José Loreto sobre secar para viver José Aldo: “Depois que comi o primeiro pão, vomitei cinco vezes”

Publicado há 4 anos
Por Redação
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José Loreto, que ficou conhecido por papéis cômicos na dramaturgia, surge irreconhecível em ‘Aldo – Mais Forte que o Mundo’, minissérie em quatro capítulos, baseada no filme ‘Mais Forte que o Mundo’, de Afonso Poyart, que conta a história de José Aldo, o maior campeão de MMA de todos os tempos.

Em uma conversa franca com nossa reportagem, José Loreto relatou que esse personagem foi um divisor de águas em sua carreira.

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Confira o papo:

Como está sendo mostrar um personagem tão emblemático para o grande público?

“Estou muito feliz. Vai ser o meu primeiro protagonista na TV Globo e eu já sei que é um sucesso. Modéstia à parte. Mas, se o filme é um sucesso, você já vai sabendo que a galera vai gostar. Tem essa diferença do filme, agora tem umas coisas mais documentais, mas vai ser ainda mais emocionante. Eu estou curiosíssimo. Enfim.”

A vida de atleta é mais suada que a de ator?

“É sim! É difícil, porque é muita abdicação. O ator é mais permissivo, mais flexível. Eu sou um atleta amador, faço judô desde os cinco anos de idade. E lembro que, na minha fase de adolescência, os meus amigos bebiam e experimentavam o cigarro, conhecendo a vida, e eu sempre muito dedicado, perdendo peso, porque eu tinha que lutar. Em troca de que eu lutava? Só de uma medalha. Agora, imagina um lutador desses, como o José Aldo, né? Que vive disso. É muita abdicação, é surreal! Só vence um! Entram dois no ringue, mas só um sai feliz. É muito cruel, muito doloroso. Mas, enfim, é bonito e é motivador. E mesmo perdendo, a gente cresce, amadurece, espiritualmente falando.”

Você teve que emagrecer? Esse processo foi muito difícil?

“Foi muito difícil, mas acho que foi mais difícil para quem estava à minha volta. Para a minha mulher, por exemplo. Imagina: fiquei um ano sem comer pão, sem comer massa. Fiz uma dieta paleolítica, rigorosíssima. Depois que comi o primeiro pão, eu vomitei cinco vezes. Quando acabou o filme, eu fui a um junkie food e, é claro, passei mal. Mas a minha saúde ficou maravilhosa durante este período. Eu estava muito disposto, com 2% de gordura. Fiquei sequinho.”

Você curtiu o resultado final?

“Eu acho que tinha que ficar assim. Estava fazendo um atleta, diferente de mim. Já tinha uma cobrança grande, as pessoas diziam que eu não tinha nada a ver com o Aldo. Aí eu pensei que ia ficar a ver de dentro para fora.”

É um estilo que você manteria por conta própria?

“Não. Rigoroso e intenso do jeito que foi, só manteria para um personagem mesmo. Mas, eu acabei herdando coisas boas nesse ano que eu passei. Eu não dava valor para comer legumes, por exemplo. E agora, tenho uma alimentação melhor por causa do filme. É claro que eu voltei a comer o meu pão. Tem café da manhã que eu como omelete, mas tem café que eu como o meu pão.”

Você tem cuidado com a sua saúde, não é?

“Sim, porque eu sou diabético. Eu já tinha um cuidado. Eu sou diabético, tomo tantas unidades de insulina todos os dias desde os 14 anos. Para fazer o filme, eu diminui isso a quase um terço, por causa do carboidrato. Então, o meu açúcar ficou mais bem controlado. Mas eu também fiquei bem estressado. E eles ficam estressados. Não era só físico, eu queria fazer essa abdicação, porque eles perdem 10kg em água. E pesam e comem e voltam. Como eu tinha que filmar durante quase quatro meses, eu não podia perder assim, tive que perder a longo prazo. E foi muito bom, porque tenho amigos que lutam e ficam mal, ficam irritados. E o Aldo, em algumas cenas, teve uma pegada mais forte, porque eu estava emburrado mesmo. Foi depois da janta, eu tinha comido salada e frango e a galera tinha comido massa. De alguma maneira, você desconta na arte.”

Você fez muitos papéis cômicos na TV. O povão vai te ver com outros olhos?

“Tomara. Eu torço para isso. Acho que tenho muita sorte na TV Globo. Eu peguei uns personagens diferentes uns dos outros. Saí de ‘Avenida Brasil’, com o malandro Darkson, e fui direto para ‘Flor do Caribe’, que era aquele personagem ‘aluado’. Estou tendo muita sorte com os meus personagens. E eu sempre me preocupei com isso, desde que eu faço teatro. Nunca quis fazer um só tipo de personagem, quero fazer vários. E o Aldo é um personagem maravilhoso. Eu sempre sonhei. Quando eu era criança, via e gostava de ‘Karatê Kid’ e queria fazer um personagem assim, de luta, de físico, de emoção, mais sério. E tomara que as pessoas me vejam com outros olhos, para me chamar para outros personagens mais sérios e não só para o cômico. Só que eu amo a comédia. Me chamem para tudo que a gente filtra e vai!”

José Aldo virou seu amigo?

“Sim! A gente tem grupo no whatsapp, eu fui para Manaus com o Aldo, para conhecer a família dele. Jogamos bola lá. A gente se encontra: normalmente, sexta feira é dia dele ir ao cinema com a Vivi (esposa). Quando eu e a Debora estamos liberados, sempre vamos juntos. Já nos encontramos para várias coisas. Viramos amigos. É um cara que eu admirava muito, sou fã dele, e agora, virou um amigo. Não é à toa que ele tem essa história. Ele é simples, humilde, enfim, um exemplo mesmo.”

Quais são os seus projetos para 2017?

“Estou com a peça ‘Paz Perpétua’, do Aderbal Freire Filho. Estamos concorrendo ao Prêmio Shell, de melhor Direção. Está incrível. Terminamos no domingo no Oi Futuro e voltamos no dia 13 de janeiro no teatro Dulcina. Vou ficar o ano inteiro com essa peça e acho que ela merece que o mundo veja. É isso.”

ENTREVISTA REALIZADA PELO JORNALISTA ANDRÉ ROMANO

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