No Encontro, marido de Paulo Gustavo cita irresponsabilidade do governo: “Presidente não inspira cuidados”

Médico critica falta de medidas do Estado e se diz indignado

Publicado em 5/7/2021
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Thales Bretas, viúvo do humorista Paulo Gustavo, morto há dois meses em decorrência do novo coronavírus, foi entrevistado por Fátima Bernardes no Encontro desta segunda-feira (5). O médico relembrou do marido com carinho e expôs sua opinião sobre as ações do governo brasileiro em relação à pandemia.

Fátima ressaltou o quanto Paulo Gustavo falava sobre os cuidados necessários com a saúde em meio à alta contaminação do vírus no Brasil e tinha medo da doença. “Não faltou cuidado do Paulo com o vírus”, disse a apresentadora antes de passar a bola para Bretas.

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“A gente se cuidava, nos encontrávamos com amigos, mas sempre fazíamos teste com todos, seguíamos protocolos rigorosos. Acredito que é uma ‘loteria’. E precisamos alertar todo mundo [quanto aos cuidados]”, revela o dermatologista, que seguiu dizendo que o ator, mesmo saudável e com a asma controlada, teve um “desfecho terrível”.

“Não estou na linha de frente, não vi de perto a repercussão do Covid, então quando fiquei de perto [durante a internação de Paulo Gustavo], vi como é uma doença grave. ‘Pega’ pessoas saudáveis, atletas, pessoas que se alimentam bem“, coloca Thales, novamente alertando os jovens. “Precisam ter consciência de que podem pegar e ficar graves. Precisam ter empatia maior pelo outro. Pode ficar grave, ninguém esta imune. É muito triste“, lamenta.

Thales fala que Brasil vive “desgoverno”

Fátima questiona Thales Bretas sobre o que ele está achando do que passa no noticiário, como a fraude em compra de vacinas, festas clandestinas e o presidente Jair Bolsonaro não recomendado uso de máscara.

Bretas diz que sente indignação. “Acho que somos vítimas de uma pandemia, mas nesse momento existem algumas atitudes do governo que são incabíveis e pessoas responsáveis pelo que vivemos. Me sinto uma dessas vitimas. Poderia ter sido diferente, medidas poderiam ter sido adotadas, a proteção e o isolamento deveriam ter sido incentivadas”, reitera o médico.

Bretas finaliza mostrando sua sensação de desesperança: “Sinto que a gente tá com um desgoverno, o próprio presidente é uma pessoa que não inspira esses cuidados”.

Três pilares ajudam a suportar a dor

De acordo com Thales Bretas, superar a dor que Paulo Gustavo faz é muito difícil, mas que há três pilares ajudando a a seguir a vida: os filhos, Romeu e Gael, de seu casamento com o humorista; o trabalho; e o convívio com amigos e familiares. “As crianças me estimulam a correr atrás de tudo. É a continuação do amor que tive pelo Paulo, do nosso casamento”, assume, emocionado.

“Meu trabalho. quando retomei, algumas pessoas acharam que era precoce. Mas deu mais vontade de crescer, me aperfeiçoar e também me distrai”, continua ele, que atua como médico dermatologista e atende diversos famosos. Bretas ainda diz que o momento com amigos e família ajuda bastante, até que o tempo acomode as coisas.

Além disso, ele expõe que falar e relembrar do ator com amigos ajuda, mas é muito difícil. “Principalmente para a gente que viveu o momento dele no hospital. Como médico, tive condição [mental] de ver coisas que eu vi, mas como marido essas coisas me traumatizaram um pouco”, confessa.

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