Aline Borges fala sobre a doutora Selma, de Éramos Seis: “Um presente”

Publicado há 9 meses
Por Renan Vieira
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A atriz Aline Borges entrou para a trama de Éramos Seis como a doutora Selma. Ela é a profissional que apresenta um novo tratamento para Justina, de Julia Stockler. A chegada para a atriz foi das mais tranquilas, já que não encontrou nenhuma resistência do elenco que está trabalhando há muito mais tempo junto.

Em entrevista ao Observatório da TV, ela conta que foi muito recebida pelas atrizes de seu núcleo, explica a importância de sua personagem para a história e para o público. Confira abaixo.

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Eu quero falar com você sobre esse personagem que você está fazendo, doutora Selma. Acabou de chegar.

Pois é. Eu estou muito feliz, na verdade. Um presente, essa personagem, que me chega nesse momento, que a gente vive… Esse empoderamento feminino, fala dessa mulher que, na década de 1930, era uma das únicas mulheres que ocupavam um lugar de importância, de empoderamento, ali naquela sociedade da psicanálise. Então, é uma honra muito grande estar vestindo essa camisa, vestindo essa personagem, contando a história dessa mulher.

Agora, você sabia que ia entrar na novela, você estava acompanhando a novela?

Então, eu não estava acompanhando a novela, por falta de tempo, na verdade. Mas, quando eu recebi o convite para entrar na novela, eu fui fazer uma maratona, eu fui para a GloboPlay e coloquei desde o primeiro episódio. Aí, foi uma grata surpresa porque a novela é muito especial, é uma novela que fala com todas as idades, fala com todas as famílias, todas as pessoas, é uma novela que fala e sobrevivência, de luta, de tanta coisa importante, que pega no coração.

Eu assisti a novela e, em alguns momentos, eu me vi chorando rios, sabe? Fora o elenco de pessoas estelares que tem, né? De pessoas incríveis, que eu sempre admirei. Foi um convite que veio de surpresa, me pegou de surpresa, mas que me fez maratonar, conhecer a novela, conhecer a história e entender que eu estava entrando em um lugar muito importante, muito bacana, um presente mesmo. Então, eu agradeço imensamente à Dani Pereira, que é a produtora de elenco que me convidou, que confiou essa personagem.

Como você preparou a doutora Selma?

É engraçado essa personagem cair no meu colo nesse momento, porque eu tenho 44 anos, vou fazer 45 e nunca fiz análise na vida. Mas é uma coisa que eu sempre quis fazer. Porque eu venho de uma família… Os meus pais são de outra década, de outra época. E a minha mãe sempre achou e verbalizou isso dentro de casa, que terapia é coisa de louco. Então, eu nunca fui atrás e busquei terapias de outras formas.

Busquei outras formas de me conectar e entender a minha complexidade. Aí me surge essa personagem. É muito difícil você fazer… Nós atores, sempre que pinta um personagem, nós temos que fazer nossa pesquisa, independente do que é pedido, por nós mesmos. Então, eu fui atrás de conversar com um psicanalista que eu conhecia. Mas, de cara, eu senti falta de… Eu pensei, assim, nas primeiras cenas que chegaram para mim, eram cenas desse primeiro contato com essa personagem.

E eu senti um pouco nunca ter feito uma análise e não saber na prática como é esse primeiro contato, sabe? Se eu tivesse feito análise a vida inteira, eu iria tirar muito mais de letra essa personagem. Mas eu contei com a ajuda das minhas amigas, que são psicoterapeutas incríveis daqui do Rio de Janeiro, e que me trouxeram toda a verdade, o linguajar específico, que você tem que ter. Na psicanálise você nunca pode afirmar nada para o paciente.

Você tem sempre que perguntar ‘O que você acha de falar sobre isso?’. Sempre colocar muito à vontade. Então, eu fui conseguindo trazer o texto para uma realidade que eu não conhecia, mas que eu estou amando conhecer. E eu posso dizer que eu vou fazer terapia, com certeza, depois dessa personagem.

