Maldito

Jorge Takla, que estreia ópera em SP, planeja montagem de clássico de Plínio Marcos

Diretor diz ter o desejo de montar Abajur Lilás, embora não encontre apoio e patrocínio para a empreitada

Publicado em 07/05/2024

Diretor que construiu carreira de sucesso assinando espetáculos teatrais, musicais e óperas – gênero ao qual tem se dedicado com exclusividade na última década -, Jorge Takla, que estreia Carmen, no palco do Theatro Municipal de São Paulo, ainda pretende voltar a encenar pelo menos uma peça de teatro, O Abajur Lilás, de Plínio Marcos (1933-1999). 

Em entrevista à revista Veja, o diretor revelou que tem o desejo de produzir uma nova montagem da obra, considerada como clássico maldito do repertório do dramaturgo paulista, que narra a história de um prostibulo decadente comandado por Giro, um cafetão cruel que usa da força de um segurança, Osvaldo, para fazer valer sua autoridade.

O espaço conta com três prostitutas, Dilma, que precisa do trabalho para criar o filho, Célia, que, rebelde e inconsequente, quer tomar o prostíbulo para si, e Leninha, uma novata alheia a tudo o que acontece ao seu redor. As tensões tomam outros contornos quando um abajur aparece quebrado e nenhuma das três assume a culpa.

Escrita em 1969, O Abajur Lilás foi vetada pela Ditadura Militar e só recebeu aval para montagem onze anos depois, em 1980, em uma produção que contou com sucessivos percalços causados pelos militares. A peça se tornou um bastião de liberdade da classe teatral à época.

Embora tenha o desejo de dirigir a montagem, Takla ainda não tem planos para uma produção. O diretor e produtor lista a dificuldade de levantar patrocínio para uma obra do gênero e um possível desinteresse de produtores e elenco.

Em seu currículo, o diretor tem musicais como Cabaré, estrelada por Beth Goulart e Rubens Caribé (1965-2022), Victor ou Victória, com Marília Pêra (1943-2015), Léo Jaime e Daniel Boaventura, West Side Story, O Rei e Eu, Jesus Cristo Superstar, Evita e My Fair Lady, além de peças como Mademoiselle Chanel, também com Pêra, Vermelho, com Antônio e Bruno Fagundes, e Vanya e Sônia e Masha e Spike, com Marília Gabriela.