Criador e diretor falam sobre a nova série do Globoplay Arcanjo Renegado

Publicado há 10 meses
Por Renan Vieira
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José Junior é CEO da AfroReggae Audiovisual. Criou, produziu e apresentou uma dezena de séries documentais. Foi também produtor do doc Favela Rising, ganhador de 36 prêmios internacionais, incluindo o Prêmio de Melhor Novo Documentarista no Festival de Tribeca, e semifinalista do Oscar.

Lançou recentemente sua primeira obra de ficção, A Divisão, dirigida por Vicente Amorim. Junior fundou o Grupo Cultural AfroReggae há 27 anos, onde criou diversos projetos socioculturais nas comunidades do Rio. Agora, ela está à frente do processo criativo da série Arcanjo Renegado, do Globoplay. Confira um entrevista com ele sobre a produção.

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Qual é a principal mensagem da série?

A série é a história de um policial do Bope, um sargento, que perdeu os pais muito cedo: o pai, vítima da violência, a mãe, vítima de câncer. Ele tem uma irmã e os dois cresceram um cuidando do outro. Em função dessas perdas, e por ter um olhar extremamente equivocado da sua própria instituição e da sociedade fluminense, ele é um ser com uma visão de correção deturpada.

Há uma questão muito interessante, quando ele conhece o jornalista Ronaldo Leitão (Álamo Facó). Há uma questão muito interessante quando ele conhece e passa a conviver com o jornalista Ronaldo Leitão (Álamo Facó), que é uma pessoa diferente dele, e com a Luciana (Daniele Suzuki), que desperta nele sentimentos que ele nunca teve. Ele passa por uma transformação.

Tem uma mensagem que a série passa: para o bem comum, os diferentes se juntam em prol de algo melhor. Isso acontece com a junção de Mikhael e Ronaldo. Isso mostra que é possível abrir mão de alguns sentimentos e causas em prol de algo muito maior. O encontro Mikhael e Ronaldo se dá muito nesse sentido.

O quanto você se envolveu na produção em si? Ajudou em construção de elenco, filmagens?

Tive envolvimento em tudo: na escrita do argumento, na criação, nos roteiros, na produção, na escolha do elenco, do diretor. Tive um trabalho muito profundo com o protagonista, que é o Marcello Melo Jr., e que eu mantenho até hoje. Depois que escolhemos o Marcello, fui um pouco coach dele e da série. E, além do elenco, acho que uma das melhores escolhas que fiz foi o Heitor Dhalia (diretor-geral). Minha troca com ele foi muito intensa e meu envolvimento foi total em todas as etapas do processo.

Você também criou A Divisão. O que esses dois projetos têm de parecido? E de diferente?

A Divisão e Arcanjo Renegado passam uma mensagem muito parecida de que, em prol de algo maior, os diferentes, muitas vezes, se conectam. Ao mesmo tempo, tirando esse conceito real da verossimilhança que a marca Afroreggae Audiovisual carrega somado à minha contribuição como produtor e criador dos projetos, são diferentes no sentido de que A Divisão é uma série de época que conta uma história baseada em fatos reais de como acabou a onda de sequestros no RJ no fim dos anos 90, com personagens que existiram e uma carga de dramaticidade muito focada no que aconteceu naquela época. E, em Arcanjo Renegado, usei muita liberdade dramatúrgica e ficcional nessa série, o que não fiz na Divisão.

Entrevista com o diretor-geral Heitor Dhalia
Natural de Recife, Heitor Dhalia, de 50 anos, é diretor, produtor e roteirista. Com um vasto currículo cinematográfico, assina a direção de longas como ‘Nina’ (2004); ‘O Cheiro do Ralo’ (2006); ‘À Deriva’ (2009) – exibido na mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes; ‘Serra Pelada’ (2013); ‘On Yoga: Arquitetura da Paz’ (2017); ‘Tungstênio’ (2018); ‘Em Busca da Cerveja Perfeita’ (2019) e ‘Ballad of a Hustler’ (2019), produção internacional a ser lançada no Brasil e nos Estados Unidos, no qual faz um retrato da Era Trump com foco em sua política para os imigrantes. ‘Arcanjo Renegado’ é a primeira série na qual Heitor Dhalia faz a direção geral.

Palavra do diretor

O diretor da série, Heitor Dhália, falou sobre como construiu a estética da produção e a mensagem principal. Confira.

Como definiria Arcanjo Renegado?

Arcanjo conta a história de um sargento do Bope, o Mikhael (Marcello Melo Jr.), e como ele vai sendo manipulado por questões políticas, e tomando escolhas a partir da realidade que está inserido, que é a uma realidade dura até para a polícia. Tudo o que o Estado não consegue resolver, a polícia tem essa missão de ir lá e resolver.

E a série conta um pouco desse universo, a partir desse personagem que tem um backstory doloroso, já que o pai era policial e morreu. Arcanjo conta essa história, é um thriller, uma série de entretenimento que aborda esse universo político-policial do Rio de Janeiro, e como esses dois vetores se conectam.

Quais escolhas e referências estéticas te ajudaram a rodar Arcanjo?

A minha principal referência estética é a realidade. Tentamos fazer uma série a mais calcada possível em elementos reais. Tínhamos vontade de fazer alguma coisa com o viés mais documental, apesar de ser uma série policial de ação – e de ficção. Mas a linguagem é uma câmera mais orgânica, na mão. Temos referências de filmes e séries, mas não fui buscar nenhuma referência específica.

É a primeira série que leva sua assinatura. O que buscou imprimir nela? Tem séries que viram filmes, dirigi-las é muito diferente de fazer cinema?

Fazer série é bem diferente de fazer filme. Para a série, você tem um volume muito maior do que precisa num longa. Num longa, você precisa de duas horas, numa série, precisa de umas dez horas. E essa necessidade de volume de alguma maneira influência nas escolhas estéticas, porque você vai precisar pensar a captação para produzir essa quantidade de material, então é outra lógica.

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