Julio Andrade fala sobre corrupção na saúde, tema abordado em Sob Pressão: “Vírus da sociedade”

Publicado há 2 anos
Por Greicehelen Santana
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Não é só a estrutura precária do hospital público Luis Carlos Macedo que vai deixar Evandro (Julio Andrade) indignado em Sob Pressão. Na segunda temporada da série, o cirurgião-chefe vai enfrentar um esquema de corrupção instalado pela ambiciosa Renata (Fernanda Torres), nova diretora do local.

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Em conversa com o Observatório da Televisão, Julio Andrade falou como o caso vai atrapalhar, ainda mais, o funcionamento do Machadão. O ator também comentou sobre o casamento do seu personagem com Carolina (Marjorie Estiano). Com coprodução da Globo com a Conspiração Filmes, Sob Pressão estreia na próxima terça-feira (09/10). Confira a entrevista a seguir:

O que o público pode esperar da nova temporada de Sob Pressão?

Uma temporada com os mesmos ingredientes da primeira. Porém, a gente tem um segundo personagem, que é a corrupção, o fio condutor dessa temporada. É o principal mote.

Como será a chegada da Renata (Fernanda Torres), nova diretora do hospital?

A princípio não se sabe que ela vai atrapalhar. A gente acha que ela vai dar um jeito naquele hospital, que vai melhorar as coisas. Ela consegue alguns recursos, mas depois vai se desenrolando e a gente percebe que as intenções eram outras.

Personagens no hospital

O fato da Renata ter administrado um hospital particular gera uma expectativa na equipe médica. Como você analisa essa ideia?

Tem várias questões aí, inclusive o caráter das pessoas. Não é sair de uma (gestão) particular e cair em uma pública porque são coisas diferentes. Os meios de lidar com isso são diferentes. Na saúde pública tem empresas que investem, que são diferentes das que investem na privada. Então são várias questões. Mas eu acho que o que se fala aí é questão de caráter, índole. Se você tem má índole não importa o lugar em que você esteja. Você vai acabar se corrompendo.

Na primeira fase, a equipe médica não media esforços atender as pessoas que chegam no hospital. Essa característica vai ser mantida?

Dentro dos recursos que eles têm, eles precisam improvisar o tempo todo. Isso é uma realidade de todos os hospitais públicos. Às vezes não tem esparadrapo, o fio para a costura. Não tem coisas básicas na saúde. E, às vezes, por conta disso não consegue salvar uma vida. Então essa é a grande revolta do Evandro.

O que move ele é exatamente esse desejo de ajudar as pessoas. E ele faz de tudo, continua improvisando, continua tendo ideais incríveis nos momentos mais difíceis. Esse personagem é arriscado.

Você acha que a corrupção é a grande doença da saúde brasileira?

Eu acho que é uma das. Não só da saúde como de todos os setores do nosso país. A corrupção está presente o tempo todo. Vemos o tempo todo nos noticiários. Aonde essas pessoas conseguem tirar vantagem e proveito, elas estão. São os vírus da sociedade essa galera que tenta se aproveitar da saúde, da educação, para um benefício próprio.

“Isso já é uma prática que existe há muito tempo nos hospitais”

A gente só está colocando para fora. Isso já é uma prática que existe há muito tempo nos hospitais. Os próprios médicos, diretores dos hospitais sabem, mas é o jeito também que o Brasil tem de se fazer saúde. Às vezes você não tem saída, o recurso que você tem é a sucateamento da saúde. É complicado!

Como o Evandro vai reagir ao perceber o esquema de corrupção que se instala no hospital?

O personagem Evandro é muito revoltado, muito ético. Ele é um cara que não se corrompe. Ele fica muito revoltado, obviamente, assim como todo mundo do hospital.

Casal Evandro e Carolina

O casamento entre o Evandro e Carolina traz um momento de leveza à série?

Assim como eu, todo mundo torce por esse casal. É um casal diferente. A relação deles ganha uma força na primeira temporada, mas, como todo casal, tem alguma coisa que acontece. Eu fico tentando não dar spoiler, é difícil para mim (risos). Mas a relação está presente, ela existe. Eles se amam e vão tentar fazer de tudo para manter esse amor, apesar das dificuldades.

Julio Andrade comenta sobre o contato com o público

O que você mais ouve quando é abordado pelo público nas ruas?

Eu tenho uma resposta muito legal desse personagem. Eu acho também que é a minha parcela política, minha contribuição política como ator, ser humano, artista, brasileiro. Acho que é a maneira também de expor minha indignação. Eu defendo esse cara (Evandro) com todas as minhas forças por ele ser um cara que não se corrompe, por ele ser ético.

Sempre quem tem alguma coisa em relação a isso, eu questiono porque a gente precisa de bons exemplos. E não estou falando da vida pessoal dele, por ele ser doidão que se droga. Não é isso! As pessoas são livres para fazerem o que quiserem. Agora, você não pode passar por cima dos outros. Você tem que ter amor ao próximo. Eu sinto muito prazer em fazer esse personagem por isso.

Você também é abordado por médicos? O que eles te dizem?

A resposta que eu tenho dos profissionais de saúde, como do público em geral, é muito positiva. Eu vejo que as pessoas se veem nesse projeto. Enxergam seus problemas sendo jogados nesse projeto. O Sob Pressão é quase um resumo de tudo que está acontecendo no Brasil. Você vê gays, negros, bandidos, ricos. Todas as questões sociais passam por ali.

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