Remake de Irmãos Coragem completa 25 anos; relembre a novela

Publicado há 10 meses
Por Fábio Costa
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Em 1995, a TV Globo completou 30 anos. E preparou uma série de atrações especiais para celebrar a data. Uma delas, a minissérie Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados, da obra de Nelson Rodrigues, a partir do próximo domingo será reprisada pelo Canal Viva. Mas a maior aposta do aniversário foi uma segunda versão de um grande clássico da emissora e da teledramaturgia, escrito por Janete Clair. Já em 2 de janeiro de 1995 o remake de Irmãos Coragem estreou, às 18h, em substituição a Tropicaliente, de Walther Negrão. Vamos relembrar o projeto, que teve alguns problemas.

Os antecedentes da produção do remake de Irmãos Coragem

A versão original de Irmãos Coragem foi ao ar entre junho de 1970 e julho de 1971 e registrou um dos maiores êxitos de audiência da trajetória da TV Globo. Na ocasião, a emissora reuniu seus dois maiores casais da época na mesma novela: Tarcísio Meira e Glória Menezes junto com Cláudio Marzo e Regina Duarte, egressos da atração imediatamente anterior do horário, Véu de Noiva (1969/70), também de Janete. A partir de meados da década de 1980, a história que unia elementos tão distintos como futebol, romance e faroeste começou a ser considerada para uma nova versão. Todavia, Selva de Pedra (1972/73) passou na frente e foi refeita em 1986.

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Irmãos Coragem quase foi cartaz das 19h no mesmo ano, em substituição à comédia Cambalacho, de Silvio de Abreu, segundo divulgado pelo Jornal do Brasil na época. Ademais, em 1989 mais uma vez a história foi lembrada, agora para as 18h; o que acabou ocupando a faixa foi O Sexo dos Anjos, remake de O Terceiro Pecado (1968) feito pela própria autora, Ivani Ribeiro.

Na década de 1990, o remake de Irmãos Coragem quase foi feito pelo menos duas vezes antes de 1995

Em 1990, um compacto da versão original em 20 capítulos foi exibido à tarde no Festival 25 Anos, com boa repercussão. Inicialmente o número seria de 10 capítulos, dobrado em prol do sucesso. De maneira que a produção de uma nova novela a partir da história criada em 1970 voltou a ser considerada com mais força, após a referida reprise abortar mais uma iniciativa de regravação da novela naquele mesmo ano.

Em 1993, novamente para a faixa das 18h, a trama teria Sérgio Marques como adaptador e substituiria o remake de Mulheres de Areia, de Ivani, às 18h, cujo sucesso sem dúvida animou a emissora. José Mayer chegou a ser considerado para o papel de João Coragem, o protagonista. Adiado uma vez mais, o resgate do clássico numa nova versão ocorreria apenas em 1995.

Viúvo de Janete Clair, Dias Gomes foi escalado pela Globo para liderar a adaptação de Irmãos Coragem na nova versão que enfim sairia do plano da intenção. Junto a ele, Marcílio Moraes, Ferreira Gullar, Lilian Garcia, Margareth Boury e Antonio Mercado assumiram a tarefa de converter os 328 capítulos originais em 180 nos novos moldes que o gênero assumiu em mais de duas décadas.

A história de Irmãos Coragem

A exemplo da versão original, o remake de Irmãos Coragem foi ambientado numa cidade interiorana chamada Coroado, aqui localizada no estado de Minas Gerais. É a região na qual a figura mais poderosa e, por isso mesmo, opressora, é o Coronel Pedro Barros (Cláudio Marzo). Rude e ambicioso, ele pouco liga para a esposa Estela (Eliane Giardini) e só se preocupa em ganhar cada vez mais dinheiro explorando os garimpeiros ao monopolizar o mercado de pedras preciosas pagando o quanto quer pelos achados deles. Pedro e Estela são pais da jovem Lara (Letícia Sabatella), que mora no Rio de Janeiro com a tia, Dalva (Suzana Faini). No início da novela as duas vão para Coroado. Lara sofre de problemas psicológicos e é uma moça bastante frágil.

