“Estamos indo onde está a maioria da juventude brasileira: à periferia das grandes cidades”, diz autor de nova temporada de Malhação

Publicado há 2 anos
Por João Paulo Reis
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Emanuel Jacobina é o autor da
nova temporada de Malhação subintitulada
Toda Forma de Amar. O roteirista começou
a carreira na Globo em 1988, como roteirista do memorável TV Pirata. Na sequência, integrou o time de outros programas de
humor como Casseta & Planeta Urgente!,
Os Trapalhões, Sai de Baixo e A Grande Família.

Em 1994, com a autora Andréa Maltarolli, criou Malhação. A trama estreou no ano seguinte sob a direção de Roberto
Talma, que também participou da concepção do projeto. Ao longo dos quase 25
anos de exibição da franquia, Jacobina atuou em várias temporadas, como autor principal ou
colaborador. Passou a conhecer como poucos o universo dos jovens e por isso
sempre é convidado para escrever uma nova temporada.

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As mais recentes
como titular foram Seu Lugar no Mundo
e Pro Dia Nascer Feliz, entre 2016 e
2017. Em sua trajetória como autor, também escreveu as novelas Coração de Estudante (2002) e foi
colaborador de Kubanacan (2003) e Beleza Pura (2008). Confira o bate papo
com o autor que falou sobre as inspirações para a nova história.

Tema da temporada

A trama traz
histórias de amor vividas de diferentes formas. O que te motivou a escrever
sobre esse tema?

Eu quis contar a história de duas mães que amam uma criança com a mesma intensidade, mas de maneiras diferentes, do ponto de vista da mãe biológica e da que adotou. Sempre quis escrever uma história que envolva adoção, acho importante apresentar a força e a grandeza do significado dessa atitude. A ideia é construir uma trama em que, através de diferentes tipos de relação, o amor é o sentimento que predomina, em especial a amizade. Achei importante ir além do amor romântico, embora eu também fale desse amor. O título Toda Forma de Amar se refere à história das duas mães e às diversas relações entre os personagens dentro da narrativa.

Seis jovens
testemunham um crime e se unem para lidar com problemas da nossa sociedade,
como a violência urbana. Fale um pouco sobre como essa história vai movimentar
a trama.

Estamos diante de
uma situação, infelizmente, muito comum no Brasil e no Rio de Janeiro
especialmente. O número de assassinatos é assustador, e as principais vítimas
da violência no Brasil são jovens. Tenho filhos de 23 e 21 anos com plena
autonomia para sair à noite e, para mim, é sempre um fator de preocupação.
Minha intenção é abordar esse assunto buscando aquilo que há de melhor e de
mais generoso no brasileiro: a empatia e a generosidade com o próximo. Não
existe maneira de transformar nossa realidade se a gente não falar a respeito.
Na dramaturgia, quando um crime acontece e é investigado, acontecimentos vão
gerando novos fatos que trazem descobertas e implicam pessoas e situações. Ao
longo da história, teremos várias reversões de expectativa sobre quem matou o
rapaz e quais as motivações desse crime.

25 anos de Malhação

Você é um dos
criadores de Malhação, que, no ano
que vem completa 25 anos no ar, quando essa temporada ainda estará sendo
exibida. Como enxerga os tempos atuais da franquia?

Durante todo esse tempo Malhação segue sendo o único horário de dramaturgia diária que tem o jovem brasileiro como seu principal foco. Nesta temporada, temos atores adultos espetaculares, mas que dividem a responsabilidade de representar a história com um número muito maior de jovens. É a partir da existência do jovem que você conta a história dos outros personagens. Estamos trazendo uma renovação nessa temporada que é falar sobre a periferia das grandes cidades. A faixa etária de quem vive na Baixada Fluminense é mais jovem do que a de quem vive na zona sul ou na zona oeste do Rio de Janeiro. Estamos indo onde está a maioria da juventude brasileira: à periferia das grandes cidades.

É um desafio
dialogar há tanto tempo com uma geração que muda de gostos e de pensamentos tão
rápido?

Eu tenho estado
sempre próximo de jovens por causa dos meus filhos. Isso, de certa forma,
facilita que eu tenha elementos de linguagem e entenda a prosódia do jovem
brasileiro. Para mim, é um grande prazer porque, quando você fala do jovem,
está falando de energia e alegria. O que o distingue, de uma maneira geral, de
pessoas mais velhas é a disposição e o entusiasmo pela descoberta da vida, o
inusitado das experiências. O jovem te energiza e te traz alegria, é sempre
muito bom escrever sobre ele.

Direção

Como está sendo
a experiência de trabalhar pela primeira vez com o Carlos Araujo e repetir a
parceria com o Adriano Melo?

Estou adorando
trabalhar com o Carlos, é um excelente diretor e tem uma experiência enorme,
com um número de novelas talvez maior do que eu e Adriano juntos. Agrega muito
valor ter o olhar dele sobre o todo, sobre os critérios mais importantes da
narrativa. Com o Adriano, tenho uma relação de amizade e de identidade
artística. Já fizemos alguns trabalhos juntos, o mais recente foi Pro Dia Nascer Feliz, em que ele era
diretor-geral. Eu o considero um grande diretor de elenco e um profissional que
tem uma compreensão de transição de cena muito parecida com a minha escrita. Eu
escrevo para que a entrada e saída da cena tenham um componente forte, e a
tangente seja de comédia. E é muito bom encontrar um diretor que, ao dirigir,
também pensa as cenas dessa forma.

O que o público
pode esperar dessa temporada?

O público pode
esperar muito entretenimento e humor. Temos diversos núcleos que lidam com as
dificuldades do dia a dia com um humor impressionante. Também iremos discutir
questões que nos afligem, como a violência urbana, o preconceito, a evasão
escolar. O público pode esperar se sentir confortado por personagens e
histórias que espelham o que há de melhor no ser humano. Especificamente,
espelham a vontade que o ser humano tem de amar o próximo.

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