“Depois que me tornei pai minhas ambições se transformaram”, afirma Felipe Simas sobre desejos profissionais

Publicado há 2 anos
Por Cadu Safner
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Felipe Simas está no elenco de O Tempo Não Para fazendo sucesso na pele do Elmo, melhor amigo de Samuca (Nicola Prattes). O personagem terá uma reviravolta na sua história e em entrevista ao Observatório da Televisão, Felipe conta sobre a repercussão nas ruas, processo de construção do personagem, semelhanças com ele e, é claro, sobre conciliar trabalho com família. Felipe Simas foi jogador de futebol e hoje, além de ator é pai de um casal e casado com Mariana Uhlmann. Confira:

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Como tem sido o retorno das pessoas sobre seu personagem e sobre esses primeiros momentos da novela?

Eu acho que o primeiro capitulo impressionou. Eu fiquei de boca aberta com os primeiros momentos. A gente entendeu um pouco a fábula da novela e embarcou na história. É muito louco. A cada descoberta de novas tecnologias, de cada descoberta do ser humano.  De lá pra cá muita coisa mudou para o positivo e muita coisa também mudou para o negativo.

A novela mostra isso de precisar de um cara que vem lá de 1886 para nos falar que o ser humano está maluco e que os valores estão invertidos. É diferente e importante. Estou me divertindo muito.

Elmo (Felipe Simas) em O Tempo Não Para (Divulgação/ TV Globo)

O ator  afirma sobre a falta de valor à amizade

Como você tem visto essa relação dele com Samuca?

O Elmo tem bom coração. Eu acho que a falta de ambição que ele tem não pode ser muito negativa também. Tem pessoas que são muito ambiciosas e tem outras que não querem ter tanta coisa assim.

Eu acho que ele tem um grande amigo, um história linda de amizade entre os dois. A gente fala de amor entre mulher e homem, homem e homem, mulher e mulher, mas se fala pouco sobre amizades. Aquele sentimento genuíno que falta hoje em dia. Falta darmos valor aos amigos que cresceram com a gente e sabe das nossas dores, das nossas perdas. Falta darmos valor às cosas assim.

“Ele vai descobrir sua autoestima”, revela o ator sobre os novos rumos de Elmo

Conta sobre esse encontro com a congelada Miss Celine, como vai ser?

O Elmo é um cara muito aberto e disponível. Ele não tem  compromisso real com ninguém. Talvez ele até quisesse algo com a Waleska, mas tem uma diferença de ambição, ela é um tenente, capitã, e o Elmo dorme no sofá, pra ela tem diferença, ela queria que o Elmo proporcionasse outras coisas além só de prazer. Talvez de companheirismo, mas, ele não se afeta com isso.

Ele carece de um incentivo. A historia dele com a Miss Celine é o salvamento da vida dela. Ele se torna um herói pra ela. Ele vai descobrindo sua autoestima e isso vai crescendo juntamente com o trabalho. Ele vai ter um estalo na vida.

Elmo (Felipe Simas) em O Tempo Não Para

Você esse diverte fazendo a novela?

É muito bom, estou me divertindo. A cada trabalho eu peço para Deus que me mostre algumas coisas. E para esse personagem eu pedi para que eu me divertisse muito. Eu quero fazer algo leve e poder rir nas gravações.

“Quando você se diverte o público se diverte junto”

Tem uma fala do Edson que ele disse que nesse tempo não se dá mais valor as palavras. Isso te faz refletir?

Quando eu jogava bola, me inspirei muito num jogador que se chamava Deco, eu lembro que ele veio para o Fluminense direto do Barcelona, e numa coletiva um dos repórteres perguntou porque ele não foi para o Corinthians, sendo que eles ofereceram mais dinheiro. Ele respondeu que era do tempo em que a palavra valia mais que o dinheiro. Ele tinha se comprometido com o Fluminense e honrou a palavra. Então é isso. Falta isso hoje em dia, a valorização e a honra da palavra.

Ele vai arranjar um emprego?

Ele arruma através do amigo. Ele entende que  se ele não acordar pra vida, não vai dar. Eu acredito que a autoestima vai estimular ele a fazer coisas interessantes também. Ele é colocado num cargo que não tem experiência, ele pega segurança  nisso e enxerga suas qualidades.

