A polêmica A Cabana do Pai Tomás estreava há 48 anos

Publicado há 4 anos
Por André Santana
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No dia 7 de julho de 1969, a Globo estreava sua 6ª “novela das sete”. A Cabana do Pai Tomás, escrita por Hedy Maia, Glória Magadan e Walther Negrão, gerou muita polêmica por escalar um ator branco para viver o protagonista, um homem negro.

A Cabana do Pai Tomás era inspirada no romance Uncle Tom’s Cabin, de Harriet Beecher Stowe, que abordava a luta travada entre escravos e latifundiários do sul dos Estados Unidos na época da Guerra de Secessão. Pai Tomás (Sérgio Cardoso) e sua esposa Cloé (Ruth de Souza), dois escravos, se uniam a amigos nas mesmas condições para enfrentar os fazendeiros e lutar pela liberdade. Neste contexto, era explorado também o romance proibido entre os jovens Pierre Saint Clair (Paulo Goulart) e Bárbara Morrison (Miriam Mehler).

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A escolha do ator Sérgio Cardoso para viver o protagonista Pai Tomás gerou uma grande polêmica. Branco, o ator tinha a pele maquiada para viver o escravo, o que gerou desconforto, pois se questionava os motivos de não ter sido escalado um ator negro para liderar a trama. Sérgio Cardoso era um dos galãs mais queridos da televisão brasileira da época, e a definição de seu nome para protagonizar a história partiu da agência de publicidade Colgate-Palmolive, responsável pelo patrocínio das telenovelas na década de 1960 no Brasil. A filial estadunidense da agência escolheu o ator para interpretar o escravo Tomás, sem analisar as implicações que isso poderia ter na mídia brasileira.

O barulho foi grande. O ator Plínio Marcos, que escrevia a coluna Navalha na Carne no jornal Última Hora, liderou uma campanha repudiando a escalação de Sérgio Cardoso para viver Pai Tomás. Plínio endossou a opinião geral da classe artística, que defendia que o papel deveria ter sido entregue ao ator Milton Gonçalves.

Alheio à polêmica, Sérgio Cardoso vivia outros dois personagens em A Cabana do Pai Tomás. Além do personagem-título, o artista encarnava o abolicionista Dimitrius, e o presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln. Como não havia tecnologia para a realização das cenas em que o mesmo ator aparecia vivendo vários personagens, era necessário gravar com cada um para, em seguida, montar a cena.

A atriz Ruth de Souza foi a primeira atriz negra a protagonizar uma novela brasileira, em A Cabana do Pai Tomás. Coube a ela o papel de Cloé, esposa do Pai Tomás. O papel lhe foi entregue por indicação do próprio Sérgio Cardoso, de quem a atriz era amiga. “Fui contratada de imediato e protagonizei a história, o que, infelizmente é incomum na carreira de atores negros.”. Devido ao seu papel de destaque, a atriz chegou a ter problemas com pessoas do elenco. “Algumas atrizes brancas não queriam que o nome delas ficasse atrás do meu nos créditos. Não guardo mágoa, mas acho qualquer tipo de preconceito uma estupidez.” revelou Ruth ao jornal Tribuna do Paraná.

Outros problemas marcaram A Cabana do Pai Tomás. A trama seria inicialmente gravada em São Paulo e, para isso, foram construídos dois estúdios na sede da emissora, além de reproduzirem uma embarcação do século XIX, e também utilizavam uma fazenda de algodão em Campinas, no interior do estado, como locação. No entanto, um incêndio atingiu as instalações da emissora uma semana após a estreia da novela, obrigando a produção a se transferir para o Rio de Janeiro às pressas.

A Cabana do Pai Tomás foi a última novela da Rede Globo inteiramente baseada em textos estrangeiros. A novela que a substituiu, Pigmalião 70, já mostrava a realidade brasileira.

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Veja webdoc do projeto Memória Globo sobre A Cabana do Pai Tomás:

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