Nova novela das 21h, Um Lugar ao Sol empolga em ritmo de seriado

Primeira semana de exibição do folhetim mostrou um salto de quase 30 anos entre os acontecimentos

Publicado em 14/11/2021 17:24
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Da dor da mãe na mesa de parto na primeira cena até a chegada ao aeroporto para a viagem de lua de mel do protagonista.

Sem lentidão, quase não deu tempo para tomar fôlego na primeira semana de Um Lugar ao Sol, que teve ritmo digno de seriado.

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A novela registrou em poucos capítulos a passagem de mais de 27 anos, introduziu a história e seus desdobramentos, além de já apresentar alguns dos principais personagens.

Com uma dinâmica de ganchos, aguçou a expectativa de um capítulo até o outro, só disponível no dia seguinte, como é costume na TV aberta.

A trama dos gêmeos Christian e Christofer/Renato, separados ainda bebês, começou num Goiás periférico deslocando-se até o Rio de Janeiro. Isso, no ínício, deu sinais de que repetia um universo da novela inédita anterior, Amor de Mãe.

Mas foi só o deslocamento geográfico mesmo.

As semelhanças pararam por aí – ou nem tanto, já que foi reaproveitada a rua cenográfica, embaixo de um viaduto, representando agora o bairro do Méier.

Diferentemente de suas histórias anteriores – como a elogiada A Vida da Gente (2009) – a autora Lícia Manzo saiu do terreno exclusivo dos dilemas da individualidade para abordar também questões sociais.

Morte de parturiente, orfanatos, adoção ilegal, abandono parental, abandono afetivo, criminalidade, tráfico, alcoolismo, violência policial, falta de oportunidades, racismo, preconceito de idade, classe e de peso foram alguns dos temas abordados em meia dúzia de capítulos.  

Gêmeos, ativar!

Cauã Reymond está dando conta do recado de imprimir personalidades diferentes aos gêmeos.

Apesar da solução meio esquisita de ter de interpretar um personagem tão jovem (poderiam ter colocado outro ator para a fase mais adolescente)– indo dos 18 aos mais de 27 –, o ator na sua maturidade de 41 anos vai muito bem no papel.

Lembremos que, num tempo não tão distante assim, ele já tinha experimentado essa vivência de duplicidade na excelente Dois Irmãos (2017).

A diferença agora com que interpreta os dois irmãos é de uma delicadeza cheia de técnica.

Diante de repertórios e de vivências de personagens tão diversos, o ator conseguiu imprimir nos detalhes características exclusivas a um e a outro personagem.

Depois da morte do gêmeo, ao assumir sua identidade, também as minúcias da sua transformação no outro são essenciais.

Bastava um olhar assustado, um abraço sem amor na mãe adotiva para quase sentir suas reações com a nova identidade.

Em muitas situações o deslumbre diante do mundo dos ricos dispensa qualquer fala.

Numa das cenas, Renato/Christian apenas toca na qualidade dos lençóis na cama. É tudo muito sutil e bom ao mesmo tempo.

Ravi (Juan Paiva) e Christian (Cauã Reymond) em Um Lugar ao Sol (Reprodução/Globo)

Uma grata retomada do gêmeo original tem sido nas cenas em que Cauã contracena com Juan Paiva, que vive Ravi, praticamente um irmão de criação do personagem principal.

Juan Paiva, aliás, tem sido uma surpresa feliz no papel do jovem de olhar desconfiado e sempre de reprovação diante da farsa do amigo.

Curiosamente, o trio de atores Cauã Reymond, Alinne Moraes (Bárbara) e Andreia Horta (Lara) interpretam personagens bem mais jovens do que sua idade real.

Isso produz ligações um tanto estranhas, como a Elenice de Ana Beatriz Nogueira (54 anos) viver a mãe de Renato/Christian, vivido por Cauã (41).

Idade

Está a cargo da personagem de Andrea Beltrão a questão da aceitação da idade, já que ela parece sofrer bastante com os novos ares da maturidade.

Aliás, nas primeiras participações, a personagem Rebeca ganhou destaque desproporcional, dançando muito na festa de casamento da irmã. A atriz é mulher do diretor artístico da novela, Maurício Farias.  

Fotografia 

Um ponto de estranhamento até aqui tem sido a fotografia das cenas.

A luz e cores de Um Lugar ao Sol têm sido um tanto diferentes das telenovelas, com um uso de filtro que dá tonalidades diferentes para os ambientes e à pele do elenco.

Com um público cada vez mais acostumado a maratonar séries nos serviços de streaming, a solução de fotografia pode ser um marcador de diferencial quando a história estiver totalmente disponível nas plataformas.

Até o final, serão cem capítulos de uma produção que ainda tem novos núcleos a apresentar para a audiência.

Desde já, somos informados, tudo está gravado e finalizado.

Portanto, não se corre o risco de haver mudanças de rumo ante o planejado por sua criadora.

Agrade ou não, o desenrolar da história já está definido.

Que seja boa até o fim!

** Informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de sua autora e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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