“Mocinho é enxaqueca, meu personagem é humano”, diz Mateus Solano sobre a nova novela Pega Pega

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Mateus Solano está de volta às novelas. O ator poderá ser visto a partir desta terça-feira (06) na novela Pega Pega, próxima trama das sete escrita por Claudia Souto onde ele dará vida a Eric, o empresário que compra o Carioca Palace, e tem o dinheiro da transação roubado. Nossa reportagem bateu um papo com Mateus que contou detalhes sobre o personagem. Confira:

Mateus Solano elogia parceria com Camila Queiroz: “É uma fofa”

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Quem é o Eric Ribeiro?

Ele tem um passado misterioso. Que envolve a morte da mãe da filha dele, no caso a sua ex-mulher. Então, ele é um viúvo ambicioso. Ele ganha muito dinheiro porque faz muito bem o seu oficio. O trabalho dele consiste na compra e na venda de imóveis. Ele cobra barato e depois vende muito mais caro. É assim que ele lida com a vida. Tudo é tratado como descartável. No primeiro capitulo ele conhece Luiza (Camila Queiroz) e se encanta por ela. Esse amor vai desabrochar e mostrar o Eric que estava escondido desde a morte da ex-mulher dele. É amor mesmo! Morte essa, que causou um profundo trauma na filha dele, trauma esse no qual ele não consegue lidar porque não tem estofo emocional para lidar com isso mesmo.

Então esse é o principal motivo para ele focar no trabalho?

Exatamente! O principal motivo é esse. Esse passado misterioso, essa morte misteriosa da ex-mulher dele e as consequências na vida da filha dele. Ele não sabe lidar e foge um pouco disso. Mas o amor pela Luiza e toda questão do Carioca Palace, mexem com ele de forma a ele querer pela primeira vez em muito tempo, não vender mais as coisas, e, sim, manter aquilo o que é importante. Com o roubo do hotel e com a desilusão de Luiza em relação a ele, faz com que ele tenha um problema que não consiga resolver rapidamente. Ele quer resolver com todas as forças, pois ele quer muito essa mulher. O objetivo dele de ficar com a Luiza no final, irá fazer dele uma pessoa evoluída. Não sei se eu posso falar mais do que isso.

Ele vai ser preso, né?

Ele vai ser preso sim. É muito legal as cenas que a autora escreveu da prisão, porque mostram os privilégios de um poderoso na prisão e é bacana tocar nesses assuntos. Ele não lida só com o fato de ter sido preso injustamente, ele lida com o fato de na prisão existirem privilégios que não deviam existir por causa disso ou daquilo e isso o deixa chocado também. O que mostra que é um cara com caráter bacana. Não é um cara que fala: ‘opa, tem champanhe aqui na cadeia’. Pelo contrário! Vão aparecer outros crimes, mas ele vai ser sempre a vitima.

Como está sendo a parceria com a Camila Queiroz?

Ela é uma fofa, uma querida! Está sendo demais, tanto com a Camila, como grande parte do elenco que eu não conhecia ainda. A minha recordista é a Vanessa Giácomo, já que é a minha quarta novela com ela. Eu tinha vontade de trabalhar com o Marcos Caruso, que foi meu diretor no teatro. A minha relação com a Camila é muito calma e criamos uma intimidade funcional. A Globo está dando muito valor nessa preparação dos atores. Antes era: ‘oi, tudo bem?; como vai?; a gente vai fazer par romântico, né?; é cena de beijo?; então vamos’. A gente nem se olhava no olho, só cumpria o papel. Então, tem sido muito bacana participar dessa transição da Rede Globo também na forma de ver e de tratar o trabalho dos atores, porque de outra forma iriam perder campo para atores excepcionais  no mundo todo. Um exemplo claro são os atores de series americanas.

A novela fala de ética. Como você vê isso no cenário atual de nossa politica?

Há 500 anos é importante falar disso. Eu vi uma foto nas redes sociais dia desses que dizia: “uma época que o Brasil não tinha corrupção”, e na imagem tinham uns dinossauros. Então é um assunto sempre pertinente que temos que falar sobre. Vivemos um momento tão complicado, que dá pano pra manga para muita trama. Eu acho que o jeitinho brasileiro é uma das coisas pois tudo que está acontecendo é uma forma da gente parar para pensar também e nos policiar em relação a muita coisa que acontece ao nosso redor.

O telespectador torce sempre pelo vilão. Queria que você comentasse um pouco sobre isso?

Eu acho que a gente não pode ser vilão no dia a dia. Falavam muito isso no Félix, pois ele fazia muito sucesso porque além do humor era um cara que dizia tudo que a gente não pode dizer. Temos vontade de dizer algumas coisas, de jogar aquela raiva que não tem nada a ver com aquela pessoa, encima dela e o vilão tem essa liberdade que a gente não tem. Aquele “bom dia”, sabe? Que você tem obrigação de falar “bom dia” mas, o vilão fala: “bom dia pra você, porque pra mim não está não”.

Pra você, qual o limite da ambição?

No outro né? Tudo o que você faz em beneficio próprio, quando esbarra no outro, aí você passou do limite.

Você acha que o dinheiro pode trazer felicidade mesmo?

O dinheiro em si não. Mas tudo que está relacionado. A gente compra muita coisa que nos leva a momentos de felicidade, normalmente o dinheiro traz uma felicidade rasa.

O que você faria com 40 milhões de dólares?

Nossa! Eu ia construir um teatro. Ia fazer aulas, trazer a comunidade para o teatro. E fazer um centro cultural para que as pessoas se lembrem que se não temos cultura, não somos humanos, apenas bichos.

Como é fazer humor com o personagem tão fechado?

Não estou fazendo humor. Mesmo fazendo comédia, a gente leva tudo muito a sério. Essa preparação ajudou nisso. Não a sério no mal sentido. Isso tudo aqui distrai muito. O preparador diz que tem a tal da síndrome da portaria 3. Chega na portaria 3 e já coloca um sorriso na cara. Cumprimenta todo mundo: “como vai?”. Aquela festa! Isso é ruim para o trabalho. Temos que estar envolvido naquele lugar. Essa preparação foi bom para isso. Mesmo no momento de comédia, que a gente podia se desconcentrar. A gente está coeso para contar essa história.

Dizem que é mais complicado interpretar um mocinho do que um vilão. Você concorda com isso?

Mocinho é enxaqueca, né? Tem esse preconceito, vamos dizer assim. Eu nunca tratei nem um personagem meu como: mocinho, vilão, gay, gêmeo. Um personagem é um ser humano. Ser humano é foda! Ser humano, cada um é um individuo mágico. E a minha paixão é buscar isso. E, não sei se ele é bom, se ele é mal, mas busco sempre a humanidade do personagem.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio