Órfãos da Terra e O Clone: há semelhanças entre as duas novelas?

Publicado há 2 anos
Por Fábio Costa
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Na semana passada, o horário das 18h da Rede Globo se despediu de Espelho da Vida, de Elizabeth Jhin, e recebeu sua nova novela, Órfãos da Terra, de Thelma Guedes e Duca Rachid. As muitas dificuldades que o romance de Laila (Júlia Dalavia) e Jamil (Renato Góes) deve enfrentar, mais o pano de fundo da cultura e dos costumes do mundo árabe compõem uma combinação que lembra imediatamente outra novela: O Clone. Escrita por Glória Perez há quase 20 anos (2001/02), a história popularizou expressões árabes e lançou modismos. Além disso, tornou menos estranhos a nós, brasileiros, os costumes dos muçulmanos. Vamos ver os pontos de uma novela que lembram a outra e ver até que ponto existem semelhanças mais profundas entre as duas.

O mundo árabe e sua cultura retornam à teledramaturgia em Órfãos da Terra

Jade (Giovanna Antonelli) e Lucas (Murilo Benício) em O Clone (Divulgação/ TV Globo)

A atual novela das 18h tem como protagonistas uma jovem síria e um rapaz libanês. Os dois se transferem para o Brasil fugindo tanto de uma realidade cruel e sanguinária quanto de um homem poderoso, e igualmente cruel e sanguinário. O casal central de O Clone, Lucas (Murilo Benício) e Jade (Giovanna Antonelli), era formado por dois brasileiros. Mas a moça é obrigada já no primeiro capítulo a se transferir do Rio de Janeiro para Fez, no Marrocos, onde vive seu tio Ali (Stênio Garcia). Ainda que brasileira, Jade era “estrangeira” na história justamente por ser obrigada a seguir os rígidos preceitos dos muçulmanos.

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Enquanto em O Clone eram muitas as cenas de “dancinhas” no melhor estilo árabe, com trilha que se ouve em programas de rádio ao estilo Orient Express, Órfãos da Terra tem também dança típica oriental em sua trama. No entanto, ela é utilizada num determinado contexto, especialmente como integrante de um entrecho de humor. Sarah (Verônica Debom), jovem judia, esconde sua origem e seus hábitos para se aproximar de Ali (Mouhamed Harfouch), de origem palestina.

As coincidências de elenco entre Órfãos da Terra e O Clone

Soraia (Letícia Sabatella) em Órfãos da Terra (Divulgação/ TV Globo)

Em O Clone, Letícia Sabatella e Eliane Giardini tiveram papéis de grande destaque. A primeira era Latiffa, prima de Jade, enquanto a segunda era a solteirona Nazira. Esta era irmã dos maridos das duas primas, respectivamente Mohamed (Antonio Calloni) e Said (Dalton Vigh). Na atual novela das 18h, Letícia dá vida a Soraia, esposa do sheik Aziz Abdallah (Herson Capri) e mãe da vilã Dalila (Alice Wegmann). Já Eliane interpreta Rania, prima de Missade (Ana Cecília Costa), a mãe de Laila.

Uma curiosidade a mais é que tanto Latiffa quanto Rania são nomes que batizam personagens das duas novelas, como Ali é outro. A Latiffa de agora será interpretada por Luana Martau, e trata-se de uma pretendente do amado de Sarah. Já a Rania dos anos 2000 era vivida por Nívea Stelmann, e foi a segunda esposa de Said. Vale lembrar que os muçulmanos admitem a poligamia para os homens, desde que as esposas vivam todas em igualdade de condições. Tio Ali tinha várias mulheres. O sheik Aziz em Órfãos da Terra também tem mais de uma esposa: com Laila, que ele quer desposar a todo custo, seriam quatro.

Do homem que luta contra um vício a outro que defende suas tradições

A saber, Osmar Prado também esteve na novela de Glória Perez e está na de Thelma Guedes e Duca Rachid. Em 2001 ele viveu Lobato, um competente advogado cuja vida é prejudicada pelo vício em drogas. Hoje seu personagem é o judeu Bóris Schneider, avô de Sarah. Ele trama Esther (Nicette Bruno) o casamento do filho dela, Abner (Marcelo Médici), com sua neta.

Paulo Betti atualmente interpreta Miguel, homem com fraco pelo jogo. Esse vício pode prejudicar bastante sua grande família, que formou ao lado da esposa Rania. Só para ilustrar, o ator fez uma participação especial em O Clone no papel de Armando.

A conexão com a realidade presente nas duas novelas

Tanto O Clone à sua época quanto Órfãos da Terra hoje apresentam uma preocupação latente com um assunto da ordem do dia. Em 2001, a discussão em torno da clonagem humana corria o mundo, e foi tratada na novela, aliada aos costumes muçulmanos – motivo de curiosidade após os atentados às Torres Gêmeas, em Nova York, ocorridos três semanas antes da estreia – e ao merchandising social do vício em drogas. Duca e Thelma abordam em sua novela a importante problemática dos refugiados, pessoas obrigadas a deixar sua terra natal à revelia, geralmente por motivos políticos alheios a elas. Outros temas envolvem igualmente os necessários conflitos de cunho religioso e cultural de não dois, mas vários “mundos distintos” que existem.

Guilhermina Libanio viveu Úrsula em Malhação (Divulgação/ TV Globo)

As questões diretamente ligadas às mulheres, como a opressão pelos maridos na cultura do Oriente Médio e o empoderamento das próprias brasileiras, a partir de personagens como Cibele (Guilhermina Libânio), jovem “gordinha” que assume a imagem fora dos padrões de beleza impostos pela sociedade e pela mídia, encontram nesse final da segunda década do século acolhida ainda maior do que quase 20 anos atrás. Com toda a certeza, vale a pena ficar atento ao tratamento dessas questões.

Com efeito, Órfãos da Terra acaba de estrear e temos longos seis meses pela frente. Mas autoria, direção, produção e tema são diversos de O Clone para agora. Com toda a certeza, as eventuais semelhanças devem ser tratadas com habilidade pela equipe. Também vale lembrar que a direção faz bastante diferença e nenhum dos diretores coincide ou já trabalhou com Jayme Monjardim, que comandou os trabalhos da novela de Glória.

*As informações e opiniões
expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou
não refletir a opinião deste veículo.

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