro, senão poderia deixar escapar nas calças.

Liguei para meu médico e relatei o sintoma. O médico achou que não tinha muita relação, mas pediu para me examinar. O PSA estava alto e começou a investigação, mas estava em estágio inicial. Nem na ressonância magnética apareceu, para você ter uma ideia.

Meu médico é muito bom, mas o médico quis fazer a biopsia e descobriu a doença que poderia me matar em cinco anos. Eu brinco com meu médico, Dr. Fernando Croitor, Deus ainda me quer aqui na Terra para continuar meu site Só Notícia Boa.

Meu médico disse que ter detectado a doença precocemente foi o melhor dos mundos. Assim que ele tirou a próstata, eles descobriram que só tinha um tumor, e não havia se espalhado. Três meses depois eu fiz o PSA e deu zero.

Meu medo era ter que usar fralda e não ter mais ereção, existe esse risco. Mas eu fiz a cirurgia robótica e valeu a pena. Eu não fiquei com incontinência urinária e preservei minha ereção. Agora estou feliz, contente e renovado. É o melhor momento da vida depois desse “tsunami”.

CB – Quando se passa por isso, não há como não valorizar a vida, né?

RO – Passei a dar valor a andar descalço, a gente se repensa. Às vezes, quando alguém vem me contar algo, eu penso: ‘Isso vai mudar minha vida?’. Se não vai mudar, não quero nem saber da fofoca. Não perco meu tempo com essas coisas ruins.

CB – Que bom, Rinaldo. Fico muito feliz. E o site Só Notícia Boa?

RO – O site mudou minha vida, minha forma de pensar. Estou há 10 anos falando com pessoas sobre superação, amor, coisas positivas, vitórias em cima de tragédias. Eu aprendi muito e mudei como ser humano. Inclusive foi esse trabalho que me segurou emocionalmente, enquanto tratei do câncer. Senão, eu iria pirar, ficar louco. Como eu disse, eu vi meu avô morrer da doença, e tudo que ele passou. Porque eu pensei: “Mesmo que eu não morra, posso ter incontinência urinária, ou não ter ereção”. Então, nos três meses em que me tratei eu mergulhei no trabalho e fui salvo.

CB – Tem a questão de trabalhar com coisas positivas, acho que isso te ajudou. Na época de telejornalismo, eu noticiava muita desgraça e voltava péssimo para casa…

RO – Foi por isso que eu criei o Só Notícia Boa. Eu trabalhei em jornal local e era crime em cima de crime. Eu passei mal, comecei a ter dores de estômago e quando noticiava, ao vivo, me recompunha para falar de outras tragédias. Eu passei por isso, fiz vários exames, e o médico disse que eu não tinha nada. Era coisa da cabeça. Eu descobri que era o jornal que eu apresentava. Você foi apresentador e sabe do que eu estou falando.

Eram as notícias ruins, negativas que eu falava, mas aquilo era meu sustento e da minha família. Isso foi em 2009. Meu médico perguntou: “Você não consegue fazer alguma coisa alternativa para equilibrar sua cabeça?”. Surgiu o Só Noticia Boa.

CB – O site surgiu inspirado em algum projeto?

RO – Eu queria fazer um site com várias notícias. Eu queria que as pessoas abrissem o computador e vissem várias notícias boas. Para elas compreenderem que também tem muita coisa positiva na vida. Eu não tinha nome para a ideia. Só falei que queria um site do bem. Até que um dia perguntei para a Andreia (esposa): “Você viu tal notícia minha no jornal?”. A resposta foi: “Nós não assistimos ao jornal”.

E minha filha (Lorena) tinha medo de assistir ao meu jornal. Ela tinha 10 anos e eu conversei com ela. Perguntei por que ela não queria acompanhar o papai. Ela disse: “Papai, eu te amo, mas no seu jornal só passa notícia de gente que morre, de gente que mata até criança e maltrata cachorro. Eu gosto só de notícia boa”. Estava criado o nome do site. Ele estreou em agosto de 2010 e hoje somos lidos em 140 países.

