“Eu quero ter dignidade, eu quero é ter trabalho”, afirma Marcos Oliveira, que estará em Deus Salve o Rei

Publicado há 3 anos
Por Paulo Henrique Lima
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Durante 14 anos, Marcos Oliveira deu vida ao personagem Beiçola, em A Grande Família. Após o fim da série, o ator usou as rede sociais para pedir emprego a exemplos de outros astros. Na ocasião, ele escreveu: “Oi gente, sou o Marcos Oliveira e estou na batalha. Estou sem contrato e quero trabalhar. Beijos”. Atualmente, ele se prepara para ser visto novamente pelo grande público, como o personagem Heráclito, na novela Deus Salve o Rei, próxima trama do horário das 19h. Marcos bateu um papo com nossa reportagem, e falou sobre a oportunidade de voltar à Globo numa trama medieval, e sobre o sucesso de seu antigo personagem. Confira:

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Como surgiu o convite para participar de Deus Salve o Rei?

Olha, eu fiquei sabendo através da imprensa, de que eu iria participar de Deus Salve o Rei. Depois de duas semanas, o Fabricio Mamberti (diretor da novela) oficializou o convite. Eu fiquei muito feliz!

Você postou nas redes sociais um desabafo sobre estar desempregado. Você imaginava tamanha repercussão? 

É, foi muito legal. Eu estava passando por um perrengue danado, e aí, a porta se abriu para eu poder fazer essa novela, que é um presente, é um presente por tudo: pela estrutura, pela história que eu adoro, entendeu? É muito gostoso participar de uma novela que se passa na época medieval. Estou adorando fazer parte desse projeto.

Fale um pouco sobre seu personagem na trama?

Olha, é um Duque, que vem trazer a sobrinha para se casar com o Rei Rodolfo (Johnny Massaro), e, aí, a história vai começar a andar e se desenvolver.

E essa troca com essa nova geração? Já que você tem bastante experiência no ofício?

Isso é maravilhoso, uma turminha barra pesada, no sentido de que eles estão preparados. Eles lutam, não têm medo, vão encarando e vão fazendo, acertando ou errando, eles estão dispostos.

Como foi a preparação do elenco?

Tem a preparação de atores, a gente já começa a entender como interpretar para uma câmera só. Isso que é bem legal também. E a situação da comédia não está no comediante, na forma de dizer o texto, mas na situação, a situação que é legal.

Até hoje todo mundo chama você de Beiçola, seu personagem de sucesso em A Grande Família. Como é isso? Você gosta?

Já foi o tempo, eu o fiz por 14 anos. Por um lado eu sei que é um carinho das pessoas que têm esse retrato da minha pessoa como o Beiçola, mas por outro lado, a vida prossegue e é legal você poder fazer outras coisas, ter outros nomes, personalidades. Então, eu estou achando muito legal poder fazer essa coisa de criar um novo personagem. Enfim.

Quando você publicou o desabafo na época em que estava desempregado após A Grande Família, muitas pessoas criticaram você, afirmando que você era rico, e que só queria aparecer na televisão. O que acha disso tudo?

Não, imagina, a gente batalha todo instante. Como arroz e feijão, entendeu? A coisa não é fácil, ainda mais no momento de crise. A gente tinha outras coisas, e ficar dependendo de uma só emissora é muito barra pesada. E, eu gostaria muito da gente poder fazer muitas coisas fora da televisão também: filme, teatro, show. Compreende? Mas a gente está vivendo um momento de muita miséria cultural, então, isso é muito terrível, porque a única coisa que resta é cerveja e futebol, e vendo essas tragédias que acontecem por aí. Então, a gente está se tornando um povo, no mau sentido, medieval, troglodita, que não sabe ver o sabor das outras coisas da vida.

Quanto tempo você ficou desempregado após A Grande Família?

São 14 de Beiçola, fora, eu fiquei desempregado 2, 3 anos. Hoje, eu estou pagando empréstimos que eu fiz para sobreviver, para comer, para pagar aluguel, essas coisas. Agora com a novela no ar, está dando para colocar comidinha em casa, para pagar o aluguel atrasado, etc. Mas o principal é voltar a trabalhar, e isso que eu acho fundamental na vida de qualquer ser humano. Eu quero ter dignidade, eu quero é ter trabalho. Não importa quanto eu ganhe! Me perguntaram assim: “Quanto você quer para acertar (participação na novela)?”; e eu disse: “Não, me pague o que vocês quiserem numa boa, e eu estou aqui com grande prazer”. Estou trabalhando pela justa causa da minha sobrevivência e querendo que a novela faça um grande sucesso. O resto, bicho, a gente vai levando.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.
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