Até aqui, novo formato de Malhação não funcionou

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Substituir Malhação: Viva a Diferença, provavelmente a melhor temporada da história da novela juvenil, não seria tarefa fácil. E Malhação: Vidas Brasileiras estreou também com o objetivo de imprimir novidades ao folhetim. Baseada na produção canadense 30 Vies, a nova Malhação veio com uma protagonista professora e a proposta de fazer um rodízio de protagonismo dentre os adolescentes do elenco.

Assim, cada vez que a professora Gabriela (Camila Morgado) intervém para ajudar um de seus alunos, ele passa a ter os holofotes voltados para si. Inicialmente, Gabriela ajudou Kavaco (Gabriel Contente), um aluno com problemas familiares que começa a dar sinais de que pode estar envolvido com drogas. Depois, foi a vez de Gabriela apoiar Verena (Joana Borges), uma aluna que sofreu assédio de um professor. Histórias que poderiam ser densas, mas que acabaram rendendo menos do que poderiam.

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A história de Kavaco mesmo ficou parecendo que a autora Patrícia Moretzsohn tentou aplicar uma pegadinha na audiência. O aluno deu todos os sinais de que estava se drogando, e apenas capítulos depois foi revelado que seu segredo, na verdade, era o fato de ele trabalhar numa embarcação em horários pouco compatíveis com sua vida de estudante. Só faltou Sergio Mallandro surgir em cena gritando “rá!”.

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Já a trama envolvendo Verena não foi pegadinha (ainda bem). A estudante realmente foi assediada por um professor, Breno (Marcelo Argenta) e, apoiada pela professora Gabriela, travou uma verdadeira batalha para fazer com que ele fosse punido. O episódio levou a atitudes brandas da direção da escola, até chegar a um manifesto dos alunos apoiando a colega. Neste caso, não foi propriamente uma abordagem ruim (na verdade, foi até oportuna), mas ficou a impressão de que, como Verena precisava sair do protagonismo para que entrasse uma nova história, a solução acabou apressada. Poderia ter rendido mais.

Além das histórias que se revezam, Malhação: Vidas Brasileiras tem outras tramas paralelas que seguem sem prazo de validade, como a vida pessoal de Gabriela, a trama de Tito (Tom Karabachian) e seu avô Heitor (Luís Gustavo) ou a história envolvendo Pérola (Rayssa Bratillieri), cujo pai foi preso acusado de corrupção. Estas tramas funcionam muito melhor dentro da novela, com boas nuances e situações. Isadora Mantovani (Ana Beatriz Nogueira), a mãe de Pérola, é uma das melhores personagens da história, uma ricaça acostumada com luxos tendo que aprender a viver numa nova realidade, apoiada pela empregada Rosália (Guta Stresser). Ana Beatriz e Guta, aliás, estão ótimas juntas.

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Sendo assim, a conclusão que se chega é que Malhação: Vidas Brasileiras é prejudicada pelo formato canadense, com este revezamento “obrigatório” de histórias que deixa a trama truncada. A história em si não é ruim, e poderia ser mais bem desenvolvida se não seguisse este formato que acaba engessando a produção.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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