CB – Na minha coluna da Rádio Capital, Gente que Inspira a Gente, eu me baseio muito nas histórias do seu site. O jornal é apresentado pela Amanda Alves e pelo Wagner Belmonte. Eu sou o contraponto deles, que também estavam precisando de um respiro nas matérias, digamos, “pesadas”.

RO – Que legal. Fico muito feliz. Gosto de ouvir isso, porque eu sofri bullying na profissão. Em Brasília eu cobria Congresso Nacional, STF, Palácio do Planalto. Eu era o repórter de credibilidade do Boris Casoy, por exemplo.

Como um repórter desses fica lidando com amenidades? Lida com pautinhas “frufru”? Me chamavam de Michael Jackson, de Poliana. Eu soube disso recentemente, em um prêmio que teve em Brasília e um colega disse: “Cara, eu tenho que te falar uma coisa. A gente te zoava muito. E hoje seu negócio cresceu e você pode ser nosso patrão”.

O site hoje tem funcionários e hoje eu não preciso mais bater em porta de redação para pedir emprego. Hoje eu tenho parceria com o R7, da Record. Eles usam nosso material no site deles, e vendem nosso comercial. Eu me sustento tranquilamente.

CB – Você acha que sua ideia vingou porque há muita desgraça divulgada pela imprensa?

RO – Eu acho que as notícias ruins são necessárias, mas as notícias positivas também, e os jornalistas entenderam a necessidade disso. Então, nós somos pauta de muitos jornais de emissoras de rádio e televisão. Eles também perceberam que as pessoas não aguentam tanta tragédia. Os jornais que eram mais dramáticos já abrem a programação com notícia boa. O Balanço Geral, da Record TV, de vez em quando abre com notícias positivas. Isso está refletindo no ibope. Então, eu fico feliz em fazer minha parte. Eu abri um caminho.

CB – Você tem outros projetos?

RO – A gente criou no ano passado o Só Vaquinha Boa. Além de passar notícia boa, a gente participa da formação de uma notícia boa. A gente forma histórias, transforma situações. No início era para ajudar a talentos brasileiros que não eram reconhecidos. Não tinham patrocínio, dinheiro, estudantes que queriam ir para fora do Brasil e não tinham dinheiro. Mas nós ampliamos o leque. Nós ajudamos pessoas que têm uma história de vida e precisa de ajuda. Teve o caso de búfalas de Brotas. Lembra?

CB Sim. Os animais foram encontrados em uma fazenda, em situação de maus-tratos.

RO – Então, abrimos uma vaquinha para levantar dinheiro e alimentar os bichinhos. Uma ONG conseguiu a guarda delas e está com um projeto para manter os animais, e gastam muito dinheiro.

O Só Vaquinha Boa é uma continuação do Só Notícia Boa, que tem a missão de ajudar pessoas. Isso é gratificante. No ano passado, um fotografo foi para o Nordeste e tirou uma foto que virou até internacional. A foto de um menino que achou uma arvore de Natal no meio do lixão, no meio da sujeira. E o menino pegou a árvore e levou para a casa.

Era o sonho dele ter uma árvore de Natal e ele foi buscar no lixão. O Só Vaquinha Boa arrecadou dinheiro para o menino e em 30 dias ele já tinha uma casa para morar, decente, arrumadinha, e a grana sustenta a família por um tempo para eles não voltarem para o lixão. Olha, cara! Como você acha que eu durmo fazendo uma coisa dessas?

CB – Eu acho que você passou pelo inferno com o câncer, purgatório com jornalismo pesado e cansativo, e hoje está no Céu com o seus projetos… Deve ser uma delícia fazer isso.

RO – Uma delícia…

CB – Falando especificamente do Só Notícia Boa: você tem mais ideias para esse projeto, algo que o faça crescer ainda mais?

