Giovana Cordeiro fala sobre cenas picantes em O Outro Lado do Paraíso: “Fico muito à vontade com isso”

Publicado há 3 anos
Por Greicehelen Santana
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Para o público da novela O Outro Lado do Paraíso, Cleonice, interpretada por Giovana Cordeiro, ainda é um mistério. Neta de Dona Mercedes (Fernanda Montenegro), a jovem não aceita a vida simples e tem a ambição de mudar de vida. Em bate-papo com a nossa reportagem, a atriz contou um pouco sobre o romance da sua personagem com Mariano (Juliano Cazarré) e sobre a possibilidade da moça parar no bordel Love Chic. Confira:

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Fale um pouquinho sobre a sua personagem…

A Cleo é uma menina do interior, criada pela avó e a trama dela está começando a se desenvolver agora, que ela encontrou o personagem do Juliano Cazarré, que é o Mariano. Ainda vai ter muita coisa para contar. Só que assim, ela se envolve com o amante da Sophia (Marieta Severo), que é a grande vilã da trama, então, com certeza isso vai gerar uma consequência não positiva, que já está prestes a acontecer. Ela é um bichinho do mato, que tem muitas curiosidades, com muitas coisas, com as pessoas, ela tem uma vida muito reclusa e ela anseia conhecer mais da vida. Acho que vai dar para mostrar muito da Cleo, ainda está caminhando, e essa novela tem disso, de desenvolver aos poucos cada núcleo. E, já, já vem essa parte da Cleo com esse amor do Cazarré, que é mais velho que ela, é o primeiro amor, a descoberta sexual, ela transita da menina para mulher.

E a avó dela, a Dona Mercedes (Fernanda Montenegro) é vidente. Como fica, como esconder essas novas aventuras da Cleo?

A sorte da Cleo é que a avó não consegue ver o futuro dela. Ela diz que fica distante, porque senão, ela enxergaria, já que não vem coisa boa por aí.”

Você já está tendo respostas sobre a sua personagem? Como está a repercussão?

A repercussão está sendo muito positiva. Como eu falei, ainda não desenvolveu completamente a história dela, então, as pessoas estão curiosas. Muita gente me pergunta sobre o que vai acontecer com a Cleo. Ela é misteriosa, desde criança demonstra que não gosta muito da vida que leva, porque a avó faz tudo por caridade, não aceita dinheiro, e a Cleo não entende isso de não ter dinheiro em casa, de não ter comida. As pessoas percebem que tem isso ali, mas ainda não sabem desse mistério dela. As meninas também perguntam muito sobre o que eu faço com o cabelo. Está sendo muito positivo, assim como foi em ‘Rock Story’, até porque a personagem era muito carismática, muito do povo, e eu espero que se mantenha assim.”

E você é uma mulher muito sensual. Você acha que isso ajuda um pouco?

Eu acho que tem um pouco disso na personagem. A primeira cena dela, que eu fazia, porque antes tinha a Bruna Guimarães, que fazia ela criança, já era ela chegando e todos os caras olhando, isso chama atenção.

E como você lida com o figurino da Cleo?

Ela usa muitos shortinhos. Ela não tem muito dinheiro, eu acho que é tudo meio de doação. A gente teve essa conversa com o figurino, é alguma coisa que alguém deu ou que ela ainda tem desde criança. Então, o short que ela usava com 12 anos, continua usando hoje em dia.”

Mas para ela usar esses shorts tem de estar bem em forma. E você está, né?

Obrigada! A gente malha bastante para isso (risos).

Tem uma história ainda de que ela vai para o bordel. Como é isso?

Eu não sei se ela volta definitivamente, nesse primeiro momento, vai ser só uma passagem. Ela vai um pouco por amor ao Mariano, para tentar ajudá-lo. É isso que eu posso dizer.

Você já imaginou ela virando prostituta?

Isso é doido, né? Porque a avó é quase uma santa, e se ela seguir por esse caminho, é bem louco. Eu acho que ela tem uma ambição, não sei até onde ela iria com a ambição dela de querer mudar de vida, mas eu acho possível. Para mim, como atriz, vai ser maravilhoso se isso acontecer, se essa transição acontecer, poder mostrar isso.

Giovana Cordeiro (Divulgação/ TV Globo)

E você já está se preparando para esse possível rumo da Cleo? Vendo referências, filmes?

