Considerada pela crítica a melhor novela de Janete Clair, Pecado Capital completa 45 anos

Realismo acentuado em relação a outras obras de Janete Clair provocou boato de que era Dias Gomes quem escrevia

Publicado há 2 meses
Por Fábio Costa
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Em 24 de novembro de 1975, depois de amargar a proibição da exibição de Roque Santeiro, de Dias Gomes, e tapar buraco por três meses com um compacto de Selva de Pedra (1972), de Janete Clair, em plena faixa das 20h, a TV Globo estreava uma obra inédita da autora, que viria a ser apontada como a melhor de “Nossa Senhora das Oito”: Pecado Capital.

O TBT da TV fala nesta semana a respeito desse grande clássico da teledramaturgia, que só existiu nas circunstâncias narradas acima. Caso Roque Santeiro não tivesse sido proibida pela Censura Federal, provavelmente Janete não daria naquele momento a grande guinada ao realismo que fez a história tão bem alinhavada aos olhos dos críticos.

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Houve até quem dissesse que era Dias quem escrevia e não Janete, sua mulher. Além de machista, a boataria ainda diminuía a capacidade criativa de uma autora que já havia enfrentado situações sérias com a Censura ela própria – a exemplo da supracitada Selva de Pedra, que de uma vez só teve cerca de 40 capítulos inutilizados.

Sem abrir mão do romantismo característico de sua obra, Janete Clair traçou Pecado Capital a partir da relação do subúrbio carioca com os ricos, com um taxista, uma operária que vira manequim e um industrial milionário e viúvo nos pontos centrais do enredo.

Carlão (Francisco Cuoco) e Lucinha (Betty Faria) são separados pela vida, pelas visões de mundo distintas que possuem e pelo elevado machismo dele, que acaba entregando de bandeja a bela noiva para o rico Salviano (Lima Duarte).

Para este, Lucinha representa um sopro de vida aos 50 anos, abandonado, pai de seis filhos que nem se lembram de que ele existe: Vitória (Theresa Amayo), Vinícius (Marco Nanini), Vicente (Luiz Armando Queiroz), Virgílio (Lauro Góes), Valter (João Carlos Barroso) e Vilma (Débora Duarte).

A quantia de 800 mil cruzeiros – muito dinheiro em 1975 – é encontrada por Carlão esquecida no banco traseiro de seu táxi. A fortuna fora roubada de um banco, e ao lançar mão das muitas notas de cem que encontra na mala Carlão também traça seu destino.

Afinal, como diz o samba de Paulinho da Viola, composto de véspera para embalar a abertura, “Dinheiro na mão é vendaval na vida de um sonhador”. Confira o vídeo!

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