A Casa é deprimente, mas deve agradar os fãs de realities “bizarros”

Publicado em 28/06/2017

Na noite de ontem (27), a Record colocou no ar sua mais nova aposta no segmento de reality show: A Casa. Versão nacional de Get the Fuck Out of My House, a atração consiste em confinar 100 pessoas numa casa preparada para receber apenas quatro moradores. Ou seja, a ideia é colocar os participantes em situações-limite, numa espécie de exposição da degradação do ser humano diante da falta de recursos.

Não há comida nem água suficientes, não há cama para todos, apenas dois banheiros, e não há nem ao menos espaço. O que se viu nesta estreia foi uma casa de porte médio totalmente ocupada. Há pessoas por todos os lados, formando grupos que ocupam a tela o tempo inteiro. Marcos Mion, o apresentador que deve colocar alguma ordem naquela confusão toda, quase desaparece em meio a tanta gente.

Três pessoas desistiram logo de cara. A Casa também elegeu um “dono”, que parece ocupar uma posição semelhante ao do líder do Big Brother, ou do fazendeiro de A Fazenda. O primeiro a ocupar a posição é Junior, que tem direito a um quarto exclusivo. É ele quem decidirá como os ocupantes da casa terão de utilizar, da melhor maneira possível, o pouco dos recursos que o local disponibiliza, o que inclui organizar o melhor uso da casa, a divisão da comida e até mesmo quem vai e quem não vai tomar banho naquele dia.

Ou seja, na prática, A Casa é uma espécie de Big Brother hard, no qual os participantes se submeterão a praticamente uma tortura física e psicológica em busca de um prêmio em dinheiro e, talvez, uns minutinhos de fama. Sem dúvidas, será um prato cheio para o espectador que curte a boa e velha intriga dos realities de confinamento que, aqui, serão elevados à enésima potência. Tem um “quê” de Solitários, reality show exibido no SBT anos atrás, que confinava os participantes em cabines minúsculas e isoladas, e os fazia passar por diversos testes físicos e psicológicos.

Na verdade, A Casa é deprimente. É feito para oferecer entretenimento fazendo uma espetacularização da condição humana em seu estado mais bruto, no pior sentido da palavra. Consegue ser pior do que os Big Brothers e Fazendas da vida. Saudades de O Aprendiz ou Troca de Família.

A Casa reúne todos os elementos para um reality de sucesso

Dancing Brasil foi um grande acerto da Record

*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

Assuntos relacionados: