Aos 90 anos, Lima Duarte cria canal no YouTube para expor pílulas de cultura e sabedoria

Intérprete de personagens históricos da teledramaturgia, ator compartilha histórias no site de vídeos

Publicado há 4 meses
Por Fábio Costa
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Que Lima Duarte é um dos maiores atores de que se tem notícia no Brasil, e mesmo no mundo, não é novidade para quem gosta de dramaturgia. Que é um dos pioneiros da televisão brasileira, que completa 70 anos neste 2020 no qual o ator já completou seus 90 (em março), também não.

E que ele esteve presente em alguns dos momentos mais importantes da teledramaturgia brasileira, dos primeiros dias de operações ao TV de Vanguarda, de Beto Rockfeller a Roque Santeiro, de O Bem-amado a O Auto da Compadecida, também não chega a ser uma informação nova para muita gente.

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Do alto de nove décadas de uma vida dedicada à arte de interpretar e a mergulhos intensos na poesia e na alma do Brasil, Lima Duarte tem surgido de tempos em tempos em vídeos na internet, seja para entrevistas, seja para libelos emocionados à tristeza que é o mundo de hoje, como na ocasião da morte do ator Flávio Migliaccio.

Pois não é que Lima criou um canal no YouTube para tornar frequentes suas aparições dizendo aquilo que quiser, sobre o que quiser, para tantos fãs antigos e novos?

Aos 90 anos, Lima Duarte não é simplesmente mais um youtuber, como chamamos àqueles que se aventuram em vídeos no site a fim de conquistarem fama, dinheiro ou apenas difundir opiniões, hobbies e material de arquivo em gravações pessoais.

Já no primeiro dos vídeos, publicado nesta terça-feira (16), Lima se coloca ao lado de todos que manifestam contra o racismo, tão enraizado mundo afora e há tantos anos.

No entanto, o ator se coloca totalmente contra o vandalismo promovido na estátua do Padre Antônio Vieira, personagem real de grande importância que o ator interpretara num filme, Palavra e Utopia, do cineasta português Manoel de Oliveira, falecido em 2015 aos 96 anos. Mais do que a estátua em si, algo físico, a memória do padre não pode ser destruída – essa é a mensagem central.

O histórico criador – mais do que intérprete – de personagens históricos como Zeca Diabo, Sassá Mutema, Sinhozinho Malta e outros tantos surge agora revestido da aura de respeitabilidade que, para além da idade, a presença longeva e imensa numa televisão que serve de verdadeiro alento a um povo tão grande confere.

E oferece agora a todos quantos queiram assistir a seus vídeos, com lições de história e cultura que não soam pedantes nem acadêmicas, ao contrário, parecem mais causos interioranos como só esse mineiro de Desemboque poderia contar.

Obrigado, Lima, por oferecer ao público de um país tão carente de cultura e educação, mais ainda num momento como esse, estando (des) governados por quem estamos, suas palavras poéticas, inspiradas, apaixonadas por esse povo do qual como ator você sempre foi um dos grandes intérpretes em vários sentidos. Não são bobagens, Lima; são registros muito valiosos.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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