Luis Melo fala sobre a vingança de Clara contra Gustavo: “Seria uma grande sacada ele ir preso pelas mãos do filho”

Publicado há 3 anos
Por Greicehelen Santana
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Em O Outro Lado do Paraíso, Luis Melo interpreta Gustavo, um juiz corrupto que manda e desmanda de acordo com o valor dos “presentes” recebidos pela vilã Sophia (Marieta Severo). Inserido num núcleo repleto de preconceitos e maus exemplos, o personagem conta com humor para fazer uma sátira aos políticos corruptos existentes no país. Em conversa com o Observatório da Televisão, o ator falou da repercussão da trama junto ao público, e deu sua opinião sobre a vingança ideal para seu personagem na novela. Confira:

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O que você espera de 2018?

“Na realidade, é um momento em que você não tem que esperar para você. Eu acho que a gente está precisando para todos nós de paz, de um pouco mais de conscientização, de muito mais pensamento em coletivo. Eu desejo que seja um ano de reflexão.”

Sobre a repercussão da novela, o que anda escutando nas ruas sobre o seu personagem, o juiz Gustavo?

“É sempre uma surpresa. Eu presto muito atenção, sempre estou em ponte aérea, em movimento de ida e vinda, e você vai percebendo a aceitação do público em relação ao personagem, até mesmo a obra total, através das abordagens. É um personagem extremamente complexo no sentindo de que existe um espelho de tudo do que a gente tem vivido por aí, nesse momento do Brasil atual, mas tem uma coisa dentro dele muito positiva. Eu não vejo ele isolado, eu vejo ele como um casal, com uma família onde tem sérios problemas de corrupção, de roubo, de racismo. Tem uma série de coisas dentro desse núcleo que são assuntos extremamente sérios que devem ser tratados, mas existe uma coisa ali que é o humor. A maneira como você coloca isso, e queira ou não queira, é um casal que se gosta, que se ama. As pessoas têm um carinho muito grande, elas percebem o que está sendo levantado em primeiro plano, mas a maneira como é conduzida, a maneira como é feita também existe um carinho. Tem um exemplo por trás também, que é sobre o relacionamento desgastado, por que não resgatar por meio da brincadeira, da fantasia sexual. Isso está dando um estimulo muito grande, a gente está recebendo muito carinho em relação a esse lado.”

E como está sendo essa parceria com a Eliane Giardini (Nádia)?

“A gente tem uma química maravilhosa. É sempre assim: existe uma situação e depois o Walcyr deixa que role um improviso. Então, a gente brinca muito, existe um humor gostoso de fazer esse juiz que manda dentro do tribunal, mas em casa é extremamente mandado, obediente com a mulher. Existe uma relação, a gente basicamente não precisa combinar muito, a coisa se dá através do olhar, do convívio dos dois atores.”

O misterioso gerente do bordel está deixando todo mundo intrigado e o juiz Gustavo é um dos principais suspeitos. O que você pode comentar sobre isso?

“Eu não sei, pode ser o juiz. Podia ser o Natanael (Juca de Oliveira), mas isso já foi descartado. Às vezes, nessas obras assim, é aquela pessoa que você menos espera. Seria interessante se fosse o juiz, porque seria um ponto de desentendimento desse casal, seria um momento em que eles se separariam por ciúmes. Seria bom para a trama nesse sentido. A novela é sempre aberta, existem elementos que você diz que já foi resolvido e, de repente, mortos ressuscitam. Seria interessante que esse homem tivesse esse lado, dentro dessa vingança da Clara (Bianca Binn), é o único elemento que pode desestruturar essa família.”

Você não percebeu nenhum sinal do Walcyr que sinalizasse que o Gustavo poderia ser esse mistério gerente?

“Não. Pode ser outra pessoa. Eu até brinco que pode ser até a Sophia (Marieta Severo), de repente a gente vai descobrir que ela adora dar uma roçada lá com a outra. Eu acho que o interesse na novela é essa coisa do elemento surpresa.”

O ponto fraco do Gustavo, dentro dessa vingança da Clara, é o casamento?

“Sim! Para desestruturar essa relação, porque os dois se dão tão bem, os dois se entendem tão bem dentro desse tipo de relação de eles estabeleceram para a vida deles, com essas fantasias sexuais. É tudo ‘ok’, ela (Nádia) que comprou tudo em casa, as roupas dele é ela que escolhe. Ele é quase guiado, é uma dependência total.”

Mas ele também pode ser desestruturado por causa da corrupção, né? 

“O filho dele também já está desconfiado. Seria também essa coisa da propina, mas ele levaria um monte de gente junto. O filho está desconfiado também. Ele está agindo fora do comportamento normal de um juiz.”

O seu personagem é mal caráter ou um fraco?

“Eu acho que é um desvio mesmo, uma fraqueza, uma dependência que ele tem, no sentindo até de que ele tem prazer de ser mandado pela mulher. Ele adora de todas as formas. Eu ainda estou estudando muito essa coisa agora do filho sendo (delegado), porque a justificativa que ele sempre dá é que ele não passa de um determinado limite, e isso ele deixa bem claro para a Sophia. Ele faz dentro das possibilidades. Eu sinto que ele joga um pouco também para a Sophia, ele deixa que a coisa suja esteja na mão dela. Ao mesmo tempo que ele é medroso, ele tem uma inteligência de saber até onde por ir.”

