Há quatro anos estreava Em Família, com a última Helena de Manoel Carlos

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Nesta semana, a novela Em Família, de Manoel Carlos, completa quatro anos. A trama entrou no ar em 03 de fevereiro de 2014, prometendo marcar a despedida do novelista do horário nobre da Globo, horário em que emplacou grandes sucessos, e encerrar o “ciclo das Helenas”, nome pelo qual Maneco chama suas heroínas desde Baila Comigo, de 1981. Para marcar este encerramento, Júlia Lemmertz foi a escolhida para encerrar o ciclo iniciado por sua mãe, Lilian Lemmertz, a primeira Helena.

Em Família começava quando Helena (Bruna Marquezine), ainda jovem, se envolve com seu primo, o ciumento Laerte (Guilherme Leicam). Ao mesmo tempo, mantém uma forte amizade com Virgílio (Nando Cunha), que sempre fora apaixonado por ela. Por isso, Laerte começa a nutrir uma forte aversão acerca da aproximação entre Helena e Virgílio, que culmina com um ato de violência no qual Laerte quase mata Virgílio. Ele vai preso e, quando sai da prisão, decide sair do país para esquecer a prima. Helena, então, se casa com Virgílio.

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Passam-se os anos, Helena (Júlia Lemmertz) e Virgílio (Humberto Martins) vivem bem, com a filha Luiza (Bruna Marquezine). Mas a felicidade deles é colocada à prova quando Laerte (Gabriel Braga Nunes), que se tornou um famoso violinista, retorna ao Brasil e conhece Luiza. Impressionado com a semelhança entre ela e Helena, seu amor do passado, Laerte se apaixona perdidamente pela jovem, que se envolve com ele. O retorno de Laerte e seu envolvimento com Luiza cai como uma bomba na vida de Helena e Virgílio, que desenterram muitas feridas do passado e iniciam um grave momento de crise.

Ou seja, Em Família prometia grandes dramas, sobretudo com o embate entre Helena e Luiza, envolvidas com um homem que fizera mal a toda a família, e cujo ciúme doentio ainda o dominava. No entanto, a trama não teve a repercussão esperada, e por uma série de motivos.

Um deles é o fato de que a divisão de fases da trama tenha levado a “distorções temporais” em razão de uma equivocada escalação de elenco. Um exemplo é Juliana, prima de Helena: na primeira fase, era vivida por Gabriela Carneiro da Cunha, que parecia mais velha que Bruna Marquezine, a Helena. Quando Helena se torna Júlia Lemmerz, Juliana passa a ser vivida por Vanessa Gerbeli, que parecia mais jovem que a prima. Outra escalação estranha foi a das atrizes Natalia do Vale e Ana Beatriz Nogueira, que viviam irmãs, mães de Helena e Laerte, respectivamente. Quando o tempo passa, as duas se tornam mães de Júlia Lemmertz e Gabriel Braga Nunes, pouco mais jovens que elas. Cinco anos de idade separam Ana Beatriz de Gabriel, por exemplo.

Além disso, a trama parecia caminhar em banho-maria. Quando Laerte e Luiza se envolvem, Helena nada mais faz que lamentar pelos cantos e examinar uma caixa de lembranças. Sempre irritada, a personagem de Júlia Lemmertz acabou ficando pouco carismática e se apagou.

Com isso, Manoel Carlos não foi feliz ao encerrar seu “ciclo de Helenas” com uma Helena apagada, e que não era dona de sua história. Problema, aliás, também percebido com suas “antecessoras”: a Helena de Taís Araújo, em Viver a Vida (2009), tornou-se coadjuvante de sua trama; e a Helena de Regina Duarte em Páginas da Vida se diluiu em meio a tantas tramas e elenco inchado da produção de 2006; mesmo problema enfrentado pela Helena de Christiane Torloni em Mulheres Apaixonadas, de 2003.

Antes delas, Helenas muito “poderosas” protagonizaram as novelas de Manoel Carlos. Em Laços de Família (2000), a Helena de Vera Fischer era a estrela absoluta, tinha um drama central muito forte e bem desenvolvido, e todas as tramas paralelas da novela orbitavam em torno dela. O mesmo aconteceu com as Helenas de Regina Duarte em Por Amor (1997) e História de Amor (1995), ambas de personalidade forte, com conflitos bem delineados, e que lideravam, de fato, suas histórias. Maitê Proença, em Felicidade (1991), também era a estrela máxima da novela, com uma Helena um tanto ousada, atrevida e cheia de contradições.

Todas herdaram as características da primeira das Helenas, vivida por Lilian Lemmertz em Baila Comigo, de 1981. Esta Helena, uma mulher humilde, mas corajosa e batalhadora, deu a luz gêmeos idênticos, mas não pôde criá-los junto ao pai deles, o que fez com ela optasse por separá-los: entregou João Victor (Tony Ramos) ao pai, que o levou para fora do país, e ficou com Quinzinho (Tony Ramos). Anos depois, quando o pai dos gêmeos retorna disposto a reencontrar seu outro filho, Helena se desespera, já que nunca havia contado a Quinzinho que ele tinha um irmão. Assim, a heroína se vê diante de culpas e conflitos quando feridas do passado são reabertas.

Ou seja, a ideia de escalar Júlia Lemmertz, filha de Lilian Lemmertz, para viver a última Helena de Maneco foi simbólica e muito simpática, mas a última das Helenas não fez jus à primeira delas. E assim, Em Família foi uma novela que passou praticamente despercebida.

Com 143 capítulos, Em Família foi escrita por Manoel Carlos, com colaboração de Angela Chaves, Juliana Peres, Maria Carolina, Mariana Torres e Marcelo Saback, e contou com direção de Adriano Melo, João Boltshauser, Luciano Sabino, Teresa Lampreia e Thiago Teitelroit, direção geral de Leonardo Nogueira e direção de núcleo de Jayme Monjardim.

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Reveja a abertura de Em Família:

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