“Não teria problema ele ser gay”, diz o ator sobre o personagem ter sua sexualidade questionada

E quando Elmo é questionado sobre sua sexualidade? o que você achou dessas cenas?

Ele é um coração grande, não teria problema ele ser gay. O mais interessante quando a pessoa pergunta se ele é gay, é que isso confunde mais quem está perguntando. Os congelado vieram de 1886 e não existe uma aceitação lá trás, e agora, de certa forma sim. É uma jogada muito interessante que existe na novela.

Existe alguma semelhança entre você e o personagem?

Tenho muita coisa dele. Eu acho ele tem uma ingenuidade, uma pureza.

Como é a composição para o personagem?

Eu acho que novela é um processo diferente. A gente acaba conhecendo mais do personagem conforme os textos forem chegando. Cada processo é um processo. De cada personagem é de uma forma diferente. Do Elmo eu estou muito no texto, observando as falas dele, assim eu consigo ver a humanidade dele.

Ele é um cara divertido e alegre, mas por trás de toda a graça existe uma dor, existe um peso. Todo ser humano tem uma dor e quando você revela isso, existe uma compaixão.

“Uma vez eu escutei que os atores precisam ter uma compaixão dos personagens que eles estão lidando”

Elmo é pau para toda obra, você também é?

Sim. Eu sou! (risos)

Quais são suas ambições profissionais para os próximos anos?

É muito difícil. Depois que eu me tornei pai a minha ambição se transformou. Eu amo o que eu faço, eu não sei o que eu faria se não fosse isso. Não existe nada mais sagrado e divino que meus filhos e minha família. Minha ambição é zelar pela minha família. Minha ambição profissional é me divertir ao máximo com todos os personagens dos quais eu vier a dar vida.

Quando o assunto é mais filhos o ator não esconde a vontade de ter mais

“Eu penso muito. Talvez se eu não pensasse muito eu já teria mais um” (risos)

Hoje você está muito mais solto que antigamente. A que se deve isso?

Acho que é disciplina. Quando eu comecei no audiovisual era tudo muito novo pra mim. Eu não entendia como funcionava, me sentia inseguro. Quando eu entendi o mecanismo e que eu preciso estar aqui e dar entrevista, falar sobre meu personagem, e ver o que faz parte do meu trabalho e que eu sou uma pessoa pública, eu entendi melhor. Ser uma pessoa pública é apenas um a consequência do meu trabalho, eu tenho que lidar com isso. Hoje em dia eu adoro estar aqui.

Sobre a vida pessoal ele revela ser um paizão coruja

Você se surpreendeu com o pai que você se tornou?

É difícil a gente se olhar de fora. Eu já tentei parar um momento e observar as atitudes que tenho com os meus filhos. Eu li muito a respeito de como eu gostaria de ser criado. Eu li um livro que se chama O livro o Direito da Criança ao Respeito, de um rabino.

Ele fala que a criança não é um bicho, quanto mais cedo você estimular a consciência  dela, mais cedo ela terá as respostas. Sempre pensei nisso também, comecei cedo demais, o Joaquim nem andava e eu já estava lá estimulando ele.

Como é a sua relação com seus irmão?

A gente tem se encontrado mais na Globo que fora, na verdade. Pela primeira vez a gente se encontrou por aqui vestidos dos personagens e registramos o momento. Ser uma pessoa pública é apenas um a consequência do meu trabalho. Começamos no teatro fazendo o mesmo espetáculo, e temos esse sonho de nos unirmos em prol de um objetivo e uma ideia conjunta.

Temos características bem diferentes artisticamente, mas, a gente se respeita muito. Estudamos e analisamos o trabalho do outro. Já perguntaram se a gente tem inveja um do outro, é impossível acontecer isso. A gente não precisa ter essa disputa porque tem espaço para todo mundo.

Como você lida com o assédio dos fãs?

É muito respeitoso. A gente reconhece como uma pessoa e não como fã. É uma pessoa que gosta de você. A gente procura quebrar isso, enquanto estamos na TV eles estão no sofá e quando junta os dois é simplesmente duas pessoas conversando.

***Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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