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Análise

Queda de João Emanuel Carneiro da faixa das nove expõe nova visão da dramaturgia da Globo

Fila das próximas novelas das nove indicam um caminho mais conservador

Publicado em 09/03/2022
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Ao anunciar que Olho por Olho, de João Emanuel Carneiro, será produzida para o Globoplay, e Travessia, de Gloria Perez, “furará” a fila e substituirá Pantanal no horário nobre, a Globo afirmou que a estratégia tem a ver com a valorização do Globoplay. Com a novidade, o canal mostra disposição em continuar investindo em novelas no streaming, e o bom retorno de Verdades Secretas 2 mostra que isso é um caminho possível.

No entanto, a colunista Carla Bittencourt, do Notícias da TV, trouxe outra informação sobre a decisão. Segundo ela, a nova direção de teledramaturgia da Globo, encabeçada por Ricardo Waddington e José Luiz Villamarim, avaliou que Olho por Olho não tinha apelo popular para segurar o (possível) sucesso de Pantanal. Assim, o mais lógico seria recorrer a Gloria Perez e Walcyr Carrasco, novelistas de pegada mais “popular”.

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Se este foi o principal motivo para a troca, não dá para saber. Mas fica claro que a mudança expõe a visão da nova direção de dramaturgia da emissora, o que deve ditar os rumos e as escolhas das próximas novelas. Ao que tudo indica, esta nova diretoria deve valorizar folhetins mais “raiz”, que não “assustem” o espectador tradicional de telenovelas.

A gestão de Silvio de Abreu foi muito criticada, mas é fato que o novelista prezou pela constante renovação de temáticas e estilos no horário nobre. Entre 2015 e 2019, anos em que Silvio esteve à frente da teledramaturgia do canal, a Globo apostou em novelões, como O Outro Lado do Paraíso, A Força do Querer e A Dona do Pedaço; thrillers, como A Regra do Jogo; dramalhões, como A Lei do Amor; e até mesmo realismo fantástico, com a malfadada O Sétimo Guardião.

Ao mesmo tempo, a faixa das nove se abriu para experimentações, algo não muito comum no horário. As duas últimas novelas inéditas da faixa, Amor de Mãe e Um Lugar ao Sol, deixam isso bem claro. Além de lançar duas novas autoras no horário, Manuela Dias e Lícia Manzo, as duas produções também se destacaram pelo verniz que buscava um teor mais realista, quase documental, em meio ao novelão. Trata-se de uma proposta que agrada entusiastas de novidades, mas que não atinge um público mais tradicional.

Já a nova gestão, parece, está mais disposta a apostar em tramas a prova de erros. Tanto que a primeira aposta desta nova era é Pantanal, remake de uma novela que fez um sucesso estrondoso no passado. Ou seja, é uma trama cujo apelo já foi testado e aprovado. Além disso, desperta a atenção do saudosista e a curiosidade do público mais jovem. A possibilidade de dar errado sempre existe, claro, mas trata-se de uma hipótese remota.

Em seguida, virão Gloria Perez e Walcyr Carrasco, dois “medalhões” acostumados a assinar sucessos estrondosos no horário. A dupla é responsável pelas maiores audiências do horário das nove dos últimos anos. A Força do Querer e A Dona do Pedaço alcançaram excelentes resultados.

Se a “trinca” formada por Pantanal, Travessia e a novela de Carrasco funcionar, é bem possível que o horário das nove continue caminhando por caminhos mais certeiros e tradicionais. Enquanto isso, a experimentação ficará restrita às novelas do Globoplay. Aí é o resultado de Olho por Olho que vai dizer.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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