Letícia Sabatella e Marcos Palmeira em Irmãos Coragem (Divulgação)

Em Coroado todos conhecem os irmãos Coragem, filhos de Sinhana (Laura Cardoso) e Sebastião (Orlando Vieira). João (Marcos Palmeira) é o mais velho, que com o caçula Jerônimo (Ilya São Paulo) trabalha no garimpo. O irmão do meio, Eduardo, o Duda (Marcos Winter), deixou a cidade há anos e conquistou sucesso no Rio como jogador de futebol, sendo hoje estrela máxima do Flamengo. Durante uma breve visita à terra natal, ao reencontrar Ritinha (Gabriela Duarte), sua namoradinha de infância, e passar a noite fora com ela – embora nada façam “de mais” -, Duda é obrigado pelo pai da jovem, o médico alcoólatra Maciel (Emiliano Queiroz), a se casar com ela. O atleta aceita, apesar de ter um envolvimento no Rio com Paula (Rita Guedes). Todavia, o amor verdadeiro que existe entre Ritinha e Duda vence todas as barreiras.

Os amores tumultuados dos Coragem

João e Jerônimo também vivem complicações de amor. O primeiro se apaixona justamente por Lara. Para piorar tudo, Pedro Barros manda roubar um grande diamante que João encontra no garimpo e se recusa a vender a ele. Ao passo que o segundo, sem correspondência de Ritinha em seu interesse inicial por ela, descobre uma grande paixão na irmã de criação, a índia Potira (Dira Paes). Só que a essa altura ela está enredada pelo promotor público Rodrigo César (Giuseppe Oristânio), com quem se casa. Jerônimo se torna prefeito de Coroado, e apoia a dura busca do irmão João pelo diamante roubado, que faz com o humilde garimpeiro passe a líder de um grupo de bandoleiros revoltosos contra o domínio de Pedro Barros. Além disso, os problemas psicológicos de Lara se agravam a cada dia; a jovem, reprimida e tímida, tem outra personalidade, a esfuziante Diana, sedutora e provocante.

Um projeto conturbado

Dias Gomes desde o princípio foi contra a escolha do horário das 18h para o remake de Irmãos Coragem. Para o dramaturgo, isso tiraria a força potencial da história, que deveria se adequar à faixa. Além de ser muito cedo para boa parte do público que se interessaria pela novela. E não deu outra… A novela ficou várias semanas abaixo da meta estipulada pela Globo para o horário, que na época era de 35 pontos. Outro ponto bastante criticado por Dias foi a direção de Luiz Fernando Carvalho, que em sua opinião fazia cinema. E isso com um resultado que não era Dias Gomes, nem Janete Clair, sequer novela era.

Poucas semanas após a estreia, Luiz Fernando foi substituído por Reynaldo Boury na direção-geral; Boury, que há alguns anos está à frente do departamento de novelas do SBT e dirige As Aventuras de Poliana, havia trabalhado na versão original em 1970/71.

Até quatro capítulos originais em um para adequação aos novos tempos

Ademais, os roteiristas da nova versão tiveram problemas não apenas para adequar o desenrolar dos acontecimentos ao interesse da audiência, como também para recontar a história de Janete Clair de acordo com a forma mais moderna de escrever novelas. Capítulos dos anos 1970, devidamente atualizados e condensados, para dar mais ritmo às cenas, precisariam ser agrupados e retrabalhados. De maneira que, para cada capítulo de Irmãos Coragem em 1995, eram necessários pelo menos dois dos originais, chegando até a quatro conforme a velocidade de resolução das tramas na visão dos adaptadores. Fora que nos 25 anos que separavam as duas novelas o tempo dos capítulos no ar aumentou.

Dos 180 capítulos previstos, a novela saiu do ar após exibir 155, em 1° de julho de 1995. Ainda não foi reprisada, nem pela Globo, nem pelo Canal Viva. Mas que não se descarte essa possibilidade. Se não pode ser lembrada como grande sucesso, tampouco foi um fracasso retumbante.

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