Amor e Sorte acerta com tom intimista e otimista

Série foi uma grata surpresa neste período obscuro para a dramaturgia

Publicado há 2 meses
Por André Santana
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Em meio a tantas soluções criativas para driblar a pandemia da covid-19 e seguir produzindo, a série Amor e Sorte, da Globo, se revelou um grande acerto. Há algo de ousado na realização dos quatro episódios, todos estrelados por atores que quarentenam juntos, e gravados de maneira remota. A curta temporada rendeu uma série terna e muito bem-vinda.

O episódio de abertura, com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, reuniu duas atrizes queridas numa história afetuosa. Depois vieram as histórias de casais: Lázaro Ramos e Taís Araújo resgataram a “vibe Os Normais” num roteiro esperto de Alexandre Machado; Emílio Dantas e Fabiula Nascimento retrataram as agruras de um casal em crise; e Luisa Arraes e Caio Blat fecharam o ciclo como um casal que foi formado pela pandemia por acaso.

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Toda a série girou em torno da pandemia, mas Amor e Sorte foi sagaz ao abordar a temática a partir das relações humanas. A quarentena foi apenas a mola propulsora que fez com que os personagens da série se vissem obrigados a se relacionar e, consequentemente, explorar todas as nuances do amor, da convivência e da tolerância.

E fez tudo isso sem parecer pedante. Houve uma dose de açúcar, é verdade, mas nada que tenha feito a receita desandar. No fim, os episódios de Amor e Sorte conseguiram, de maneira habilidosa, mostrar que as mesmas diferenças (seja de ideias ou de atitudes) que podem separar dois seres humanos também podem uni-los em torno de algo maior.

Ou seja, o tom otimista permeou toda a série. E isso é importante, sobretudo neste momento obscuro que estamos vivendo. Além disso, o fato de a série ser gravada nas próprias casas dos atores também serviu para dar um tom intimista que fez todo o sentido.

Dois atores em cena num cenário limitado ressalta o trabalho de dramaturgia dos próprios atores, além de valorizar o texto. Por estas e outras, Jorge Furtado foi bastante feliz na concepção desta ideia. Amor e Sorte foi uma grata surpresa neste tempo em que a dramaturgia se viu ameaçada. Mostrou que é possível, em todos os sentidos.

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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