Não é coisa de louco?

Não mesmo. Ainda bem que você falou isso novamente, porque eu também estou podendo trazer isso para dentro da minha casa. Essa conversa, eu estou levando para os meus pais. Meu pai tem 90 anos, minha mãe tem 78. Então, falar sobre isso, com eles, está sendo para mim um presente, porque estou ensinando na prática para ela, que esse tabu, essa coisa que ela sempre acreditou, de que terapia é coisa de louco, não é.

Ela está assistindo a novela por causa de mim. E ela vai entender ali na prática, vendo esse avanço essa paciente, cliente… Hoje em dia, eles não gostam muito de dizer que é paciente, eles dizem que é cliente. Mas a gente diz na década de 30. Então, a palavra é paciente, que é a Justina. O avanço que ela vai ter com esse tratamento, com essa psicoterapia, que, enfim, é necessária para todas as pessoas, para a gente se autoconhecer.

Como está sendo para você contracenar com a Susana Vieira, a Joana de Verona, a Julia Stockler?

É um presente mesmo. Grandioso. Eu já falei que estou fazendo uma personagem incrível, nesse momento que a gente vive, e contracenar com pessoas que você admira… Eu nunca tinha trabalhado com a Susana Vieira. Eu já fiz alguns trabalhos aqui na Globo. Mas sempre admirei o trabalho dela, uma pessoa que está aí há muito tempo e tem muito para me ensinar.

A gente ouve muita coisa, então, eu cheguei com um pouco de dedos, um pouco de medo, quem era Susana Vieira… Eu vou te falar que, no momento que eu saí do meu camarim, eu dei de cara com ela saindo da sala de caracterização. Ela me olhou, primeiro eu dei um sorriso de estar vendo ela pessoalmente, que é uma pessoa que eu admiro mesmo, sempre vi pela televisão, nunca tinha trabalhado junto.

Eu dei um sorriso para ela, de coração aberto, esqueci um pouco tudo que eu ouvi. Mas não que eu só tenha ouvido coisas ruins, não. É importante falar que as pessoas falam mal, mas muita gente fala bem também. Mas pensando nesse lado que as pessoas falam… Eu fui com um pouco de medo. Quando ela saiu da sala, ela me olhou, ela abriu um sorrisão para mim. Ela falou “Quem é essa moça bonita?”.

Aí meu coração fez… Ufa! Aí eu me apresentei, “Eu sou a Aline Borges. Eu vou fazer a doutora Selma”. Na hora que eu falei que ia fazer a doutora Selma, ela me esmagou de tanto amor. Ela começou a me abraçar e falou “Meu amor, eu vou te maltratar muito em cena, mas é só em cena”. E ficou uns dois minutos me abraçando e eu pensando: ‘Meu Deus, estou sendo esmagada pela Susana Vieira’.

Mas ela me recebeu muito bem, não só ela, mas, imediatamente, eu fui muito bem recebida pela Julia Stockler e pela Joana de Verona, que me acolheram. Nós atores, quando a gente entra em uma novela, em um produto que já começou, a gente vem cheio de dedos porque a gente está em um lugar em que o barco já está correndo, e está todo mundo muito afiado.

Essa fábrica de pizza, ele está a mil por hora, então a gente chega com muito receio, embora hoje eu me vejo muito mais segura do que muito tempo atrás. Eu cheguei pisando em ovos, e quando você é recebida de verdade, sabe? De olho no olho. Me dá aqui a mão. E a pessoa fala ‘Vamos juntos, de verdade?’. Faz toda a diferença, porque ali no camarim a gente começou a trocar, a bater o texto e elas falando ‘Estamos juntos, estamos juntos’.

Quando eu fui para o set, eu fui totalmente segura. Totalmente entendendo que está tudo certo. É óbvio, que mesmo que não tivesse essa recepção, eu ia defender o meu da melhor forma. Mas, quando a gente é bem recebido, faz toda a diferença. Eu vi um clima de muita harmonia em todos os lugares em que eu passei, dentro desse produto, de Éramos Seis. O reflexo disso, você vê no ar.

