Autora da obra que originou Triunfo do Amor não gostou da versão

Delia Fiallo é uma das novelistas mais aclamadas da teledramaturgia latina

Publicado há 2 meses
Por Fábio Costa
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Na semana passada, o SBT estreou na primeira faixa de suas Novelas da Tarde, às 17h15, a novela Triunfo do Amor. Produzida entre 2010 e 2011 no México, a história tem como protagonistas Victoria Ruffo e Maite Perroni, além de Osvaldo Ríos e William Levy. Ocupa a vaga que era de O Que a Vida me Roubou, encerrada nesta segunda-feira (23).

Os telespectadores brasileiros já puderam acompanhar pelo mesmo SBT duas outras versões da mesma história: O Privilégio de Amar (1998/99) e Cristal (2006), que conservou o título do enredo original da escritora cubana Delia Fiallo.

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Mais ou menos 20 anos atrás, uma jovem muito pobre é expulsa da casa onde trabalha como empregada doméstica, ao revelar estar grávida do filho da patroa. Filho este que desde o nascimento fora prometido para a vida religiosa pela mãe dominadora.

Após altos e baixos da vida, hoje a outrora empregada doméstica é uma grande modista, e a filha que tivera e não pudera criar surge lutando por uma vaga como manequim em sua empresa. As duas não se gostam e, para piorar, o enteado da modista cai de amores pela moça e joga para o alto o noivado com uma jovem de temperamento instável.

Responsável por grandes sucessos da teledramaturgia mexicana, entre os quais A Usurpadora, para citarmos apenas um deles, o produtor Salvador Mejía Alejandre errou feio em Triunfo do Amor.

A história, de romances fortes e dramaticidade cativante, envolvente no embate entre mãe e filha sem que as duas saibam disso até certo ponto da narrativa, ganhou na novela dos anos 2010 exageradas cores de melodrama. Mais até do que podemos encontrar de vez em quando na TV.

A começar pelas cenas ambientadas na juventude de Vitória, a poderosa empresária vivida por Victoria Ruffo, de A Madrasta e Simplesmente Maria. Ela interpretou a personagem quando jovem, com direito até a trancinhas no cabelo. Ficou ridículo.

O mesmo vale para Diego Olivera, o Padre João Paulo. Ademais, a filha de Vitória ganhou o singelo nome de Maria Desamparada. Não, você não leu errado. Mas vem mais por aí. “Aguardemmm”, já diria o dono da emissora.

A autora Delia Fiallo não poupou críticas a Salvador Mejía Alejandre e a Liliana Abud, a adaptadora cujo trabalho já a havia desagradado em O Privilégio de Amar.

A saber, Liliana tomou muitas liberdades em relação a Cristal, dos anos 1980, e que repetiu a dobradinha com o produtor aqui. Nem Maite Perroni e William Levy, o casal central de Triunfo do Amor, saiu ileso das declarações da novelista.

Além de expor seu descontentamento com o produtor, que segundo ela havia lhe prometido seguir o texto original, segundo Erick Matheus Nery no site Notícias da TV Delia Fiallo declarou ao portal TV y Novelas que William Levy para ela era muito bonito, mas chegava a ser frívolo na interpretação e não estava preparado para o papel do galã jovem.

Victoria Ruffo não passava a elegância necessária à personagem, uma grande modista, segundo Delia. Mas Maite provavelmente foi quem sofreu as piores críticas da autora.

Para ela, a jovem atriz não tinha a estatura necessária para convencer como uma modelo, além de também faltarem a ela porte e carisma na medida para protagonizar sua história.

Os números têm sido bons para o SBT nesses primeiros capítulos de Triunfo do Amor, de modo geral. A briga com o jornalístico Cidade Alerta, da Record TV, tem rendido a favor de Silvio Santos.

Resta saber se os espectadores comprarão de vez essa versão da obra de Delia Fiallo que poderia ter sido bem melhor – como foi O Privilégio de Amar, com os trabalhos inesquecíveis de Helena Rojo, Adela Noriega, Andrés García, René Strickler, César Évora, Marga Lopez…

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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