RO – Eu tenho. Quero transformar o site em uma CNN ou uma BBC. Eu quero divulgar conteúdo positivo para o Brasil e para o mundo. Essa é minha ideia. Com a pandemia parei um pouco. Mas quero transformar o Só Notícia Boa em uma grande agência de notícias para fornecer conteúdo positivo para emissoras de rádio e TV, de graça.

As emissoras locais não têm gente para produzir conteúdo. Você sabe que isso é verdade. As redações, cada vez mais magras. A gente forneceria a matéria pronta para você colocar no seu jornal, imagem para a TV e áudio para o rádio.

CB – Vai colocar em prática em breve?

RO – Dependo de um sócio com grande poder aquisitivo, interessado no negócio. Eu tive esse sócio, que era mais velho e queria deixar um legado, mas infelizmente ele faleceu.

CB – Logo, logo aparece mais alguém. Sua ideia é muito legal. Tem pretensão de sair de Brasília?

RO – Não. Moro em um terreno com uma reserva ambiental no fundo. Convivo com a natureza. Só se fosse para fazer um programa em uma grande emissora, em rede nacional, para eu fazer o Só Notícia Boa com a Lorena (filha). Ela está com 21 anos e tem o jornalismo na veia.

Desde pequena ela fala muito bem, já entende do assunto, apesar de fazer medicina veterinária. É ela que coordena nosso Instagram. Além disso, não tem medo de câmera, tem educação, beleza e fala a linguagem da nova geração.

Então eu falaria as notícias boas para determinada geração e ela para outra, além do fato de ser um jornal apresentado por pai e filha, que seria o primeiro. Então, seria o primeiro telejornal de notícias boas e o primeiro apresentado por pai e filha. Você conhece Deus?

CB – Olha, Rinaldo, pelas minhas orações atendidas, eu acho que, se não conheço, eu O senti algumas vezes.

RO – Então. Eu fiz um pedido a Ele e fui atendido. Fiz um acordo com Ele: “Eu vou ampliar o Só Notícia Boa, chegar ao maior número de pessoas possíveis, e nunca mais quero bater em porta de redação para pedir emprego”. E aconteceu.

CB – Justo. Bonita história… Rinaldo, eu aproveito e faço a pergunta tradicional da coluna: quando você não está na tela, ou não está trabalhando, o que gosta de fazer?

RO – Eu sou muito simples. Eu gosto de restaurantes. Shows aqui em Brasília são muito caros. Então, eu vou para restaurantes. Eu sou comilão ,tanto em qualidade quanto em quantidade. Acho que, se não fosse jornalista, estudaria gastronomia. É uma química tão grande. Quando a comida fica boa, não adianta só pegar a receita, tem que ter amor. Você vai ver que o feijão da sua mãe é diferente do feijão da avó. Cada uma tem seu amor. Eu acho que as pessoas que lidam com gastronomia, cada uma tem uma energia na mão, algo fantástico. Se eu não fosse jornalista, seria um chef de cozinha… (risos)

CB Rinaldo, muito feliz com a sua ideia. Eu falo na Rádio Capital, na minha coluna Gente que Inspira a Gente, muitas vezes contando histórias do seu site Só Noticia Boa. Por isso, foi um grande prazer a nossa conversa aqui nessa minha outra coluna, a Por Trás da Tela. Então, nossa conversa teve tudo a ver, foi muito rica e prazerosa.

RO – Eu agradeço, adorei falar com você, e encerro com algo para pensar: às vezes, as pessoas se magoam dentro da profissão e jogam tudo para o alto, e você pode se reinventar. Não precisa abandonar o que você gosta de fazer porque a emissora não deixa. Você pode seguir seu próprio caminho. E a internet chegou para sacudir as estruturas.

CB – Eu percebi isso, Rinaldo. Podemos seguir nossos próprios caminhos, apesar das pedras no caminho. Abração!

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