A novela é maravilhosa em todos os sentidos. Faz muita diferença ter um bastidor com amo, ter um bastidor olho no olho, as pessoas do bem, que se preocupam, realmente, com o que a gente está fazendo.

Como foi quando você foi procurar sua personagem nos livros e viu que ela não estava ali?

Eu não tinha lido o livro e não tinha assistido à novela, tinha assistido poucas coisas. Mas eu tenho uma irmã, que é professora, e eu lembro de quando eu era pequena, que ela já tinha esse livro em casa. Então, ela me contou um pouco. Mas a gente nem chegou nesse lugar, dela me falar se tinha ou não tinha essa personagem porque tem muito tempo que ela leu esse livro, muito tempo que ela leu essa história.

Então, nem sei o que dizer em relação a isso. Não sabia que não tinha a doutora Selma na versão original, mas fico muito feliz de saber, mais ainda agora, porque tem todo um significado, eles trazerem essa personagem, e essa mulher ser negra e ser inspirada na Virgínia Bicudo. Então, é mais bacana ainda de saber, dessa escolha. Foi uma escolha trazer essa personagem nesse momento.

Você falou da Virginia Bicudo, mas ela também tem um pouco da Nize da Silveira pela parte da arte terapia?

Sim. É uma mistura, na verdade. Quando me chegou o convite, nem tinha sido citado o nome da Virgínia, só a Nize. Eu fui assistir ao filme, que a Gloria Pires faz brilhantemente bem. Até indico para quem não viu ainda. Um filme muito delicado, que serviu para mim como pesquisa, eu me alimentei muito da forma como ela cuidou daqueles pacientes, daquela história. Me alimentei muito para trazer para a minha personagem.

Sempre que eu vou para o set, eu vejo alguns flashes de como a Gloria Pires vivia a história dela ali, com aqueles pacientes, no filme. Só que depois eu dei uma entrevista em que eu falava da Nize e da Virgínia Bicudo e eu fui orientada que, nesse momento, o que está sendo a inspiração real é a Virgínia Bicudo. Eu acho que tem, né? A doutora Selma traz para ela a coisa da pintura, dela tentar se expressar com a arte, é uma coisa que a Nize trouxe, né? Então, eu acho que tem um pouco das duas ali.

E as pessoas te perguntam muito qual é o segredo da Justina, o trauma da Justina?

Perguntam para caramba! Mas a gente nunca sabe. Eu falo ‘Eu sei tão pouco, eu sei tanto quanto você. A gente está sabendo junto, mesmo que eu soubesse eu não iria poder falar’.

Qual foi a cena mais emocionante, mais desafiadora para você gravar?

Eu não gravei muitas cenas ainda. Mas uma cena bonita… E é muito engraçado a gente observar isso, porque quando a gente está gravando, sem a sonoplastia, sem um final, o que você vê na televisão, como a gente percebe isso fazendo, é bem diferente. Eu fiz uma cena, que era uma das primeiras, da Justina chegando no consultório, a gente se conhecendo e eu levo ela para minha mesa de artes e deixo ela ali livre para pintar.

E, pela primeira vez, ela pega nas tintas… Eu acho que no ar apareceu uns flashes, foi muito rápido, ela se divertindo com as tintas. Fazendo, foi muito bonito, porque me remeteu ao filme que eu vi da Nize da Silveira, com a Gloria Pires. Ali eu fiquei emocionada. Mas, assistindo, eu fiquei mais emocionada ainda, porque entra a trilha sonora, aí tem toda a magia, a luz e tudo mais.

São as cenas do primeiro contato dela com as tintas e ela deixando a arte falar por ela. Aquela cena me comoveu nesse lugar, do quanto a arte tem esse poder de desatar nós, de te deixar falar além do que você poderia falar com palavras.

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