Flávio Bauraqui define seu personagem em Filhos da Pátria: “Malandro de época”

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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O ator Flávio Bauraqui faz parte do elenco da série Filhos da Pátria, escrita por Bruno Mazzeo, e que estreia na Globo em setembro. Durante o evento de lançamento da série, ele conversou com nossa reportagem e contou sobre a visão que tem do Brasil através da ótica do programa. Confira:

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Seu personagem é o Zé Gomes, irmão da Lucélia, personagem da Jéssica Ellen…

Sim eles são irmãos, mas bem diferentes, porque ela junta dinheiro para conseguir comprar a liberdade, mostrando que é possível vencer honestamente, por isso diferente dele.

Você interpreta um escravo liberto, que está um passo à frente da irmã nesse aspecto.

Sim. Ele conseguiu a liberdade dele fingindo que tinha um problema na perna, então ele consegue espertamente sobreviver ao caos de poucos anos pós escravidão, para ele no caso. Ele decidiu que não queria ser escravo, assim como Lucélia, mas ela decidiu de uma outra forma. Ele tem uma comicidade e uma esperteza que o considero um malandro de época.

Você acha que ele é representante do jeitinho brasileiro?

Ele é, isso não tem como negar, mas ele está numa selva, num lugar em que se ele não fizer isso, ele não sobrevive. Os escravos quando eram libertos, não tinham nem sapato para calçar, então tinham que se virar mesmo. De certa forma o que acho bacana da série é que ninguém é santo, são todos normais, sem maniqueísmo. Às vezes nós brasileiros, achamos que o outro está sendo corrupto sem ver nosso próprio lado. A corrupção está em vários lugares, e algumas pessoas acham que não são corruptas, mas são. Se a gente parar para pensar, em algum momento, já demos uma bola fora.

Você acha que os fins justificam os meios?

Não justificam porque na verdade todos nós deveríamos ser totalmente honestos, mas esse é um pensamento Poliana. A realidade é tão injusta, que o injustiçado acaba sendo injusto por conta da injustiça que cai sobre ele. O mundo ideal seria outro, mas infelizmente não é assim. Tento ser o mais correto possível como cidadão e fujo de tudo o que eu acho que não é tão legal, mas no caso do Zé Gomes, coitado, tinha que sobreviver àquilo tudo que era negado na sociedade, faz por uma necessidade. Não é uma desculpa, mas era a condição dele naquele momento.

Como você enxerga a importância dessa série para o momento político que estamos vivendo?

Engraçado, esperamos tanto tempo para a série chegar e estrear… Na época que gravamos, a coisa estava quente, mas agora a coisa está em ebulição e acho que foi a melhor época possível para se falar desse Brasil tão corrupto, e desagradavelmente desonesto. Não temos mais para onde correr. Nas próximas eleições, em quem votaremos? Não sobrou pedra sobre pedra. Então Filhos da Pátria tem um humor que é necessário. Apesar de que tem horas que humor até perde seu brilho diante de tanta tristeza. Outro dia alguém me disse assim: “Os políticos estão roubando o papel dos comediantes” e é verdade porque até pra fazer comédia em cima deles é difícil, porque tudo o que eles fazem é tão absurdo que fica complicado ser mais comediante que eles.

*Entrevista realizada pela jornalista Núcia Ferreira

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