“Improvável, mas pode acontecer”, diz Sérgio Guizé sobre romance de Chiclete e Vivi em A Dona do Pedaço

Publicado há um ano
Por Felipe Brandão
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A Dona do Pedaço ainda não acabou, mas a sensação já é de vitória para o ator Sérgio Guizé. Ele e Paolla Oliveira se tornaram os queridinhos do público do horário nobre global no controvertido romance de Chiclete e Vivi – ele, um matador de aluguel que se apaixona pela própria ‘encomenda’.

Satisfeito com todo esse sucesso, Guizé comemora a evolução do personagem ao longo da trama. “Você começar como um matador e terminar a novela em um casal meio Romeu e Julieta é um desafio. Um arco dramatúrgico interessante de se acompanhar com verdade. E eu estou aí, na delícia de descobrir esse personagem até o último capítulo“, derrete-se.

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Confira nossa entrevista completa com o galã do momento na telinha.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – Como foi para você interpretar um ‘justiceiro apaixonado’ em A Dona do Pedaço?

SÉRGIO GUIZÉ – Eu fico honrado com tanto sucesso [do personagem]. Quando eu entrei na novela, ela já era um sucesso, o personagem da Vivi Guedes também… E você começar como um matador e terminar a novela em um casal meio Romeu e Julieta é um desafio. Um arco dramatúrgico interessante de se acompanhar com verdade. E eu estou aí, na delícia de descobrir esse personagem até o último capítulo.

O que você ouviu nas redes sociais, nas ruas a respeito do Chiclete?

Tanta coisa! [risos] Mas está sendo muito bacana. Que bom que está tocando as pessoas!

No início da novela, você já tinha noção de que o Chiclete passaria por essa transformação?

Eu sabia que ia mudar, até porque eu só acredito em personagem que termina de outro jeito. Tem que ter uma reviravolta, tem que surpreender de algum jeito. E ele é um personagem com muitas faces. Então, eu não fui logo de cara na coisa do matador, porque eu sabia que a vítima iria se apaixonar por ele. E como ela vai se apaixonar por alguém que é ‘só’ um matador? Por isso eu a cada dia fui levando um presentinho para esse personagem, e acho que ele ainda está em construção. Tem muita coisa pra acontecer, nesse final principalmente.

O matador se apaixonar pela vítima é algo bem diferente…

Sim, diferente e difícil. Eu não pensei que fosse rolar esse impacto logo de cara. Lembro que alguém me contou sobre uma passagem da Odisseia [clássico da literatura grega, de autoria atribuída a Homero], na qual uma mulher tinha que matar um deus poderoso. Quando essa mulher vinha pra arrancar a cabeça dele, ele vira e enfia a espada nela e se apaixona naquele último instante. E eu fiquei com essa imagem na cabeça, de quando ele se volta para viver esse último segundo de amor. É um amor impossível, improvável – mas pode acontecer, por que não?

Não tem quem não goste de Vivi Guedes e Chiclete. Como foi para você essa parceria com a Paolla Oliveira?

Eu conheci a Paolla no set praticamente. Ela foi muito generosa, assim como o resto do elenco – as pessoas que eu já conhecia e também as que fiquei conhecendo ali. Rolou uma química também com a Amora [Mautner, diretora artística da novela], que eu também não conhecia. Ela foi importantíssima nesse processo. Tanto eu quanto a Paolla estudamos bastante [os personagens]. Minha parceria com o Walcyr [Carrasco, autor da trama] já vem de alguns anos. Pra agradar o público, acho que tem que haver essa parceria, não dá pra fazer nada sozinho. É uma troca, um trabalho em equipe.

Como é a sua relação com o Lee Taylor, seu antagonista em A Dona do Pedaço? De alguma forma, vocês trocaram entre si os papéis de algoz e de mocinho no decorrer da história…

Eu queria dizer, em primeiro lugar, que sou fã do Lee Taylor. Acho que ele tem muito a contribuir com a interpretação dele, porque ele vem de um lugar muito importante, que é o CPT [Centro de Pesquisa Teatral do Sesc, coordenado por Antunes Filho]. A carreira dele no teatro, o rigor dele, tudo isso ajuda a gente… É um cara que eu ainda não conhecia pessoalmente [antes da novela], embora já conhecesse o trabalho. A troca entre nós foi muito boa, e acho que a gente mantém isso. Sinto que ele está aproveitando um pouco do que eu trouxe no começo, e vice-versa.

O que podemos esperar dessas últimas semanas do folhetim? Vai ter muita aventura?

Eu acho que tem que rolar tiro, porrada e bomba. [risos] Vai ter muita crueldade.

Por mais que tenha se redimido, o Chiclete começou a história como um matador. Você acha que ele merece uma punição no final, por conta desse passado?

Eu acho que, na vida, merece uma punição sim. Mas, nesse lance mais romanceado, floreado… Vamos fazer o quê, colocá-lo na cadeia por um capítulo? [risos]

É engraçado ver como o público torce por você nas novelas, mesmo diante de personagens ‘pesados’. Foi assim em O Outro Lado do Paraíso (2017) e está sendo de novo agora. A que você atribui isso, além do seu carisma?

Ao Walcyr Carrasco, que me dá esses presentes, desde o Candinho [da novela Eta Mundo Bom, de 2016]. E aí é bom você ir afinando essa relação artística, né? Pra bom entendedor meia palavra basta. Eu confio muito no trabalho dele – tanto é que, até estrear, eu não sabia direito qual era o meu personagem, mas eu confiava muito. E atribuo também à muita dedicação. Não consigo fazer um personagem de qualquer jeito, sabe? Eu vou investigar, na vida mesmo, pra poder transformar, como ator, essa história em um pouco de poesia. O Gael [de O Outro Lado do Paraíso], por exemplo, acho que foi um personagem socialmente importante, porque, depois dele, as pessoas começaram a denunciar mais [casos de violência doméstica] e essa foi a grande lição da coisa toda.

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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