Tom realista supera reforço de estereótipos em Arcanjo Renegado

Mas a série ganha novas nuances no decorrer da temporada

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É impossível não assistir ao primeiro episódio de Arcanjo Renegado, série do Globoplay que acaba de estrear na Globo, sem se lembrar de Tropa de Elite. O discurso e as ações de Mikhael (Marcello Melo Jr), sargento-comandante do Grupamento Arcanjo do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), não diferem do que foi visto no famoso filme de José Padilha, de 2007.

Assim, o primeiro capítulo já tem cara de déjà vu, reforçando no público a impressão de já ter visto isso em outro lugar. E, além disso, a estreia também reforça alguns estereótipos, que parecem levar a discussão sobre a violência urbana e a corrupção na política para um lugar-comum perigoso.

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Isso fica claro no contraponto entre o protagonista, um policial orgulhoso de suas funções e que prega uma espécie de “tolerância zero” à bandidagem, e o jornalista Ronaldo (Alamo Facó), que reproduz discursos críticos à truculência das operações.

O primeiro episódio destaca a pose de herói de Mikhael e mostra Ronaldo como uma figura patética. Trata-se de uma discussão rasa sobre a complexa realidade que envolve a política, o tráfico e as instituições públicas.

Entretanto, no decorrer dos episódios, Arcanjo Renegado acaba conseguindo apagar esta má impressão inicial ao promover uma reviravolta na vida de Mikhael, que vai, sim, conquistando a torcida do público, mas sob uma perspectiva mais elaborada. Não que a série se aprofunde na questão, mas, ao menos, traz outros pontos de vista que acabam superando a mera polarização.

Produção caprichada

Com isso, Arcanjo Renegado vai ganhando substância ao longo da primeira temporada. Mérito do roteiro esperto, que usa sem pudores as mais variadas artimanhas para mexer com as emoções do público e garantir que o espectador retorne no episódio seguinte. Há um crescente de ações que chama a atenção.

Além disso, trata-se de uma produção caprichada, cujo tom realista consegue driblar a armadilha do maniqueísmo. Há bons atores em cena, que garantem a credibilidade da ação. Destaque para Erika Januza (Sarah), Flávio Bauraqui (Barata), Alex Nader (Rafael) e Rita Guedes (Manuela).

Mas o grande nome é Marcello Melo Jr, que vive aqui seu melhor momento na TV. O ator imprime uma incrível veracidade ao protagonista, trabalhando bem as nuances do complexo personagem.

No mais, Arcanjo Renegado não reinventa o gênero série policial. Não difere muito de produções passadas da própria Globo, como Força Tarefa, O Caçador ou A Teia. Mas é uma produção bem-feita e envolvente, que garante a atenção da audiência.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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