“É um aperto correr da polícia e colocar o celular para despertar de hora em hora com medo de operação policial”, desabafa Bibi Perigosa em entrevista a Fábio Porchat

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Enquanto o crime organizado, sobretudo das favelas cariocas, quer passar a imagem de uma vida repleta de joias, tênis caros, celulares de última geração e um poder imensurável, quem convive diariamente com esta realidade tem uma opinião diferente. É o caso, por exemplo, de Fabiana Escobar, mais conhecida como Bibi Perigosa, que foi casada com o traficante Saulo da Rocinha, o “Barão do Pó”, preso desde 2008. Em entrevista ao Programa do Porchat que vai ao ar hoje, dia 05/10, ela afirma de maneira categórica: “Crime não é morango ao leite e docinho. É um aperto correr da polícia e colocar o celular para despertar de hora em hora com medo de operação policial.” E abre o jogo: “Neste mundo, apenas um, dois, três ganham dinheiro. A maioria ganha muito pouco, sei lá, R$ 200 por semana.”

Devido ao seu envolvimento com um dos principais nomes do tráfico de drogas da Rocinha, no Rio de Janeiro, ela teve de fugir várias vezes da polícia, que buscava encontrá-la para, assim, pegar o seu marido. “Não tinha paz, não podia frequentar as festas de aniversário dos meus filhos, ir ao dentista…”, lembra ela, que nunca foi presa por falta de provas.

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Questionada pelo apresentador Fábio Porchat a revelar os motivos que levam as meninas, tanto do morro quanto do asfalto, a se apaixonarem por traficantes, ela é direta: “Eles são bem vestidos, perfumados, andam de cabelo cortado, têm dinheiro, oferecem bebidas nos bailes… Eles tratam as mulheres muito bem e são sedutores.”

Atualmente, Bibi Perigosa ainda mora na maior favela do Rio de Janeiro e obtém o seu sustento por meio da venda do livro “Perigosa” e da produção de vídeos e filmes. Por ainda residir na Rocinha, ela afirma que, devido ao confronto envolvendo traficantes, até então parceiros, e policiais nas últimas semanas, sua rotina tem sido alterada por causa do toque de recolher e da troca de informações e falsas notícias entre os moradores. “A população que mora lá tem medo tanto dos traficantes quanto dos policiais. É a parte mais vulnerável”, diz ela, que acredita que a Polícia Militar do Rio de Janeiro não conseguirá acabar com o tráfico de drogas no Estado.

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