#TBTdaTelevisão: 30 anos sem Dina Sfat

Publicado há 2 anos
Por Fábio Costa
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O #TBTdaTelevisão desta semana resgata a trajetória da atriz Dina Sfat. Uma das profissionais mais reconhecidas de nosso cenário artístico, ela nos deixou há 30 anos, em 20 de março de 1989. Um câncer de mama descoberto poucos anos antes foi a causa.

Nascida em 1938 em São Paulo, Dina Kutner era descendente de judeus poloneses. No final dos anos 1950, após fazer um curso de secretariado, empregou-se como secretária no curso de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Por essa época integrou-se ao grupo do Teatro Paulista do Estudante. Em 1962, participa das duas primeiras montagens, ambas com texto de Bertolt Brecht: Os Fuzis da Senhora Carrar e Aquele que Diz Sim, Aquela que Diz Não. Posteriormente lançou-se como profissional sob direção de Antonio Abujamra em Antígone América.

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As primeiras novelas de Dina Sfat na televisão

Na segunda metade dos anos 1960, Dina teve intensa atuação no teatro e no cinema. Foi figura de proa nos grupos do Teatro de Arena e do Teatro Oficina. Esteve em peças como Arena Conta Zumbi, Arena Conta Tiradentes e O Rei da Vela. No Cinema Novo, foi a Ci de Macunaíma, filme de Joaquim Pedro de Andrade baseado na obra de Mário de Andrade. Surgindo em cena ao som de “Garota Papo Firme”, de Roberto Carlos, Dina tornou-se um dos ícones daquele momento de nossa produção cultural.

Em 1966, a atriz ingressou na teledramaturgia diária. Participou de três novelas na TV Tupi entre 1966 e 1967. A saber, O Amor Tem Cara de Mulher, Ciúme e, já como protagonista, A Intrusa. Entre 1968 e 1969 integrou o elenco de Os Fantoches, na TV Excelsior. Nesta novela de Ivani Ribeiro, teve como colegas de elenco Átila Iório, Paulo Goulart, Nicette Bruno, Márcia de Windsor e Regina Duarte, entre outros. Logo depois, participou de Os Acorrentados, na TV Rio, em 1969. Só para ilustrar, essa novela foi escrita por Janete Clair em segredo, uma vez que já era autora-roteirista contratada pela TV Globo.

O sucesso no cinema e nos palcos levou Dina Sfat a ser convidada pela TV Globo para integrar seu elenco. Sua estreia na emissora, a saber, ocorreu no final de 1969, em Verão Vermelho, de Dias Gomes. Nesta que foi a primeira novela das 22h da Globo, passada em Salvador, ela viveu a protagonista Adriana, cujo casamento infeliz com Carlos (Jardel Filho) vai mal. Ela se interessa pelo médico Flávio (Paulo Goulart), de passado algo nebuloso.

A década de 1970 na carreira de Dina Sfat na TV

Enquanto conciliou palcos e telas grandes, a tela pequena também contou com o talento de Dina Sfat. Aliás, a atriz procurou manter essa conciliação ao longo de toda a carreira. O #TBTdaTelevisão se atenta a isso e relembra com você a época mais intensa da atividade de Dina na TV.

Assim na Terra Como no Céu (1970/71) e O Homem que Deve Morrer (1971/72) apresentaram Dina em bons papéis, respectivamente Helô e Vanda. No entanto, foi em seu trabalho seguinte que a atriz estourou definitivamente como grande expoente da teledramaturgia. A versão original de Selva de Pedra (1972/73), de Janete Clair, rendeu a Dina um de seus desempenhos mais elogiados. Ela viveu Fernanda, moça rica que fascina o ambicioso Cristiano (Francisco Cuoco). Fascina tanto a ponto de fazê-lo pensar em se livrar da mulher Simone (Regina Duarte) para ficar com ela.

Entre os horários das 20h e das 22h, uma sucessão de trabalhos

Os Ossos do Barão (1973/74), Gabriela (1975) e Saramandaia (1976) foram novelas das 22h que apresentaram Dina em personagens bem distintos. Na primeira, Izabel, jovem na casa dos 20 anos, filha de uma família falida, remanescente do ciclo do café. Por sua vez, a Zarolha e a Risoleta das outras duas novelas eram prostitutas. Mas com diferenças de personalidade e conflitos.

Além disso, Dina teve trabalhos destacados em novelas das 20h. A Chica Martins de Fogo Sobre Terra (1974/75) era uma de suas personagens mais queridas. Já a Amanda de O Astro (1977/78) e a Paloma de Os Gigantes (1979/80) não faziam parte da mesma galeria. De fato, a atriz escreveu em suas memórias: “Passei onze anos na TV Globo. Saí depois de uma novela que odiei fazer, Os Gigantes“.

Os anos 1980: trabalhos mais curtos, novos rumos e a doença

Dina apresentou em 1981 na Record TV um programa de entrevistas intitulado Dina e as Mil e Uma Histórias. Posteriormente, deu preferência a projetos mais curtos na dramaturgia, como minisséries. O formato era então novidade em nossa televisão. Dina fez duas: Avenida Paulista (1982) e Rabo-de-saia (1984).

Entre o cinema, o teatro e a busca por outros desafios na televisão, Dina fez apenas duas novelas nos anos 1980, como podemos relembrar neste #TBTdaTelevisão. Eu Prometo (1983/84) foi a última escrita por Janete Clair e apresentou a atriz uma vez mais ao lado de Francisco Cuoco. Já em Bebê a Bordo (1988/89), seu canto de cisne, Dina deitou e rolou com o texto de Carlos Lombardi. Sua personagem, Laura, era debochada, cínica. Apesar dos deslizes de sua vida, não era uma figura de mau caráter. Com a finalidade de lidar melhor com os problemas de saúde que já se apresentavam, a estrela deu o melhor de si nesse trabalho. Houve boas dobradinhas em cena, especialmente com Ary Fontoura e Armando Bogus.

Com toda a certeza, a lacuna de Dina Sfat permanece aberta. Não apenas pelo seu reconhecido talento, como também pelas posições políticas e artísticas que sempre declarou. Só para exemplificar, viveu com plenitude sua feminilidade, sua sexualidade, os desafios da vida como esposa e mãe. Além disso, tornou-se histórico o episódio de seu medo de militares exposto a um deles, de alta patente. Em pleno Canal Livre, programa de debates da Band, em 1981 Dina disse isso ao general Dilermando Monteiro. Com efeito, um ato de coragem e ousadia, naqueles tempos sombrios de ditadura. O #TBTdaTelevisão a resgata com saudade e propriedade nesses 30 anos de sua morte.

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