Sim, muitas coisas. A gente teve uma preparação com o Melevski, com as outras meninas do bordel também, e assistindo a muitos filmes. Conversei com algumas meninas, observo sempre, vi muito documentário, muita reportagem.

O que você sentiu dessas meninas que fazem sexo por dinheiro?

O que mais me pegou foi ver prostituição infantil. Eu vi muita criança de 11, 13 anos, que os pais não sabiam, e elas iam por conta própria, porque uma amiga chamava. Eu vi uma cafetina que era uma menina de 16 anos, ela que fazia essa ponte. A relação com o sexo dessas meninas é diferente de uma mulher de 20 anos. Tinha meninas que perderam a virgindade no programa, e, isso é assustador. E eu acho que não tinham noção do quão grave era aquilo, elas falavam: “Eu estou fazendo por dinheiro porque lá em casa não tem dinheiro”. Aí eu perguntava se os pais sabiam e elas falavam: “Fingem que não sabem”. É assustador ouvir isso de uma criança. E isso me pegou mais, porque eu acho que é um pouco da inocência da Cleo, já que a primeira relação sexual dela é com o Mariano. É um pouco essa falta de noção do que realmente é, porque ela ouve a avó falar, ela sabe que aquilo é errado, mas ela não tem a noção total do que é se prostituir.

O que você pensa sobre quem se prostitui?

Eu acho que é uma profissão como qualquer outra. Eu respeito muito, é a vida particular de cada um, como cada um vai seguir a sua vida. É difícil pra caramba, tem gente que acha que isso é uma vida fácil, é longe de ser isso. Compreendo, até porque no meu lugar de atriz, eu não julgo de jeito nenhum.

No momento em que a Cleo vai para o bordel, vai haver uma interrupção no relacionamento com o Mariano. Mas você torce para a reconciliação deles no futuro?

Eu torço muito para o casal. Lógico, tem várias pessoas com quem ela pode se relacionar, mas eu gosto da combinação do cara ser mais velho, de trazer uma maturidade, de mostrar um pouco da vida para ela, que isso pode ser explorado e eu acho a figura do Cazarré muito brasileira, isso a gente ouviu. A gente ouviu muito: “Vocês são um casal muito brasileiro”. E eu acho isso muito legal, gosto muito de contracenar com ele. Ele é muito inteligente, me deixa muito à vontade, eu ia gostar de ter mais isso.

O Outro Lado do Paraíso é a sua segunda novela, e você está contracenando com Fernanda Montenegro, uma das maiores atrizes do país. Como é isso para você?

Não dá para dizer que não fico nervosa, não tem como. Eu gravei uma cena com Fernanda Montenegro, Lima Duarte e Laura Cardoso, eu no meio disso, então, é uma grande responsabilidade. Eu lembro que um dos testes que fiz, era um diálogo com a avó e o Lipe, que é um dos diretores, quando ele falou que a avó seria a Fernanda Montenegro, aí eu disse: “Você podia ter falado isso depois do teste”. Eu abstraí e fui. Daí, depois, quando eu a conheci, virei mais admiradora, porque ela já tem 88 anos, se não me engano, tem uma disposição incrível, uma vocação incrível para o que faz, um respeito pela profissão e por tudo. Eu a observo muito, ela também é de dar toque: “Por que não faz assim?; Vamos um pouco mais devagar nessa cena?”. Eu observo muito o que ela e o Lima fazem, de entrosamento.

Foi difícil gravar as cenas com a Fernanda?

Para mim, foi difícil porque quando eu cheguei já estava acontecendo, eles já estavam gravando, então, eu tive que chegar e ver qual era. Mas me deixou muito à vontade também, jogar de igual para igual. Não sinto tanto essa coisa dela ser tão grande quanto ela é, a gente vê isso em cena pela potência dela como atriz.

Rock Story foi uma novela das 19h,  e a sua personagem teve muita repercussão. Você está sentindo uma diferença agora, por ser uma novela das 21h?

Sinto muita diferença. Lá, em Rock Story, eu estava no núcleo cômico da novela, com o Evandro Mesquita, Ana Beatriz Nogueira, Rafa Vitti, e a personagem era muito popular. Então, a abordagem das pessoas comigo era diferente, as pessoas falavam comigo igual a Stefany, e eu falava como a Giovana, e elas estranhavam. E agora é diferente, até pelo núcleo, pela abordagem da novela, mas ainda assim, é tranquilo, positivo e respeitoso.

Como a Cleonice chegou até você? Você precisou fazer teste ou foi convidada?

