Assim como Clara, em O Outro Lado do Paraíso, Gata Selvagem teve retorno triunfal; relembre

Publicado em 17/12/2017

Quando Clara (Bianca Bin) surgiu imponente, pronta para fazer justiça, em O Outro Lado do Paraíso, de imediato, a cena entrou para história da teledramaturgia. Por tudo que representou, o momento trouxe grande audiência, repercussão e uma realização impecável dos produtores da novela.

Porém, o retorno triunfal é um recurso muito utilizado nas produções mundo afora, principalmente, nas hispânicas, que seguem com mais afinco o folhetim clássico. As mexicanas, por exemplo, trazem uma série cenas enigmáticas que demonstram que o público gosta mesmo é de ver o circo pegar fogo.

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O Observatório da Televisão relembra na coluna Vale a Pena uma novela em espanhol que já foi exibida no Brasil, teve uma audiência cativa, apesar da repercussão limitada, e é um dos maiores dramalhões já realizados pela teledramaturgia mundial.

Gata Selvagem chegou ao Brasil pela Redetv, em 2003, logo após o sucesso de Betty, a Feia (relembre esse sucesso mundial aqui). A trama foi produzida nos Estados Unidos pela gigante venezuelana Venevision. Com um elenco de luxo, é até hoje lembrada pela grande reviravolta da protagonista.

A novela conta a história de Rosaura (Marlene Favela), uma moça pobre que se apaixonou por Luis Mario (Mario Cimarro), o galã rico. Em um acidente, ela o salvou e, para retribuir, ele a beijou. Então, ela o arranha, como uma reação espontânea, por isso passou a ser chamada de “gata selvagem”.

Diferentemente de outras produções hispânicas, a protagonista teve uma coleção e vilões querendo humilhá-la. Uma das pedras no caminho dela é Eduarda (Mara Croatto), irmã de Luis Mario e dona da fazenda Arismendi, onde Rosaura vive de favor com sua família.

Para que você não fique perdido e entre na atmosfera dessa superprodução, reveja a abertura, com os personagens e suingue latino da narrativa.

Sem piedade e destilando ódio, Eduarda torna a vida de Rosaura um inferno, inclusive, a acusando injustamente de roubo. Numa das cenas clássicas da novela, a vilã obriga a mocinha a se joelhar e implorar pela retirada da queixa. Ela o faz, porém, Eduarda não cumpre a promessa e deixa a pobre Rosaura em prantos. Veja a cena.

De inocente, a mocinha de Gata Selvagem se tornou uma legítima sofredora, apesar de brava. O galã, que poderia protegê-la de tanta maldade, é quase um insosso que não consegue perceber o ninho de cobra em que vive.

Como todo circo, não pode faltar agressão física, e isso a novela teve de sobra. Foi muita pancadaria envolvendo a mocinha e seus algozes. Que sangue quente os latinos têm, né? Uma das cenas antológicas é quando Rosaura e Camélia (Marjorie de Sousa) se enfrentam na piscina. Relembre.

Achou pouco? Quer mais? Então, veja a cena a seguir. É típica das novelas venezuelanas, com o som de fundo impulsionando a adrenalina de quem assiste e as reações exageradas. Do jeito que amamos!

https://www.youtube.com/watch?v=5fvIkTiwy7E

Se não bastasse essas brigas com as antagonistas mulheres, Rosaura ainda teve que enfrentar o marido Patrício (Ariel López Padilla), também, que possesso de ciúmes, não hesitou em sentar a mão na cara dela. Ela, por outro lado, não se deixou intimidar tanto. Veja.

Que absurdo, não? Sem suspense, vamos lembrar do fim do vilão já aqui. Ele teve um final para lá de pesado. A cena final dele é digna de emocionar até mesmo seu inimigo mais cruel. Patrício sofreu até o último respiro. Assista.

https://www.youtube.com/watch?v=Gd7y2JvJaIM

Mas como nem tudo é sofrimento nas novelas, Rosaura encontra luz no fim do túnel. A sorte vira quando ela descobre que é neta de Dona Cruz (Heda Bejar), uma mulher milionária e com muita influência. A protagonista herda, então, toda a fortuna e não pensa duas vezes em retornar para se vingar de quem lhe fez mal.

O retorno, como não poderia deixar de ser, é triunfal. Belíssima, com um corpo escultural, ela aparece em uma galeria de arte, provocando a fúria das vilãs e a admiração do grande amor de sua vida. Régia, ela não se deixa intimidar e já começa pisando. Confira.

O impacto de ver Rosaura poderosíssima é tanto que vale a pena enfatizar os diálogos, aqui. “Não pode ser Camélia, não pode ser que essa mulher seja a gata selvagem!”, disse Eva (Carolina Tejera). “Está totalmente transformada, está belíssima. É a mais bela e elegante da festa!”, lamentou a recalcada. “Não, essa mulher não é mais bela que eu! Nem ela querendo!”, concluiu Eva.

Emoção é o que não faltou ao longo desta narrativa hispânica e a cereja do bolo não demorou muito para acontecer. Rosaura quis pagar na mesma moeda a humilhação que Eduarda a fez passar se ajoelhando, além de toda injustiça. A mocinha coloca uma condição para devolver a propriedade da vilã, que sem saída decide aceitar. A sequência é um clássico da teledramaturgia em espanhol. Veja por quê.

Claro que no final de uma novela que se preze, as vilãs maquiavélicas têm, sim, que pagar por todo mal que fizeram. Em Gata Selvagem, isso não foi diferente. Tanto tanto Eduarda, quanto Eva tiveram destinos trágicos. O de Eva, inclusive, é incrivelmente original. Relembre no vídeo.

O final dos pombinhos protagonistas não poderia fugir à regra. Rosaura e Luis Mario puderam, enfim, ser felizes, com todos os vilões fora do caminho. O sonho de ter uma vida ao lado do seu amor verdadeiro se tornou uma realidade para a mocinha. A última cena é sensualíssima.

Para finalizar, Gata Selvagem é uma novela baseada em um romance da célebre escritora Inés Rodena. A trama da Venevision foi realizada em 2002, nos Estados Unidos e exportada para dezenas de países, da América Latina à Ásia. Originalmente, conta com cerca de 252 episódios. Se você nunca viu a novela e ficou interessado, abaixo, assista ao primeiro capítulo, em português.