Câmera Record conquista prêmio com reportagem sobre carvoarias clandestinas

Publicado há um ano
Por Greicehelen Santana
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O Câmera
Record
venceu, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio República de
Valorização do Ministério Público Federal. A cerimônia com o anúncio dos
ganhadores ocorreu na última terça-feira (30), em Brasília, e o programa conquistou
a honraria com a reportagem Carvoarias, A Amazônia em Chamas.

 O registro denunciou a devastação provocada
pela produção clandestina na região. Em 2018, o prêmio foi concedido ao
documentário Dossiê Presídios: A Guerra
das Facções
. Além disso, mais duas reportagens do programa da Record TV, A Crise na Fronteira com a
Venezuela
e O Mapa da Fome no Brasil, ficaram em segundo e em terceiro
lugar respectivamente.

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O prêmio, um dos
mais importantes do país, é uma iniciativa da Associação Nacional dos
Procuradores da República (ANPR), e, segundo os organizadores, “tem como objetivo identificar e dar
visibilidade à atuação dos membros do MPF, além de estimular parcerias entre os
entes que se dedicam à promoção da Justiça e à defesa do Estado Democrático de
Direito
”.

Na edição deste ano houve 142 inscrições, divididas em 15 categorias e que “as iniciativas foram analisadas por 17 jurados que definiram os finalistas com base nos seguintes critérios: alcance social, criatividade, complexidade, eficiência e potencial de multiplicação”.

Sobre Carvoarias, A Amazônia em Chamas

O documentário abriu
a temporada de 2018 do Câmera Record,
em 18 de janeiro daquele ano. O programa mostrou uma reportagem exclusiva
sobre carvoeiros clandestinos que estão devastando áreas imensas da Floresta
Amazônica para produzir o carvão que é usado no tradicional churrasco do
brasileiro.

Durante 10 dias,
os repórteres Romeu Piccoli, Sheila Fernandes, Michel Mendes e o editor Márcio
Strumiello
percorreram mais de 1.000 km por rodovias e estradas abertas
ilegalmente, no meio da Amazônia, para investigar a devastação provocada pela
produção clandestina de carvão.

Pela primeira
vez na TV, jornalistas revelaram todo o processo de produção do carvão: o
corte, a construção do forno, a queima da madeira e a venda nas grandes
cidades.

O programa
detalhou cada uma dessas etapasA equipe flagrou o corte em
terras devolutas do Estado e da União. Entre as cidades de Itacoatiara e Rio
Preto da Eva, a 250 km de Manaus, a equipe encontrou uma enorme clareira cinza,
do tamanho de um estádio de futebol.

Os responsáveis por transformar a área num cemitério de árvores já cortaram centenas de árvores centenárias desde que chegaram à região. Eles derrubam madeira o mês inteiro, com jornadas diárias de 14 horas, em troca de um salário mínimo. Antes da invasão dos carvoeiros, a floresta era densa e abrigava diversas espécies de plantas e animais, agora é terra arrasada, sem vida.

Trabalho na ilegalidade

Após o corte, Daniela, de 35 anos, e o filho, de 13,
levam as toras de madeira, já fatiadas, até o forno, que é um buraco feito no
chão, cercado por paredes de tijolos. Cabem 12 árvores, que levam de 3 a 4 dias
para queimar.

É árduo, suado, difícil mesmo. As pessoas
podem olhar pra gente e achar que a gente faz isso porque gosta ou porque ganha
muito dinheiro, né? Mas não é não, é pouco dinheiro e muito trabalho. Eu sinto
muita tristeza, porque isso aqui é meu, é dos meus filhos, dos meus netos, de
todo mundo… E estamos destruindo
“, lamenta Daniela.

Ao ser
perguntada se ela e o filho sabem que estão cometendo crime, Daniela responde
com lágrimas nos olhos: “Crime é
meus filhos passarem fome
“. Diariamente, pais e filhos trabalham na
queima do carvão. E o programa denuncia a falta de acesso à escola e os riscos
à saúde dos trabalhadores, nessa que é a fase mais prejudicial à saúde do
trabalhador.

Eles estão se envenenando, já que isso vem de
geração em geração. É como se o destino tivesse dado a essas pessoas uma única
chance: eles vão ter que viver menos e viver pior
“, explica o médico Paulo Saldiva, patologista do Hospital
das Clínicas.

O Câmera Record revelou como são feitos o transporte e a venda desse material. Recém-retiradas do forno, as toneladas de carvão são embaladas em sacos e armazenadas em uma casa escondida no meio da mata. É a vez do atravessador entrar no esquema.

O programa flagrou mais de uma tonelada de carvão, dentro de um veículo aos pedaços, vencendo uma barreira policial na estrada. Tudo registrado bem de perto. E, em cada esquina das grandes cidades, o destino final do carvão clandestino: na grelha, usado para fazer churrasco.

Ficha técnica

Além dos
repórteres citados, receberam o prêmio: Gustavo
Costa
; Leandro Pasqualin; Lucas Augusto; Rafael Gomide; Lucas Mioni;
Renan Laranjeira; Fábio Martins; Daniel Salvia; Diego Molina;
Pablo Toledo; Mateus Munin e Renata
Garofano
.

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