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Crítica

Sonho Meu tem início ousado, mas desanda na reta final

Cláudia é uma mocinha fora dos padrões, mas vira quase coadjuvante no fim da obra

Publicado em 02/02/2022
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Sucesso da Globo na década de 1990, Sonho Meu ganhou uma reprise no Viva quase 30 anos depois de sua exibição original. A trama é sempre lembrada pelo seu sucesso de audiência, mas pouco se falou, nestes anos todos, da ousadia de sua fase inicial e o quanto ela se perde na segunda etapa da obra assinada por Marcílio Moraes.

Sonho Meu tem uma embalagem infantil, mas passa longe de ser uma trama pueril. A mocinha Cláudia (Patrícia França) já começa a obra casada com o violento Geraldo (José de Abreu), de quem foge após constantes agressões. Ela é mãe de uma menina, Maria Carolina (Carolina Pavaneli), que lhe é tirada dos braços e jogada em um abrigo. Cláudia, então, faz de tudo para recuperar a menina.

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Naquela época, ainda não era muito comum uma mocinha casada e com uma filha. E Cláudia se mostra uma heroína pouco convencional no decorrer da obra, ao se envolver com os irmãos Lucas (Leonardo Vieira) e Jorge (Fábio Assunção) e usá-los para recuperar a guarda da menina. Ela se apaixona por Lucas, mas usa o interesse de Jorge a seu favor. Em suma, Cláudia é esperta e um tanto ardilosa. É uma mocinha que engana o vilão.

No decorrer da trama, ela se casa com Lucas, sem revelar a ele que tem uma filha que vive no abrigo. Cláudia nem ao menos menciona que já é casada com Geraldo. As circunstâncias a levam até mesmo a manter duas casas, uma com Lucas e uma com Geraldo, tudo na tentativa de recuperar Maria Carolina, a Laleska.

Porém, assim que os segredos de Cláudia vêm à tona, Sonho Meu perde força. Depois que todos descobrem que ela é bígama, a protagonista da obra murcha e se torna uma mocinha apaixonada e um tanto passiva. Cláudia é praticamente jogada para escanteio: passa capítulos a fio internada em razão de uma grave doença e, depois, mais outros tantos capítulos mantida em cárcere privado por Jorge.

Sonho Meu, então, tem uma reta final baseada apenas em desencontros amorosos em seus muitos núcleos, enquanto a trama principal anda em círculos. E Cláudia, inicialmente uma mocinha fora dos padrões, vira praticamente coadjuvante.

Marcílio reclamou

Não por acaso, Marcílio Moraes relembrou, recentemente, dos motivos que levaram Sonho Meu a sair dos trilhos. Em entrevista a Fábia Oliveira, o novelista revelou que sofreu pressão para alterar os rumos de Cláudia. “Já contei, mas é bom repetir que os figurões da Globo, naquela época, vieram com o papo de que a emissora estava recebendo cartas de protesto dos espectadores contra a bigamia da personagem Cláudia”, lamentou.

“Aquela força da história, aquela vitalidade dramática da protagonista, enfrentado Deus e o mundo para preservar sua dignidade de mulher e salvar a filha, se perdeu. A trama se tornou quase um vaudeville de intriguistas típicas de novelinha das seis”, reclamou Marcílio Moraes.

Ou seja, fica claro que Sonho Meu pagou caro ao propor uma mocinha fora dos padrões dentro de uma novela das seis que tinha uma embalagem infantil, mas era, na prática, um melodrama adulto um tanto ousado. É uma pena que a novela não consegue manter esta proposta até o fim. Comparados ao início, os capítulos derradeiros são decepcionantes.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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