Carcereiros acerta no tom documental, mas peca na apresentação do protagonista

Publicado há 3 anos
Por André Santana
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Estreia da noite de ontem (26) da Globo, a série Carcereiros é mais uma aposta em dramaturgia seriada da emissora que foge das comédias comuns do horário. Exibida logo depois de O Outro Lado do Paraíso, a atração chama a atenção pela boa carpintaria dramatúrgica, que prioriza a tensão em detrimento ao didatismo e, ainda, pelo tom documental como a história é narrada. A escolha por mesclar dramaturgia e depoimentos de documentário lembra o público a todo o momento que a série é um recorte da realidade do país.

Este é o grande mérito do texto de Carcereiros. Ao não se prender às firulas típicas de folhetim, a série alcança um nível de realidade que impressiona. Nada soa gratuito, não há explicações desnecessárias e nem muitas concessões à assepsia. A violência empregada, seja no uso das palavras (com muitos palavrões e gritaria), ou a violência corporal, é mostrada sem disfarces, embora não seja explícita ao ponto escatológico da coisa.

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No primeiro episódio, Carcereiros retratou uma rebelião no presídio. Enquanto os presos tocavam o terror, os carcereiros Adriano (Rodrigo Lombardi), Vinícius (Jean Amorim), Isaías (Lourinelson Vladmir) e Valdir (Tony Tornado) tentavam contornar a situação. Em meio à gritaria, constantes ameaças e até se tornando reféns, eles driblam como podem o ambiente hostil que se forma. As sequências eram endossadas pelos depoimentos de carcereiros reais, que contavam o que sentiam quando estavam em meio a rebeliões. Imagens antigas do jornalismo ajudavam a contextualizar a ação ficcional na realidade.

Exatamente por esta ousadia narrativa pouco usual na TV aberta, Carcereiros vale a atenção. O único revés é que, ao optar pela realidade quase total e abandonar os recursos narrativos tradicionais, a série não apresentou Adriano adequadamente ao público. Quem viu os demais episódios do programa, disponíveis na GloboPlay desde o ano passado (e que foram exibidos também no + Globosat), sabe que sua vida pessoal também é explorada no decorrer da série. Mas como nada foi mostrado na estreia, ficou faltando um elemento que pudesse tornar o espectador cúmplice do protagonista, torcendo por ele. Isso, sem dúvidas, potencializaria a tensão da sequência.

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Mas nada que prejudique a obra como um todo. Carcereiros conta com um texto arrojado de Fernando Bonassi, Marçal Aquino e Denisson Carvalho (trio de Supermax; os dois primeiros assinaram também as ótimas Força-Tarefa e O Caçador), direção cinematográfica de José Eduardo Belmonte e o documentário que permeia a narrativa é assinado por Pedro Bial e Fernando Grostein Andrade, e traz Rodrigo Lombardi em seu momento mais maduro na TV. Ademais, além dos méritos já enfileirados, a série reforça ainda mais o espaço para coproduções na dramaturgia da Globo, promovendo uma importante oxigenação da produção. Gullane Filmes e Spray Filmes coproduzem a série, junto com a Globo.

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*As informações e opiniões expressas nessa crítica são de total responsabilidade de seu autor e podem ou não refletir a opinião deste veículo.

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