Em Rock Story, eu era participação e virei elenco. Na minha participação, a Bruna, produtora de elenco da novela, me viu e me chamou para fazer um teste. Aí eu fiz um teste em dezembro ou janeiro, não lembro, e um mês depois, ela disse que eu passei, mas que não sabia ainda qual seria o personagem. Alguns meses depois, ela me ligou pedindo para eu voltar para fazer o teste para uma outra personagem. Aí, eu fiz mais dois testes, foram três testes no total para estar aqui. Mas Rock Story foi a porta, foi lá que eu fui vista.

Rafael Vitti e Giovana Cordeiro nos bastidores de Rock Story

E como foi para entrar em Rock Story?

Foi teste também. Era eu e mais várias atrizes que eu conhecia já, e que acho ótimas atrizes. O teste foi com o Rafa Vitti, inclusive, para ver se combinava.

Em qual você ficou mais nervosa?

Eu não lembro. Eu estava numa fase muito: “Vou lá mostrar o que eu sei fazer”. Rock Story foi bom porque me deu um pouco dessa segurança do meu trabalho, que foi a primeira vez que eu vi a repercussão do que eu estava fazendo. Mas, eu não lembro, qual fiquei mais nervosa, acho que no segundo daqui eu fiquei, porque eu já tinha recebido um “sim” no primeiro, mas eu falei: “Meu Deus, se eu mandar mal, será que não vai rolar?”. Aí, eu fiquei nervosa, acho que duas vezes mais.

Como é a história da sua carreira? Você fez cursos?

Eu sou formada em Artes Cênicas, fiz faculdade. Antes disso, eu tinha feito um curso de teatro, mas a minha formação como atriz, eu tenho da faculdade de Artes Cênicas mesmo.

Como é para você representar essa questão da prostituição infantil, ainda mais na região do Nordeste brasileiro?

Eu ainda não sei como vai ser isso na história. Essa sua pergunta é boa, porque não tinham me perguntando ainda. É uma grande responsabilidade, eu confio muito no autor, então, eu sei que ele não vai me colocar em uma situação que vá prejudicar essas pessoas. Acho que vai representar de uma forma muito positiva, é importante falar disso. Se bem que a Cleo é maior de idade, não é bem uma prostituição infantil, e ela vai ciente mais ou menos do que está fazendo. Mais do que falar da prostituição infantil, já que não vai ser o caso, é também o respeito à prostituição, às garotas de programa, porque aqui no Brasil a gente ainda tem uma dificuldade para acompanhar essa discussão. A gente está com muito cuidado, foi muito conversado para não entrar no caricato no bordel, para não entrar num lugar de alegria fantasiosa, porque não é. Tem as suas dores, tem os seus momentos, tem a dignidade, tem o respeito também, o respeito com o corpo da mulher, porque ali é o trabalho dela.

Você está preparada para gravar cenas quentes com o Cazarré, que é um ator tão intenso?

A gente gravou uma e foi muito tranquilo, muito respeitoso, até porque não teve essa coisa sexual da primeira transa. Foi bem tranquilo, muito à vontade, muito respeitoso. A primeira cena que eu gravei foi na cachoeira mergulhando de calcinha, foi super tranquilo no momento, e eu vi que na edição eles foram totalmente cuidadosos. Então eu confio 100%, fico muito à vontade com isso.

Você é uma pessoa vaidosa? Tem cuidados especiais com o cabelo, com o corpo?

Eu faço coisa para caramba. Eu não gosto de ficar repetindo a mesma coisa sempre, então, cada dia, eu estou em algum lugar. Eu faço pilates, crossfit, funcional na praia, jogo futevôlei, cada dia eu vou para algum caminho. Vou na academia de vez em quando. E no cabelo, eu tenho a Vânia, que cuida dele, porque eu sou totalmente desligada com essas coisas. Eu fui numa loja e perguntei: “Moço, o que eu compro para cabelo cacheado?”. Mas eu estou ficando mais preocupada com isso agora, antigamente eu não fazia quase nada de cuidado com a pele e tudo mais. Então, eu me preocupo em cuidar da minha pele, usar um sabonete bom, usar um creme antes de dormir, estar sempre com a pele limpa. Eu uso pouca maquiagem mesmo, então, isso já ajuda. Procuro me alimentar bem, fazer exercício, sempre com protetor solar. E agora aumentou o cuidado com o meu cabelo.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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