E como vai ficar a relação do Gustavo com o filho quando essa história da corrupção começar a vir à tona?

“A mulher sabe. Agora, diante do filho que é delegado, ele vai se sentir muito mal. Ele fica mal quando o filho começa a questionar, ele não tem prazer em fazer isso, de mentir para o filho.”

Até que ponto você acha que o Gustavo vai manter essa amizade de troca de favores com a Sophia? O Samuel (Eriberto Leão), por exemplo, depois que teve a homossexualidade revelada, deixou de apoiar a Sophia…

“Não sei. Não sei o que está reservado para ele. O Samuel eu sei que parou, não sei agora em relação a coisa do delegado como vai ser e nem o que está reservado para mim. O Walcyr está mantendo essas novidades agora, inclusive, para nós (atores), dentro desse início também. Para sermos pegos de surpresa.”

Gustavo (Luis Melo) em O Outro Lado do Paraíso (Divulgação/ TV Globo)

A vingança da Clara está próxima de chegar no Gustavo?

“Pela escala de ordem, ele é o próximo. Aliás, primeiro tem o delegado e depois sou eu.”

A vingança da Clara está sempre ligada a vergonha. Ela já envergonhou o Samuel, vai expor o delegado como pedófilo. Seria possível ela fazer o Gustavo ser preso pelo próprio filho?

“Possivelmente! Seria uma grande sacada ele ir preso pelas mãos do filho. Agora, ele vai ser preso onde? Por quê? São tantas possibilidades que isso eu nem sei.”

E quais serão as próximas brincadeiras e fantasias que o seu personagem irá explorar com a Nádia?

“Por mais que o público goste, a gente tem que ir dando uma dosada, porque a fórmula, às vezes, desgasta. Nas próximas eu acho que tem polícia, heroína, mulher-maravilha, e dependendo de como as coisas vão, a gente está pensando em outras coisas.”

Então, você e a Eliane estão opinando nas construções dessas fantasias sexuais?

“A gente está propondo. A gente tinha umas coisas assim, porque fizemos um treinamento, então, a gente improvisou muito em várias situações e que agora estão sendo utilizadas. Por exemplo, de brincar mesmo não sabendo do julgamento, em relação ao Samuel, a gente brincou com ela de enfermeira, ela chamava de tigrão. Teve uma em que ela falava: ‘bate, Gael’. É isso!”

Estão tendo sugestões de fantasias vindas do público?

“Não! Tem umas coisas, mas as pessoas não revelam porque são muito íntimas. Teve uma senhora no aeroporto que falou assim: ‘hum, preciso te ensinar umas que são maravilhosas’. Mas está sempre muito ligado ao sex shop, aos brinquedinhos. A gente já pensou em abrir uma mala e sair uma série de consoles, mas seria uma coisa tão direta, que a gente prefere brincar com essas coisas mais puras, lúdicas.”

E como fica a construção dessa família onde o pai é corrupto, a mãe preconceituosa com os dois filhos, que têm os seus problemas pessoais, mas que não se corromperam?

“É muito engraçado isso, porque é real. Provavelmente, eles escutam que os pais fazem brincadeiras dentro do quarto, mas existe um respeito velado em relação a tudo. A não ser que tenha algum momento em que você seja confrontado, mas quando é uma coisa do bem, não. Tanto que ele (filho) reage quando é coisa do mal. O atrito começa quando ele percebe que o pai pode (ser corrupto), mas não quer acreditar, até o último momento ele prefere achar que o pai é honesto, e que a mãe é maluca, mas que em algum momento ela vai aceitar.”

Como você analisa a sua carreira no momento? Acha que poderia ter feito mais novelas na TV, ao longo desses anos?

“Eu acho que cada um tem uma trajetória. Às vezes eu fico me perguntando, será que eu fiz alguma coisa, vou fazer o levantamento porque como ator contratado fica sempre aquela impressão de que você está com dívida, mas vejo que já fiz mais do que tinha que fazer, na realidade. As coisas acontecem no limite, a vida da gente sempre tem períodos. Eu não tive pressa para sair da minha cidade, eu não tive pressa para entrar na televisão. Não que a televisão não chamasse, eles já me acompanhavam a bastante tempo, mas eles não tinham nada para me dar que substituísse o trabalho que eu estava fazendo no teatro. Tanto que o primeiro trabalho que deu certo na televisão, eu só gravava segunda, terça e quarta, na quinta, sexta, sábado e domingo eu fazia teatro.”

Como você lida com as críticas? Você sofreu bastante críticas na novela ‘Sol Nascente’, por interpretar um personagem japonês…

“Se você dar margem sempre vai sofrer uma espécie de perseguição. Eu acho importante que as pessoas lutem por um espaço, mas lutem realmente. Façam alguma coisa para que isso seja mudado, abrir mais espaço para isso. Na época eu quis saber qual era a companhia de japoneses que existem fazendo teatro. Isso foi ótimo, porque eles começaram a se movimentar, não só reclamar no sentido de não ter espaço. O meu personagem foi adotado pelos senhores japoneses, aonde eu ia eles tiravam fotos, me abraçavam e, ao mesmo tempo, tinham um respeito muito grande comigo. Eles sabiam que eu tinha um respeito muito grande pela cultura japonesa, meus trabalhos sempre foram tratados com respeitos, eu sempre me utilizei das técnicas orientais.”

Você ficou chateado em algum momento com as críticas da época?

“Não! Não fiquei não.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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